Velha não, vintage se faz favor!
Será que a loucura da moda vintage é um sinal de que envelhecer (e tudo o que isso implica para uma mulher) pode finalmente ser visto como algo belo e autêntico em vez de algo a esconder?
Quando dei por ele pela primeira vez não quis acreditar. Tão evidente. Tão torcido, texturizado e impossível de ignorar. Quereria isso dizer que de onde este saíra viriam mais? Cabelos brancos, sim.
Se seguisse as pisadas da minha mãe, tia e de todas as mulheres que conheço, teria que começar a pintar o cabelo. Para disfarçar que estou a envelhecer, entenda-se. Porque não fica bem mostrar, apesar de toda a gente já saber. Como se a passagem dos anos fosse motivo de vergonha. Temos que ser jovens eternamente. Mas não na prática, porque deve ser uma chatice viver para sempre. O objetivo é mesmo só aparentar que os anos são uma coisa que só aumenta teoricamente, porque uma mulher bonita não inclui marcas da passagem do tempo.
O mesmo não se pode dizer de uma carteira ou de um sobretudo bonito. Peças com 30 e 40 anos, ditas vintage, são hoje celebradas como se a idade fosse um troféu. Gostamos da sua autenticidade. A minha mãe tem vestidos no seu armário com mais de 30 anos - motivos de grande orgulho, símbolos de um tempo que já passou. Mesmo com todas as imperfeições que ele - o tempo - não pode perdoar. Fios puxados, um buraquinho de traça aqui e ali, uma ligeira descoloração, um tecido roçado… detalhes que atestam originalidade. Que contam histórias. E nós humanos gostamos de histórias porque é através delas que nos conectamos.
Então porque é que um cabelo branco ou uma ruga são sinais do tempo que nos recusamos a valorizar? Dos quais fugimos como o diabo da cruz. Que em vez de serem motivo de orgulho - a prova de que efetivamente os anos passam por nós e com eles vêm mais histórias para contar - são pequenas mochilas pesadas que carregamos sem vontade?
Segundo o artigo How Gen Z Made Vintage Fashion the Ultimate Status Symbol do famoso site Byrdie, ‘histórias’ são um dos motivos pelos quais o vintage vai de vento em popa. “Até a própria ideia de que uma peça teve uma história antes de a encontrares pode ter um valor sentimental significativo. Sair de casa com uns sapatos dos anos 90, elegantes e bem conservados, é uma oportunidade para te visualizares como uma extensão de quem os usou originalmente - o que alimenta a nostalgia romântica que tanto nos cativa a todos", pode ler-se.
As chamadas peças de arquivo, pertencentes a coleções com mais de 10 anos, têm estado por todo o lado nas passadeiras vermelhas dos últimos anos, com escolhas recuperadas de desfiles de criadores como Mugler, Yves Saint Laurent e Gucci a tornarem-se um acontecimento frequente em galas de entrega de prémios, estreias de cinema e não só. A atriz Zendaya encantou na red carpet da Met Gala 2024 - primeiro com um modelo escultural azul da coleção Dior Spring Summer '99 e, mais tarde, com um toucado floral da coleção Alexander McQueen Spring Summer '06. E não foi a única. Nessa noite, Emma Chamberlain, Kendall Jenner e Nicole Kidman também fizeram o 'antigo tornar-se novo'. O vintage tem valor além da estética. Tem implicações culturais e psicológicas. Confronta-nos com a história e é emocionalmente estimulante. É quase como tangibilizar uma narrativa de poder e provocação - o exato oposto do mainstream.
Curiosamente a força que o vintage tem hoje em dia nem está bem na ideia de copiar o passado e mais na de sobressair no presente. Numa altura em que a inteligência artificial invadiu até a Vinted (um horror) e o mundo está cada vez mais padronizado, a imperfeição que só o tempo pode trazer, simboliza identidade. Queremos textura, queremos erros, queremos alma, queremos sinais de que vida passou ali. Se imaginamos com entusiasmo quantas vidas terá aquele lindo vestido vintage vivido quando olhamos para um fio puxado, talvez possamos usar o mesmo raciocínio para uma ruga ou cabelo branco. Quantas vidas terá esta linda mulher vivido. Tantas e fantásticas quanto os seus cabelos brancos.
Não sei se eu própria estou numa de parar de pintar o cabelo e passar a encarar as minhas brancas como repertório (chique) mas lá que é uma ideia sedutora é. Se a roupa tem licença poética para parecer velha, talvez nós mulheres também tenhamos.
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