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10 livros para devorar em isolamento

Um roteiro literário de histórias que lhe darão uma nova perspetiva da situação atual.

25 de maio de 2020 | Vitória Amaral

Ficar em casa é algo que, mesmo para os introvertidos, se pode tornar desafiante a longo prazo. É, no entanto, uma excelente oportunidade para implementar novos hábitos ou pôr a leitura em dia, longe dos ecrãs e especialmente do alvoroço das redes sociais. Reunimos 10 livros que prometem mantê-la entretida.

1. Estação Onze, de Emily St. John Mandel

Este romance, vencedor do Prémio Arthur C. Clarke, conta-nos a história de Kirsten Raymonde que nunca esqueceu a noite em que Arthur Leander, ator famoso, morre em palco, e começa uma pandemia de gripe que viria a aniquilar a humanidade quase por completo. Vinte anos mais tarde, Kirsten é uma atriz num pequeno grupo que atua entre as comunidades de sobreviventes com música e representação. Tudo muda quando a trupe chega a St. Deborah by the Water. Alternando entre as décadas antes e depois da pandemia, o romance traz-nos uma história de perseverança através da arte, e os acasos do destino que ligam as suas personagens.

2. O Poder, de Naomi Alderman

"Vai abalar o seu mundo! E depois vai fazê-lo questionar tudo" foram as palavras de Margaret Atwood para descrever esta história que troca metaforicamente a sociedade patriarcal pela matriarcal, dando um superpoder às mulheres. Os papéis são assim invertidos quando o mundo se depara com este fenómeno e a sociedade que conhecemos se desmorona. A mulher torna-se numa espécie de "predador", enquanto os homens passam a ter medo de sair sozinhos de casa à noite. Alternando entre as histórias de vários protagonistas, de múltiplas origens e estatutos, nasce um romance que explora os efeitos desta inversão de papéis, o seu impacto na sociedade e a forma como reproduz as desigualdades do mundo atual.

3. Jane Eyre, de Charlotte Brontë

Publicada no século XIX por uma das irmãs Brontë, esta obra-prima da literatura inglesa trata-se, segundo se crê, de uma autobiografia ficcionada. Depois de uma infância severa e solitária, Jane Eyre torna-se preceptora em Thornfield Hall onde se apaixona pelo seu patrão, Mr. Rochester. Embora plenamente correspondida no seu amor, Jane enfrentará um dos seus segredos mais tenebrosos, levando-a a travar uma luta interior para se manter fiel às suas próprias convicções. Uma história intemporal sobre a força do querer de uma heroína em busca da igualdade e liberdade.

4. O Pintassilgo, de Donna Tartt

Este vencedor do Prémio Pulitzer em 2014 conta a história de Theo Decker, que aos 13 anos vive em Nova Iorque com a mãe, a sua única figura parental depois do divórcio dos pais e com quem partilha uma relação especialmente próxima. O começo do romance dá-se com uma tragédia no Metropolitan Museum onde os dois estavam, que o deixará órfão de mãe. Abandonado pelo pai, Theo vai para a casa da família de um amigo abastado, apesar de nunca se adaptar completamente. Neste contexto surge uma obsessão com uma pequena pintura que a mãe lhe tinha mostrado no dia fatídico, que mais tarde o levará a entrar no mundo do crime. Uma odisseia poderosa sobre o amor, perda e sobrevivência que não vai querer pousar.

5. A Peste, de Albert Camus

Sem querer alimentar o pânico existente, esta é uma obra que se enquadra à nossa situação atual por ser um símbolo clássico da sobrevivência humana. Intemporal e avassalador, este romance foi originalmente publicado em 1947, fazendo de Camus um nome de peso na literatura moderna. Retrata a década de 40 em que a personagem principal, Bernard Rieux, tropeça num rato morto , o primeiro sinal de uma peste que tomaria a cidade de Orão, na Argélia. A cidade, sujeita à quarentena, leva os seus habitantes a estados de sofrimento, loucura, compaixão e entreajuda.

6. 1984, de George Orwell

Considerado por muitos o livro mais influente do século XX, conta a história aos olhos de Winston Smith, um funcionário aparentemente insignificante que recebe a tarefa de passar a propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e dos livros de modo a agradar o governo, embora fique cada vez mais desiludido com o seu papel, iniciando uma revolta contra o mesmo sistema totalitário em que vive, que pede obediência absoluta e o observa constantemente. Na sua procura pela verdade e liberdade, Winston envolve-se com a sua colega Julia, mas depressa percebe que o preço da sua liberdade terá de ser a traição.

7. Em Busca Do Tempo Perdido, de Marcel Proust

A primeira parte de "Do Lado de Swann" tem, segundo Proust, "a forma do tempo". Uma narrativa nostálgica em que o passado se entrelaça com o presente, e a memória é a derradeira forma de reconstruir o passado. Num recurso à memória involuntária, Proust constrói um universo ficcional baseado nas vivências e desilusões da sua infância.

8. Como Evitar Preocupações e Começar a Viver, de Dale Carnegie

De leitura mais leve, este livro abre-lhe as portas para inúmeras soluções e sugestões para a ajudar a resolver situações difíceis, eliminar preocupações de todo o tipo, aumentar a sua produtividade, desligar-se dos medos da crítica alheia e manter uma atitude positiva enquanto aproveita ao máximo o seu dia-a-dia. Um guia prático ideal para novos começos e autorreflexão.

9. O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir

Mais de 50 anos depois da sua primeira publicação, este continua a ser um livro de referência que trata a condição da mulher, levantando questões infinitamente pertinentes que dão azo a um debate entre as mais variadas áreas do conhecimento, desde a Antropologia à Filosofia, revelando os desequilíbrios de poder entre os sexos e a condição secundária a que as mulheres são reservadas. Considerada uma obra essencial do feminismo, coloca questões quanto ao condicionamento social que perfaz as categorias de "mulher" ou "feminino", aceites nas nossas sociedades.

10. O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez

Outra prova do poder da resiliência, este romance, considerado um marco na carreira do escritor colombiano, conta a história de amor entre Florentino e Fermina na América Latina do século XIX. Ambos conhecem-se através da profissão de telégrafo de Florentino ao pai de Fermina e trocam cartas durante dois anos, até este a pedir em casamento. Depois de 4 meses, Fermina aceita, até que Lorenzo, seu pai, descobre a relação e a manda para outra cidade. Anos depois, Fermina regressa e dá o nó com Juvenal, com quem fica 51 anos até à morte deste. Florentino vê assim uma oportunidade de declarar mais uma vez o seu amor, mas será que terá sucesso?

"Estação Onze", de Emily St. John Mandel, Editorial Presença
1 de 10 "Estação Onze", de Emily St. John Mandel, Editorial Presença
"O Poder", de Naomi Alderman, Saída de Emergência
2 de 10 "O Poder", de Naomi Alderman, Saída de Emergência
"Jane Eyre", de Charlotte Brontë, Editorial Presença
3 de 10 "Jane Eyre", de Charlotte Brontë, Editorial Presença
"O Pintassilgo", de Donna Tartt, Editorial Presença
4 de 10 "O Pintassilgo", de Donna Tartt, Editorial Presença
"A Peste", de Albert Camus, Livros do Brasil
5 de 10 "A Peste", de Albert Camus, Livros do Brasil
1984, George Orwell, Antígona
6 de 10 1984, George Orwell, Antígona
"Em Busca Do Tempo Perdido", de Marcel Proust, Relógio D'Água
7 de 10 "Em Busca Do Tempo Perdido", de Marcel Proust, Relógio D'Água
"Como Evitar Preocupações e Começar a Viver", de Dale Carnegie, Companhia Editoria Nacional
8 de 10 "Como Evitar Preocupações e Começar a Viver", de Dale Carnegie, Companhia Editoria Nacional
"O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir, Quetzal
9 de 10 "O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir, Quetzal
"O Amor nos Tempos de Cólera", de Gabriel García Márquez, Dom Quixote
10 de 10 "O Amor nos Tempos de Cólera", de Gabriel García Márquez, Dom Quixote
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