Eleições. Quão feministas são, afinal, os candidatos à Presidência da República?
Ainda que os poderes de um Presidente da República sejam constitucionalmente limitados, é inegável o seu poder de influência. Impõe-se, portanto, a pergunta: há diferenças substanciais entre candidaturas ou a igualdade de género não é um tema que mobilize o eleitorado? Fomos ouvir as opiniões de mulheres que apoiam as diferentes alternativas.
Os temas relacionados com a igualdade de género e os direitos das mulheres têm surgido durante esta campanha eleitoral, mas raramente como tema central — isto apesar de, no ano passado, a GNR ter registado mais de 10 mil crimes de violência doméstica e pelo menos 24 mulheres terem sido assassinadas pelos companheiros. Já para não falar do 'elefante na sala' que é o enorme desequilíbrio de género existente nas próprias candidaturas, com apenas uma mulher a figurar entre as 11 opções.
Paula Espírito Santo, especialista em Ciência Política e em comportamento eleitoral, começa por abordar a disparidade de género em termos de candidaturas, explicando que a maior parte dos candidatos vem dos partidos e que “a filiação partidária, não só em Portugal, mas de uma forma geral nas democracias ocidentais, continua a ser uma atividade masculina”. A professora do ISCSP assinala ainda o facto de a única figura feminina, Catarina Martins, não ter vindo a acentuar esse dado, possivelmente por, do ponto de vista estratégico, não considerar que esse seja um benefício em termos de mensagem política: “Na minha opinião, ela poderia ter aprofundado essa questão e creio que poderia ganhar bastante se identificasse mais a causa das mulheres como uma mais-valia da sua candidatura”.
Apesar das características individuais e diferenciadoras de cada um, a investigadora considera que nenhum dos candidatos apresenta uma estratégia inclusiva do ponto de vista do género e que uma maior atenção a estas matérias, quer em termos públicos como políticos, poderia mobilizar eleitores. “Os partidos ainda têm uma visão muito masculinizada da política e da sociedade”, conclui, acrescentando que “é preciso que haja um entendimento por parte de quem concorre a estes cargos que essa pode ser uma prioridade em termos sociais, cívicos e políticos. Mas o que temos vindo a observar é que, mesmo em casos em que há mulheres nas lideranças partidárias – e estou a lembrar-me da Mariana Leitão da Iniciativa Liberal –, o assunto não é central”. Partindo destes pressupostos, fomos ler nas entrelinhas, perguntando a apoiantes dos diferentes candidatos os motivos pelos quais conquistaram a sua preferência. É tempo de descobrir as diferenças.
Teresa Violante, jurista
“Não apoio Gouveia e Melo por ter um ‘programa para mulheres’."
Carla Eliana Tavares, jurista e ex-deputada
Odete Fiúza, advogada e atleta paralímpica
Paula Cosme Pinto, consultora de comunicação
Leonor Caldeira, advogada
“A eleição de Jorge Pinto significará uma Presidência atenta à violência de género.”
Iva Domingues, apresentadora de televisão
“Cotrim de Figueiredo pode contribuir para uma mudança simbólica e cultural.”
Catarina Pires, jornalista
“Vejo em António Filipe uma posição de respeito profundo pela igualdade.”
Rita Matias, deputada do Chega
"André Ventura tem promovido ativamente mulheres para lugares de destaque."
Manuela Ramalho Eanes: "Comigo e pela primeira vez houve um gabinete para a mulher do presidente"
Mais do que uma voz sonante e uma presença forte, Manuela Ramalho Eanes é – e continuará a ser – a primeira-dama das causas.
Snu, a mulher que no amor e na morte se cruzou com Portugal
Nasceu dinamarquesa, mas diziam-na sueca. Chamava-se Snu, mas foi Ebba o nome que os pais lhe deram. 45 anos após a morte de Sá Carneiro e Snu Abecassis, recordamos o texto de Helena Matos sobre esta fascinante mulher.
E se Portugal tivesse uma Presidente da República?
Maria de Lourdes Pintasilgo candidatou-se em 1986, depois disso tivemos de esperar 30 anos, até 2016, para voltarmos a ter mulheres candidatas à Presidência da República. Nessa altura as candidatas foram Marisa Matias e Maria de Belém. Cinco anos depois, duas mulheres voltam a estar na corrida: Marisa Matias, de novo, e Ana Gomes, pela primeira vez. Falámos com uma socióloga e uma investigadora sobre este momento na política portuguesa.