Iva Domingues: "Sou uma mulher de esquerda e nunca votei IL, mas no atual contexto político Cotrim representa uma visão otimista"

“Cotrim de Figueiredo pode contribuir para uma mudança simbólica e cultural.” Apesar dos poderes limitados do Presidente da República, a sua influência é clara. Há diferenças entre as candidaturas ou a igualdade de género não pesa na escolha dos eleitores? Ouvimos mulheres que apoiam as várias opções.

Iva Domingues comenta cenário político atual Foto: Duarte Roriz
13 de janeiro de 2026 às 14:59 Maria Afonso

Iva Domingues, apresentadora de televisão 

“Apoio o João Cotrim de Figueiredo não por alinhamento ideológico total, sou uma mulher de esquerda e nunca votei IL, mas por considerar que, no atual contexto político, representa uma visão otimista num Portugal de futuro, que valoriza a autonomia individual, a liberdade de escolha e a responsabilidade do Estado em criar condições para que cada pessoa (mulher ou homem) queira e possa construir a sua vida no país onde nasceu. Enquanto mulher feminista e mãe de uma filha emigrada, esta dimensão é particularmente importante para mim. Um Presidente não legisla, é certo, mas influencia o debate público, legitima prioridades e pode ser um contraponto relevante a uma cultura política excessivamente paternalista. 

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Um Presidente como o João Cotrim de Figueiredo, alguém com um forte sentido de Estado, de um carácter e retidão inatacáveis, pode contribuir para uma mudança simbólica e cultural importante na vida das mulheres e homens portugueses, mas também das gerações mais jovens. Hoje, pela primeira vez em democracia, os jovens vivem pior do que a geração anterior! Isso é um falhanço coletivo. Quero um país que consiga captar e fixar o talento, e onde os jovens tenham futuro e não sejam empurrados para a emigração. Igualdade não se faz apenas por via de quotas, que ainda são, e que fique bem claro; muito necessárias, ou de discursos motivadores, mas ocos em conteúdo, que pouco ou nada resolvem. É preciso, é urgente, deixar para trás retóricas gastas… e passar à ação; garantindo liberdade económica, mobilidade social, garantindo que todas e todos vivam com o direito à dignidade e acesso às necessidades mais básicas. Isso passa, inevitavelmente, por acesso à habitação digna, salários dignos e que permitem qualidade de vida. Face a outros candidatos, vejo no João Cotrim alguém que fala sem rodeios numa linguagem clara, assertiva, vejo mais verdade, mais coragem política, sem ceder a agendas e interesses partidários, maior clareza na defesa da autonomia individual e menor instrumentalização política das causas feministas.  

Destaco, no seu posicionamento, a defesa de um Estado laico, a separação clara entre convicções pessoais e políticas públicas, o respeito pelos direitos individuais já conquistados e uma visão económica que, a meu ver, é essencial para a emancipação feminina e para a fixação dos jovens no país. Acresce ainda a sua preocupação com a resolução de problemas estruturais na justiça, na educação e na saúde; áreas fundamentais para a vida das mulheres e homens, através de uma abordagem moderna, assente em melhor gestão, recurso a novas tecnologias de informação, inovação organizacional e conhecimento técnico. O seu percurso enquanto gestor dá-lhe uma compreensão concreta destas matérias, que considero hoje indispensável para reformar o Estado e melhorar efetivamente a vida das pessoas. A independência financeira continua a ser uma das chaves centrais da liberdade das mulheres e das novas gerações, e isso também pesou, de forma decisiva, na minha escolha."

Este testemunho faz parte do artigo ""com entrevistas a apoiantes de diferentes candidatos.

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