A massagem que mudou a forma como vejo o meu corpo
A promessa era simples: perder centímetros através de uma massagem modeladora. Mas, ao longo de três meses de tratamento, o resultado acabou por ir além da mudança estética.
Desde que me lembro, as minhas pernas sempre foram um ponto de autocrítica. Já o disse - e não é fácil dizê-lo. Muitas vezes, quando somos honestas (connosco próprias) sobre as partes do nosso corpo de que menos gostamos, sentimos quase a necessidade de as esconder. Não só fisicamente, mas também nas conversas com os outros. Quando ouvimos uma amiga a falar mal do próprio corpo - seja uma insegurança ou algo que gostaria muito de mudar - a nossa reação imediata é contrariar: dizemos que é louca, que é linda exatamente como é. Mas porque é que não fazemos o mesmo connosco? Ou melhor, porque é que não é mais normal dizer: “sabes, percebo - sinto o mesmo em relação ao meu corpo”?
A verdade é que tendemos a guardar estas inseguranças. Deixamo-las crescer em silêncio, a consumir-nos por dentro. E, no entanto, falar sobre elas pode ser libertador. É saudável reconhecer que não somos perfeitas e que há partes de nós que gostaríamos de mudar. É humano.
Além disso, estes sentimentos parecem ainda mais intensos nos dias de hoje. Vivemos rodeadas de imagens e mensagens que promovem um ideal de corpo magro - das passadeiras vermelhas às redes sociais, passando até pelas pessoas que conhecemos no dia a dia. A pressão existe, mesmo quando não é explícita: para sermos mais magras, mais tonificadas, mais próximas de um padrão que, muitas vezes, nem é real.
As pessoas mais próximas de mim conhecem bem esta minha insegurança. Sempre esteve lá. Por isso, quando uma amiga me disse que tinha perdido centímetros nas pernas apenas com “uma massagem”, pedi-lhe imediatamente o contacto. Confesso: fiquei cética. Como é que uma massagem poderia reduzir o volume das minhas pernas?
A resposta veio com o tempo - e com consistência. Após três meses de massagens modeladoras, realizadas uma vez por semana, os resultados tornaram-se visíveis: perdi três centímetros numa perna e quatro na outra (sim, estavam desalinhadas). Mas, mais do que os números, foi a forma como passei a olhar para o meu corpo que realmente mudou.
Segundo Andreia Loureiro, terapeuta com quem realizei o tratamento, “a massagem modeladora atua no sistema circulatório, estimulando a circulação sanguínea, ajudando a mobilizar a gordura localizada e a melhorar o aspeto da celulite”. Acrescenta ainda que, ao nível físico, “contribui para a eliminação de toxinas, para o aumento do metabolismo e para a redução da retenção de líquidos e do inchaço, ajudando também a modelar o corpo e a melhorar a textura da pele”.
Mas há um detalhe importante que nem sempre é falado: este tipo de tratamentos não atua apenas no corpo - também tem impacto na forma como nos sentimos. Como explica a terapeuta, “o simples facto de estarmos a cuidar de nós mesmos já contribui para aumentar a autoestima e proporcionar uma sensação de relaxamento”, ajudando também a aliviar tensões acumuladas no corpo.
Ainda assim, é importante perceber que nem todas as massagens são iguais - nem servem para os mesmos objetivos. Enquanto a massagem modeladora trabalha camadas mais profundas e utiliza uma pressão mais intensa, a drenagem linfática atua de forma mais suave e lenta, focando-se no sistema linfático e na eliminação de líquidos e toxinas.
De acordo com a fisioterapeuta Pollyana Bomfim Santos, “a drenagem linfática está mais associada à redução do inchaço e à sensação de leveza, enquanto a massagem modeladora atua na melhoria do contorno corporal e da textura da pele”. Ou seja, apesar de ambas utilizarem o toque como base, os efeitos no corpo são distintos - e complementares.
Aliás, em muitos casos, a combinação das duas técnicas pode ser a abordagem mais eficaz. Primeiro, a drenagem linfática ajuda a reduzir o excesso de líquidos e o inchaço; depois, a massagem modeladora atua na definição do contorno corporal e na melhoria do aspeto da pele.
Outro ponto essencial - e que ajuda a gerir expectativas - é que os resultados dependem sempre da consistência e do estilo de vida. Como reforça a mesma especialista, “as massagens não promovem mudanças permanentes por si só”, sendo fundamental associá-las a hábitos como alimentação equilibrada, hidratação e exercício físico. A própria Andreia Loureiro vai no mesmo sentido: a frequência ideal varia de pessoa para pessoa, mas a regularidade é chave para manter resultados.
Mas talvez o efeito mais inesperado tenha sido outro: o impacto na minha autoestima. Pela primeira vez em muito tempo, deixei de olhar para as minhas pernas apenas como algo a corrigir. Passei a vê-las como parte de um corpo que cuido e que também merece reconhecimento. No fim, percebi que esta experiência foi muito mais do que estética. Foi um pequeno passo - inesperado - para uma relação mais gentil comigo mesma.
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