Prazeres

Testei um Aston Martin Vantage. Isto foi o que aconteceu

Inauguramos na Máxima uma nova e eclética rubrica de #testdrives a peças e produtos da beleza aos carros. Podemos dizer que este modelo emblemático da marca inglesa, digno de um filme de James Bond, passou com distinção.

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10 de agosto de 2020 | Rita Silva Avelar

Avisei a tripulação, como quem diz amigos mais próximos e família, de que iria fazer um test-drive a um carro. Depois, informei-os de que era um Aston Martin Vantage. Se uns abriram a boca de bocejo, outros entusiasmaram-se tal como eu, que estava num misto de exaltação e de terror. É que "não é todos os dias que se conduz um carro destes" dizia-me um amigo, numa de aproveita-mas-tem-cuidado. Confere. Mas também não é qualquer pessoa que aceita fazer tal teste. Diga-se de passagem que é requerida a mínima dose de coragem, se o caso for o de nunca ter experimentado nada igual. Esse era precisamente o meu caso.

No dia marcado à hora marcada, dirigi-me ao stand, assinei papéis burocráticos, troquei breves impressões com o responsável que me entregou as chaves do veículo, e perguntei a um dos funcionários no local se tinha conselhos. Tinha: "nunca ponha o pé a fundo no acelerador e desfrute." Será porque vai dos zero aos 100 km/h em apenas 3,6 segundos antes de acelerar até aos 313 km/h de velocidade máxima? Calculo que sim. Foi assim que me fiz à estrada.

A experiência de entrar num Aston Martin Vantage é, só por si, intimidante para admiradores e não admiradores de adrenalina. É um boost de energia imediato. Apetrechado com tecnologias de ponta, o Vantage recebeu em 2018 uma nova geração de modelos, com uma renovação de imagem histórica. Uma referência no que toca à competição e à performance, vincou de forma positiva a aposta da Aston Martin num novo look mais "robusto", digamos assim, para este emblemático modelo, ao mesmo tempo que homenageou o passado desportivo da marca.

Um tanto hesitante, entro na A5 em direção a Lisboa, a fim de testar o automóvel "na cidade". A tensão é evidente, ainda estou a tentar adaptar-me à automaticidade deste modelo, que é extrema [começando logo pela caixa automática ZF de oito velocidades]. Quando começo a descontrair, já é possível ir reparando nos olhares indiscretos que se nos lançam, a mim e ao Aston Martin, que é facilmente capaz de virar cabeças em qualquer parte, estacionado ou em movimento. Afinal, falamos de um automóvel digno de um filme de James Bond. Por exemplo, surge em 007 - Risco Imediato (de 1987) quando Timothy Dalton conduz um V8 Vantage, mas a saga filmou vários outros modelos da insígnia originária de Gaydon (quem se recorda da famosa colisão em Casino Royale (2006), com Daniel Craig no papel de Bond, a conduzir um Aston Martin DBS V12?). No atual Vantage, a consola central é inspirada no modelo DB10 que James Bond conduz num dos filmes, e os botões localizam-se numa zona triangular acessível e prática.

Mas voltemos à estrada. Concentro-me, endireito-me no meu assento para lá de confortável e que se ajustou a mim na perfeição (aliás, volta a recostar-se se sair do automóvel) e começo a testar ligeiramente a velocidade. Subitamente, lembro-me de escutar o som do motor com atenção - uma recomendação de um colega jornalista especialista na área – o tal do motor V8 de 4.0 litros com 510 cavalos de potência, fabricado pela Mercedes-AMG, que os especialistas tanto apreciam.

Aston Martin Vantage.
Aston Martin Vantage.

De mãos bem assentes no volante, vem-me à memória uma entrevista com o fundador da Hackett London, Jeremy Hackett, em Londres. Apaixonado pela marca, as fotografias que publica no Instagram, não só do seu como de outros Aston Martin estacionados nas ruas londrinas, são incontáveis. É, afinal, a marca preferida de celebridades como Steven Spielberg, Kourtney Kardashian, Eddie Murphy, Halle Berry, Jason Statham ou David Beckham (a lista continua, claro). A Aston Martin nasceu pelas mãos dos ingleses Lionel Martin e Robert Bamford, em 1913, ou seja, à beira da Primeira Guerra Mundial, numa altura financeira e humanamente difícil - e não só sobreviveu como triunfou. É hoje um dos nomes mais sonantes nas marcas de luxo de automóveis do segmento e uma das referências no conforto e na performance.

Chego a Lisboa, intacta e mais tranquila. Agora sim, já começo a descontrair, e no regresso ao stand faço uma pequena paragem para observar o detalhe da estética exterior do Vantage. É de cortar a respiração. O modelo que me foi entregue para test-drive é branco, com um ligeiro brilho, de estilo desportivo, com uma frente elegante e imponente e uma traseira tão aerodinâmica que transmite a ideia de movimento constante. "Equilíbrio, força, rigidez e um peso eficiente foram as prioridades no novo desenho do Vantage, tal como foi transmitir da pureza e consistência" leio, mais tarde, mãos fora do volante, sobre a renovação do Aston Martin Vantage há dois anos.

Chego ao destino, e espanto-me ao sentir que a adrenalina é rapidamente substituída pela decepção e pelo clássico - mas já acabou? No fim e com um certo alívio, ao recordar os conselhos do meu pai, rio-me sozinha, ainda dentro do carro. "É um carro ‘nervoso’" disse-me. "Tens de aproveitar e sair da zona." Missão cumprida, pensei, se era a zona de conforto a que ele se referia.

*Em Portugal, o Aston Martin Vantage ronda os 200 mil euros.

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