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Quem é Antónia Figueiredo, artista digital residente em Lisboa?

Tem 25 anos mas já trabalhou com Drew Barrimore ou Brooke Shields. Agora, está prestes a inaugurar uma exposição de pintura em Lisboa, inspirada numa peça de Jean-Paul Sartre.

Foto: DR
15 de novembro de 2022 Rita Silva Avelar
Trabalhou com marcas de luxo como a Meta, a Bvlgari, ou a La Mer, assinou a capa do disco mais recente de Alice Caymmi, já fez campanhas para a Barrymore Brands, a marca de Drew Barrimore e também já trabalhou com Brooke Shields. A brasileira Antónia Figueiredo, além de um currículo de louvar, soma mais uma conquista, desta feita em Lisboa: a exposição Entre quatro paredes - inspirada na famosa peça de teatro de Jean-Paul Sartre -, que marca a transição desta artista de 25 anos da arte digital para a pintura. Conversámos com ela para conhecer a sua experiência de viver em Portugal e como é trabalhar da capital portuguesa, já que mora em Lisboa desde 2019 (com um intervalo de um ano, em 2021, quando morou em Estónia), e para perceber o que a inspirou a pintar as 13 pinturas em exibição no Lx Factory.

O que a atraiu para este trabalho do filósofo francês Jean-Paul Sartre? Quando percebeu que esta exposição seria em torno dele, e que era uma resposta a encontrar essa identidade de que fala no seu trabalho?

O trabalho não é exatamente em torno dele. É sobre a peça Entre quatro paredes e o que [ela] me faz pensar. Como ele dizia, não é o que acontece connosco que faz diferença, e sim como lidamos com o que acontece. Sou muito caseira. A casa é fundamental para mim. Quando comecei a pintar as obras para a exposição queria pintar algo que me era familiar, que me desse segurança.

Uma das obras expostas na exposição
Uma das obras expostas na exposição "Entre quatro paredes". Foto: DR
Como é viver em Portugal? O que a inspira neste país?

Absolutamente incrível. Eu sou apaixonada por Portugal. Sempre fui. Acho que existe uma magia no ar de Lisboa que é incomparável com qualquer outro lugar. Mas o que mais me inspira é o ritmo da cidade. Sempre tem algo acontecendo, alguém novo e interessante para conhecer, coisas novas para aprender. É um lugar onde para se sentir inspirado você só precisa abrir os olhos.

Sempre se sentiu na pele de artista?

Na verdade, não. Arte é algo que sempre veio até mim naturalmente, então ando aprendendo a entender que a pele de artista é a minha própria pele, e que não é necessária uma transição, não é uma mudança que vem de um dia para o outro. Para mim está a ser um processo de aceitação e autodescoberta.

Nestes novos tempos, como se pode definir uma artista digital? Como sente que é na sua profissão?

Defino uma artista digital como uma artista. O que muda é só o meio. Sinto que meu trabalho digital é muito mais direto do que o trabalho com pintura. As duas partes se complementam.

Antónia Figueiredo vive em Lisboa e descobriu há apenas 3 anos o talento para a pintura.
Antónia Figueiredo vive em Lisboa e descobriu há apenas 3 anos o talento para a pintura. Foto: DR
Como foi o seu envolvimento profissional com Drew Barrymore? Pode falar-nos desse projeto?

Foi uma oportunidade incrível! Sou muito, muito grata ao Instagram por ter nos juntado. Trabalhamos juntas várias vezes em alguns projetos diferentes. Todos eles campanhas para várias das marcas dentro da sua empresa Barrymore Brands, como sua linha de óculos, cuidados com o cabelo e sua revista. Espero poder manter este relacionamento tão bonito que criamos juntas através da arte por muito tempo.

Qual é o trabalho que a deixa mais orgulhosa e porquê?

Com certeza as minhas pinturas. É uma parte do meu trabalho que mais me deixa realizada. Me sinto tão bem quando pinto, então tenho muito orgulho em poder apresentar isso para o mundo. A pintura, e o processo de pintar me ensinam tanto... Sou muito grata em poder fazer disso a minha vida. Portanto, tenho muito orgulho!

Uma das obras expostas na exposição
Uma das obras expostas na exposição "Entre quatro paredes". Foto: DR
Uma artista está sempre em efervescência? No dia a dia, está sempre a beber inspiração do mundo? De que forma isso se expressa no seu trabalho?

Sim. Com certeza. Eu acredito que é inevitável. Qualquer pessoa que é criativa vai estar em constante efervescência. Acho que inspiração é um verbo ativo, algo que você tem que estar atento, sinónimo de prestar atenção. Então no dia a dia, tento fazer o meu melhor para prestar atenção ao mundo à minha volta e pescar inspiração sempre que possível. Carregar um caderno comigo para todos os lados ajuda muito (ahah). Eu acho que o meu trabalho como um todo é uma expressão disso. Afinal o meu trabalho expressa a minha visão do meu ambiente, do meu mundo.

Referencia-se muitas vezes o seu assinalável currículo com a sua idade. Começou desde cedo a criar?

Sim, e não. A minha família é de artista, então cresci pintando. Mas trabalho com arte profissionalmente desde 2019, então há três anos! Animadíssima para ver o que o futuro vai trazer.
Uma das obras expostas na exposição
Uma das obras expostas na exposição "Entre quatro paredes". Foto: DR
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