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A encruzilhada em que João Rendeiro deixou a mulher, Maria de Jesus Rendeiro

Depois de se ter ausentado do país em setembro, no seguimento de um mandado judicial, o ex-bancário deixou a mulher sozinha, na mansão na Quinta Patiño. Mas os problemas só agora começaram.

Foto: Tiago Sousa Dias / Cofina
26 de outubro de 2021 Máxima

Sozinha e sem chão. Pode afirmar-se que foi assim que João Rendeiro deixou a mulher, com quem está casado há 49 anos, quando fugiu para parte incerta em setembro passado, possivelmente para um país sem acordo de extradição para Portugal. Para trás ficaram as dívidas, a fuga ao mandado judicial, obras de arte desaparecidas e a mansão multimilionária que o ex-banqueiro comprou, há 16 anos, na Quinta Patiño, um condomínio de luxo nos arredores de Cascais. O famoso lote 81, onde Maria de Jesus Rendeiro permanece com os cães do casal, a braços com vários problemas financeiros e inquisições por parte da Justiça.

Maria de Jesus Rendeiro, que foi durante vários anos secretária e tradutora da família Mello, terá dito às autoridades que o marido foi a Londres em trabalho, sem data de regresso. Estima-se que Maria de Jesus, de 69 anos, seja a beneficiária de contas bancárias, no valor de seis milhões de euros, que Rendeiro terá depositado em offshores em seu nome ao longo dos anos.

Depois de o mandado judicial ter determinado o cumprimento da primeira de três penas de prisão a que o ex-presidente do Banco Privado Português (BPP) já foi condenado em tribunais de primeira instância, este abandonou o país. Rendeiro foi condenado por ter burlado um embaixador em 2008, que investiu 250 mil euros em obrigações de caixa subordinadas do BPP, e já tinha sido punido com cinco anos e oito meses de prisão por ter omitido, entre 2002 e 2008, a situação financeira da instituição bancária, sem esquecer a pena de dez anos que recebeu por ter desviado 13,6 milhões de euros do banco.

Questionada pelas autoridades, e no dia em que foram verificar a integridade das 124 obras de arte arrestados ao ex-banqueiro há quase 11 anos, a mulher de Rendeiro informou o tribunal que havia encontrado 15 das várias obras de arte que os inspetores da Polícia Judiciária deram como desaparecidas. Há uma semana, tinham-lhe sido decretados cinco dias para entregar as obras. Sabe-se que umas desapareceram, outras poderão ter sido falsificadas (das 124).

Juntos desde a adolescência e casados há quase cinco décadas, como João Rendeiro descreve no livro João Rendeiro - Testemunho de Um Banqueiro, da jornalista Myriam Gaspar, o casal nem sempre viveu tempos desafogados, pois eram ambos oriundos de famílias humildes. São várias as vezes em que o ex-bancário se refere à mulher com carinho ao longo do livro, contando episódios da vida conjugal de ambos, como quando Maria Rendeiro teve cancro da mama ou quando adoptaram os primeiros cães da família. Filho de um casal proprietário de uma loja de calçado em Campo de Ourique, Rendeiro contava, no livro, a sua trajectória profissional, desvendando a sua estratégia de fazer negócios e investir na Bolsa. Longe vão os tempos em que era um banqueiro respeitado e que vivia em sossego com a sua "Maria", como a ela se refere neste livro autobiográfico.

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