Dua Lipa casou-se de fato saia e casaco, mas não foi a primeira noiva cool a fazê-lo
Com Schiaparelli, a cantora entrou para a linhagem das noivas que trocaram o vestido tradicional, como foi o caso de Bianca Jagger ou Amal Clooney.
Há qualquer coisa em Dua Lipa que parece acontecer sempre no tom certo. As férias infinitas, os looks de palco que vivem algures entre a pop star e a musa de arquivo, o clube de leitura da Service95, a forma como transforma cada aparição numa pequena declaração estética. Dua é, há muito, a cool girl das cool girls. A girl crush das girl crushes. Por isso, quando começou a namorar com o Callum Turner, em 2024, e mais tarde confirmou o noivado, em junho de 2025, a ideia dos dois juntos pareceu fazer sentido quase de imediato. Pelo menos esteticamente, eram perfeitos: altos, bonitos, discretamente elegantes e com aquele ar de quem lê bons livros em sítios com pouca luz. Mas o detalhe que transformou tudo numa história quase demasiado boa para ser real foi mesmo o meet-cute literário.
Turner contou ao The Sunday Times que os dois se conheceram antes da festa de aniversário de um amigo em comum, em Los Angeles, e perceberam que estavam a ler exatamente o mesmo livro: Trust, de Hernán Díaz. Ele tinha acabado o primeiro capítulo. Ela também. E então veio a frase: "So we’re on the same page" [estamos na mesma página]. Dua, por sua vez, disse à British Vogue que os dois tinham acumulado anos de quase-encontros, daqueles momentos à Sliding Doors em que a vida parece estar a ensaiar uma coisa antes de a deixar finalmente acontecer. Quando lhe perguntaram se o livro partilhado lhe pareceu um sinal, respondeu apenas: "1000%".
Com uma história destas, não surpreende que o look escolhido para o casamento civil fosse tão cool quanto ela. Dua e Callum casaram-se numa cerimónia íntima em Old Marylebone Town Hall, em Londres, ontem, 31 de maio. À saída, entre confettis e aquele tipo de imagem que já nasce pronta para entrar nos arquivos de moda, a cantora surgiu em Schiaparelli criado por Daniel Roseberry: um blazer marfim de cintura marcada, de construção precisa, com botões dourados personalizados, combinado com uma saia assimétrica e um bustier escultural branco. Usou ainda luvas brancas, sapatos Christian Louboutin com detalhe lion-eye, um colar serpente da Bulgari e um chapéu de abas largas assinado por Stephen Jones.
Uma noiva de duas peças. E, sinceramente, incrível. Mas é impossível olhar para este momento sem pensar noutra noiva cool, talvez a original: Bianca Jagger. Quase 55 anos antes, Bianca - então Bianca Pérez-Mora Macías - casou-se com Mick Jagger em Saint-Tropez, a 12 de maio de 1971, usando Yves Saint Laurent. O look tornou-se mítico: um casaco Le Smoking em marfim, usado sem blusa, apenas com um botão fechado, combinado com uma saia comprida em viés, um chapéu de abas largas com véu e sapatos de salto bloco.
Na altura, o Le Smoking ainda era relativamente recente - tinha sido apresentado por Yves Saint Laurent poucos anos antes - e continuava a carregar uma certa dose de provocação, como conta a Elle australiana. Um tuxedo para mulher, num mundo que ainda gostava de decidir o que era ou não apropriado para uma mulher vestir, era mais do que roupa: era uma pequena revolução. Em Bianca, essa revolução tornou-se bridal. O resultado foi um dos looks de noiva mais referenciados de sempre: elegante, sensual, masculino e feminino ao mesmo tempo, profundamente simples e absolutamente inesquecível.
Desde então, muitas noivas têm procurado esse mesmo território: fugir ao vestido tradicional sem abdicar da sofisticação. A ideia não é rejeitar o casamento de princesa por completo, mas reescrevê-lo. Trocar tule por alfaiataria. Trocar o volume óbvio por linhas limpas. Trocar o esperado por algo que diga: "sim, sou noiva, mas sou noiva à minha maneira". Solange Knowles fez isso em 2014, no casamento com Alan Ferguson, quando chegou à cerimónia em Nova Orleães de bicicleta, vestida com um jumpsuit off-white e capa de Stéphane Rolland. Havia drama, claro, mas era um drama moderno, gráfico, quase arquitetónico. Mais tarde, mudaria para outros looks igualmente memoráveis, mas aquele momento - a bicicleta branca, a capa, o batom vermelho - ficou como uma imagem perfeita de uma noiva que não estava interessada em cumprir fórmulas.
Amal Clooney também entrou para este panteão quando, no casamento civil com George Clooney em Veneza, escolheu um conjunto Stella McCartney: um fato branco de linhas impecáveis, com detalhe em preto e um chapéu oversized. Era clássico, mas nunca aborrecido. E depois há Emily Ratajkowski, que levou a ideia para um registo completamente diferente quando casou, em 2018, numa cerimónia civil em Nova Iorque, usando um fato mostarda da Zara e um chapéu preto com véu. Não era branco, não era couture, não era tradicional - e talvez fosse exatamente esse o ponto. A escolha provou que o look de noiva alternativo não precisa de pertencer apenas ao universo da alta-costura. Pode ser espontâneo, urbano, inesperado e, ainda assim, altamente memorável.
Todas estas noivas têm algo em comum: perceberam que a alfaiataria pode ser tão romântica como a renda. Que um fato pode ter tanto impacto como um vestido de cauda. Que a elegância, às vezes, está precisamente na recusa de explicar demasiado. Dua Lipa entra agora nessa linhagem com uma naturalidade quase irritante. O seu Schiaparelli não tenta copiar Bianca Jagger, mas conversa com ela. Há o chapéu, há o branco, há a tensão entre noiva clássica e mulher moderna, há aquela ideia de que um look de casamento pode ser simultaneamente formal e ligeiramente rebelde. Como há também algo muito Dua: o toque surrealista da joalharia, o brilho controlado, a teatralidade medida, a certeza de que cada detalhe foi pensado sem parecer demasiado pensado.
Quanto ao que vem a seguir, fala-se de uma celebração em Itália - maior, mais longa, mais cinematográfica, talvez mais próxima da fantasia de casamento que o civil londrino decidiu contornar. Se acontecer, é provável que venha com sol mediterrânico, vestidos impossíveis, convidados muito bem vestidos e pelo menos uma imagem destinada a viver durante anos nos moodboards de noivas cool. Mas depois deste primeiro momento, uma coisa já sabemos: seja num town hall em Londres ou numa festa em Itália, Dua Lipa vai fazer o que sempre fez melhor. Vai ser cool. Vai ser elegante. E vai parecer completamente ela.