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Como se cria uma tiara icónica?

Pode-se pensar que são os casamentos reais que poem as tiaras na moda, mas estas peças são mais requisitadas do que se pensa. Falámos com a Head of Design da Garrard, casa joalheira com mandato da coroa britânica, para perceber como se fazem as tiaras, quem as usa e porque é que as da realeza são especiais.
Por Carolina Carvalho, 07.09.2019

O que têm em comum o anel de noivado da princesa Diana, a tiara com pérolas que a duquesa de Cambridge tem usado nos últimos eventos de gala e a pregadeira com uma safira azul que o príncipe Alberto ofereceu como presente de casamento à rainha Victoria? São peças de joalharia com tanto valor material como simbólico e sentimental, concebidas pela joalharia Garrard. A casa foi nomeada joalheira oficial da coroa em 1843 pela rainha Victoria e desde então tem mantido a ligação à coroa britânica.

Neste ano dois casamentos reais (príncipe Harry com Meghan Markle e princesa Eugenie com Jack Brooksbank) fizeram com que muito se falasse das joias da família real britânica e, em especial, de tiaras. Falámos com Claire Scott, a Head of Design da Garrard, para perceber o que torna estas joias tão especiais e ficámos a saber que não estão limitadas à realeza.

 

As tiaras têm a sua própria etiqueta. Quem são as pessoas que encomendam uma tiara e em que situações se usam estas joias?

A etiqueta tradicional dita que a primeira ocasião em que uma mulher usa uma tiara é no dia do casamento. Hoje, isto não é seguido de forma tão austera, alguns membros da família real têm visto esta tradição pelos olhos expectantes de algumas princesas, contudo nunca antes do 18º aniversário. Tradicionalmente, as tiaras são passadas de geração em geração numa família, mas alterações e novas aquisições a coleções de família foram sempre feitas. Hoje as noivas também gostam de investir numa nova peça, que reflita o seu estilo e gosto.

 

Como funciona o processo de encomenda de uma tiara?
Uma conversa sobre ideias e inspirações é normalmente o ponto de partida para uma encomenda personalizada. Estes são explorados num desenho à mão. Depois este desenho é transferido para uma secção de desenho, é pintado com guache e aguarela e anotado com pormenores sobre a pedra, tamanho e construção. Podem ser feitos modelos em cera ou prata e podem haver provas. Mesmo que a Garrard não tenha regras restritas a seguir quando se está a criar uma peça personalizada, a equipa de design tem um estilo reconhecido da casa, por isso vão sempre existir motivos reconhecíveis em todas as peças Garrard, seja em peças únicas ou de coleções.

 

E agora em relação à realeza. A Garrard tem uma longa relação com a família real. Qual a importância das tiaras na família real?

A Garrard é a servidora real de joalharia mais longa no mundo, recebemos a nossa primeira encomenda no ano da nossa fundação em 1735, para SAR Frederick, Príncipe de Gales. A Garrard foi nomeada joalheira oficial da coroa em 1843 pela rainha Victoria e tem servido todos os seguintes monarcas desde então, criando muitas belas peças que ainda continuam na coleção real hoje, incluindo tiaras.

 

Pode contar-nos a história de duas tiaras criadas pela Garrard?

A Tiara Lovers Knot: Talvez uma das mais icónicas seja a tiara Lover’s Knot, que provou ser popular entre as gerações seguintes da família real. Era uma das peças preferidas da princesa Diana e tem sido usada recentemente pela Duquesa de Cambridge. Não há início nem fim para a linha de diamantes que se enrola à volta da tiara, desenhada em 1913. Foi criada uma série de nós em forma de coração, que evoca a força a e consistência do amor. As pérolas barrocas penduradas em cada nó, de formas e tamanhos diferentes reforçam quanto esta peça é única. Desta inspiração veio Entanglement, uma colecção Garrard tão simbólica e intemporal como os diamantes que a compõem.

Já a Tiara das Raparigas da Grã-Bretanha e da Irlanda, outra criação Garrard feita para um casamento real, está entre as joias preferidas de Sua Majestade. Conhecida como a Tiara das Raparigas da Grã-Bretanha e da Irlanda, as grinaldas e remoinhos de diamantes brancos alcançam contam com 13 brilhantes. A tiara foi comprada com doações de mulheres de todo o país e dada à futura rainha Mary no seu casamento em 1893. Ela descreveu-a como um dos seus presentes com mais valor. Anos mais tarde a Rainha Mary passou a tiara à neta, Isabel II, por ocasião do casamento desta em 1947.

 

É verdade que a Garrard teve um aumento de encomendas de tiaras recentemente? Porque é que isso acontece?

A Garrard sempre teve um fluxo constante, tanto de encomendas de tiaras como da nova coleção Princess Tiara. Contudo houve um interesse acrescido no seguimento do casamento real em maio deste ano para o qual a Duquesa de Sussex usou a tiara da coleção privada da rainha que foi originalmente criada para a rainha Mary em 1925 durante o período em que a Garrard teve o mandato de Crown Jeweller.

 

A Garrard tem uma nova coleção de tiaras. Qual a sua história?

A coleção Princess Tiara foi feita antes do casamento real porque as noivas querem uma alternativa para uma peça encomendada. Tal como um vestido só é escolhido quando é visto e experimentado, o mesmo se aplica a uma tiara. Esta coleção inclui um conjunto de três designs repetíveis, com diferenças em peso e estilo, oferecendo escolha e variedade. Todas estão disponíveis para experimentar numa visita à casa, com oportunidade de trazer um convidado que possa ajudar com esta importante decisão. Mesmo quando usada num casamento uma tiara Princess continua usável, graças a uma peça central removível. Este pendente pode ser usado em dias que não peçam tanta formalidade. Mais do que isso, pode ser usada como lembrança pessoal desse dia especial, e como mensagem privada de amor, já que só o casal sabe o significado.

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