Reflexão Máxima. 'Peso 55 kg e já pensei em tomar Mounjaro'
Quando a magreza nunca chega, algo está errado. E não é só connosco.
Quando Sturla Holm Lægreid confessa, em direto na televisão norueguesa, que traiu a namorada de seis meses, fá-lo poucos minutos depois de conquistar a medalha de bronze na prova individual de 20 km de biatlo, nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Itália. Na entrevista ao canal NRK, o atleta de 28 anos admite ter sido infiel cerca de três meses antes, descrevendo o episódio como "o maior erro" da sua vida. Revela ainda que contou a verdade à companheira uma semana antes do início dos Jogos, assumindo que esse período foi "a pior semana" da sua vida. Questionado sobre a razão para tornar o assunto público, Lægreid explica que quis mostrar o quanto a parceira é importante para si e assumir responsabilidade pelos seus atos.
Terá sido este o melhor momento para o fazer? Seria este um tema que a namorada - ou ex-namorada, não sabemos - queria ver exposto publicamente? Poderá este gesto ter sido, ainda assim, um ato egoísta? Terá ele acreditado que, ao confessar em público, ela não teria outra escolha senão perdoar? A verdade é que não sabemos o que lhe passava pela cabeça - se é que pensava de forma clara naquele momento. Terá sido isto algo que só um homem faria? Prometo não ser man hater, mas é difícil não questionar a lógica por detrás de uma decisão tão íntima tomada num palco tão público.
A verdade é que a traição nas relações não é algo incomum, infelizmente. O incomum começa a ser encontrar um parceiro que nunca olhe para outra pessoa. Num artigo do Institute for Family Studies, Who Cheats More? The Demographics of Infidelity in America (Quem trai mais? A demografia da infidelidade nos Estados Unidos), é referido que, em termos gerais, "os homens são mais propensos a trair do que as mulheres: 20% dos homens e 13% das mulheres relataram ter tido relações sexuais com alguém que não o seu cônjuge enquanto casados".
O que leva um parceiro ou parceira a trair? Esta é, talvez, a pergunta que surge sempre que ouvimos falar de um caso de infidelidade. Para compreender o fenómeno, importa perceber que "muitas relações românticas iniciam-se numa fase de amor apaixonado, marcada pela idealização do outro e por uma forte vontade de proximidade constante. Esta qualidade de amor dura, segundo alguns investigadores, entre alguns meses e pouco mais de dois anos", explica a psicóloga Catarina Rivero, num artigo da Máxima. "Com o tempo, tende a transformar-se num amor companheiro, onde há romantismo, mas também propósito conjunto, cumplicidade, amizade e um sentimento de pertença mais profundo."
Neste processo, acrescenta a psicóloga, cria-se espaço para interesses individuais para além do espaço do casal. As decisões de futuro tornam-se mais ponderadas e menos impulsivas, mas surge também uma maior vulnerabilidade face a um quotidiano exigente e cheio de desafios.
E é aqui que tudo parece ainda fazer sentido - então, o que acontece para surgir a ideia da infidelidade, o olhar para fora da relação? Com o passar dos anos, o casal pode entrar numa rotina pressionada pelo stress profissional, pela gestão financeira, pelas famílias de origem, pelos projetos individuais e, muitas vezes, pelo nascimento dos filhos. O estudo publicado pela National Library of Medicine - The Effect of the Transition to Parenthood on Relationship Quality: An Eight-Year Prospective Study (O efeito da transição para a paternidade na qualidade do relacionamento: um estudo prospectivo de oito anos) - indica que cerca de 70% dos casais atravessam uma crise após o nascimento do primeiro filho. Se não houver uma atenção consciente à relação, o afastamento emocional pode instalar-se e o sentimento de pertença pode perder-se.
Nada disto justifica uma traição. Mas ajuda a contextualizar. Uma relação saudável assenta, inevitavelmente, na comunicação - não apenas para partilhar conquistas e momentos felizes, mas também para falar de medos, frustrações, carências e desejos. É através dessa comunicação que se constrói uma base sólida e duradoura. Para que isso aconteça, ambas as partes precisam de estar disponíveis e interessadas em construir um futuro em conjunto. Quando uma delas deixa de estar, o vínculo começa a fragilizar-se.
Então, o que fazer quando a infidelidade acontece? Esta é, sem dúvida, uma das experiências mais difíceis que um casal pode enfrentar. Quando alguém trai, existem essencialmente dois caminhos possíveis: a separação ou a tentativa de reconstrução da relação. Ambos são processos complexos e raramente imediatos.
A decisão de terminar pode ser clara para alguns e dolorosamente lenta para outros. Envolve luto, raiva, desilusão e, muitas vezes, a necessidade de redefinir a própria identidade fora daquela relação. Já a escolha de ficar e trabalhar no relacionamento tende a gerar incompreensão por parte de quem está de fora. Afinal, como se aceita uma traição? Como se volta a confiar?
A verdade é que, independentemente das opiniões externas, a decisão pertence apenas às duas pessoas envolvidas na relação. São elas que conhecem a história, o contexto e os limites emocionais de cada um. Reconstruir depois de uma traição não significa esquecer o que aconteceu, mas sim compreender, estabelecer novas regras, restaurar a confiança de forma gradual e, muitas vezes, recorrer a acompanhamento psicológico.
“Uma traição tende a resultar num trauma, desde o choque da descoberta até ao ‘lixo tóxico’ emocional que se vai acumulando nos tempos seguintes, afetando diretamente a autoestima, a autoimagem e até a identidade do casal”, explica a psicóloga Luana Cunha Ferreira. Trabalhar a relação implica enfrentar esse trauma de frente, assumir responsabilidades claras e perceber se ainda existe vontade real - de ambos - para continuar.
Nem todas as relações sobrevivem à infidelidade. E nem todas devem sobreviver. Em alguns casos, a traição expõe fragilidades irreparáveis; noutros, funciona como um ponto de rutura que obriga a uma honestidade que nunca antes existiu. O mais importante, em qualquer cenário, é que a decisão seja tomada com consciência, respeito próprio e sem pressões externas.