"Friend bombing": os sinais que distinguem uma amizade intensa de um comportamento tóxico

Já (quase) todas conhecemos o conceito de love bombing e sabemos como o identificar, mas existe um novo fenómeno igualmente preocupante: o "bombardeio" de amizade é real e acontece principalmente entre mulheres.

Mean Girls (2004) Foto: IMDB
12 de junho de 2026 às 10:00 Máxima

O conceito não varia muito do original, afinal, friend bombing caracteriza-se pelo excesso de atenção que uma pessoa dá a outra no início quando se começam a conhecer, criando, logo ali, a expectativa de uma potencial amizade. Sentimos aquela sensação de demasiado - e demasiado cedo! -, e normalmente é um sinal de alerta no que toca a relacionamentos românticos. 

Segundo o psicoterapeuta Jack Worthy, especialista em padrões de relacionamento frustrantes, em declaração ao The Skimm, “o friend bombing é, essencialmente, o  É tão importante ter cuidado com este tipo de gestos grandiosos nas amizades como nas relações amorosas”. Já Danielle Forshee, psicóloga e assistente social, explica que este tipo de pessoas costuma querer saber tudo o que se passa na vida dos outros e partilhar todos os pormenores da sua própria vida - sem aceitar quaisquer limites: “Um sinal a ter em conta é a frequência elevada de comunicação ao longo de um período de 24 horas, acompanhada da expectativa de uma resposta rápida; se isso não acontecer, podem surgir conflitos", afirma. 

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Mensagens constantes, elogios, convites para jantares, viagens e segredos revelados num espaço de meses: são estes alguns dos sinais a ter em atenção quando começa uma nova amizade. “Na sua essência, trata-se de um padrão de comportamento que envolve demonstrações excessivas de afeto, validação, atenção ou presentes, utilizados para estabelecer rapidamente controlo sobre outra pessoa ou simplesmente para obter algo dela. A tática é normalmente associada a padrões de relacionamento narcisistas, dinâmicas abusivas e namoro manipulador”, explica Marcela Lima, coach de relacionamentos em Boston, especializada em abuso emocional, à DAZED. “Não se percebe tão rapidamente o friend bombing, porque é um pouco mais normal ficar muito próximo dos amigos num curto espaço de tempo do que numa relação.” 

E o problema nem é a atenção em excesso - quando percebem que não vão conseguir aquilo que querem, a mudança é drástica, abrupta e muitas vezes, silenciosa (o famoso ghosting). O ritmo das amizades modernas está a acelerar drasticamente e as redes sociais são o habitat perfeito para o fenómeno do friend bombing: “Hoje em dia, conhecemos alguém e, em dois dias, já lhe contámos todos os nossos traumas, já nos seguimos  mutuamente em todas as plataformas e já aparecemos nas histórias uns dos outros “, explica Marcela.  

Num episódio recente do podcast Hey Sis UK, a podcaster Yezzi Yezzir falou sobre o conceito de friend bombing e acrescenta uma ideia interessante: “as redes sociais dão-nos uma falsa sensação de ligação com as pessoas (...) pensamos que estamos ligado porque acompanhamos a vida de alguém, mas na verdade estamos apenas a ver a vida dessa pessoa. Não fazemos parte da sua experiência”. 

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Antes de se por a bloquear pessoas no Instagram, deixamos um esclarecimento: nem sempre o friend bomber faz o que faz com a intenção de manipular ou controlar: “Esta pessoa anseia por conexão, algo que, provavelmente, lhe escapou durante a maior parte da vida. Está entusiasmado por conhecê-lo e espera que seja o amigo que nunca teve. Por isso, o bombardeamento é uma forma de sedução - não enganosa nem manipuladora, mas uma tentativa sincera de construir uma amizade usando as únicas ferramentas que conhece", explica Worthy.  

O melhor conselho reunido por especialistas (e um pouco por expriência própria) é aprender sobre os nossos limites pessoais e certificarmo-nos que os estabelecemos assim que percebemos que se está a repetir um padrão de friend bombing. E lembre-se: desculpas não são o mesmo que limites, são apenas uma maneira temporária de adiar o inevitável sem nunca ter que tocar no assunto. 

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