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Christie's vai leiloar as controversas pulseiras de diamantes de Maria Antonieta

Um conjunto de pulseiras de diamantes que pertenceram à rainha consorte da França e Navarra vai a leilão. Estas três pulseiras simbolizam, também, a decadência de uma rainha que foi sempre apelidada por ser esbanjadora, e cuja história se entrelaça com a da revolução francesa.

Foto: Getty Images
10 de setembro de 2021 | Rita Silva Avelar

Um conjunto de pulseiras de diamantes pertencentes à última rainha da França, será o destaque e o lote de abertura do leilão "Joias Magníficas" organizado pela Christie's no próximo 9 de novembro em Genebra.

Totalizando 112 pedras lapidadas, incrustadas em ouro e prata, estima-se que as pulseiras pesem entre 140 e 170 quilates, avança a WWD. Ainda na sua caixa original, que traz etiquetas manuscritas e referências de inventário dos descendentes da rainha, estas joias são objetos raríssimos, e muito cobiçados, embora tenham sido um marco decadente na história da rainha.

 Christie's vai leiloar pulseiras de diamantes de Maria Antonieta
Christie's vai leiloar pulseiras de diamantes de Maria Antonieta Foto: Getty Images

Falamos do famoso "Caso do Colar de Diamantes", um escândalo que contribuiu para a Revolução Francesa e a queda de sua monarquia ao dar mais força à sua já danificada reputação de rainha extravagante e esbanjadora (que efetivamente o foi). Embora o seu gosto por joias esteja bem documentado, poucas peças sobreviveram ao longo do tempo, o que faz com que este momento seja ainda mais emocionante, afirmou Marie-Cécile Cisamolo, especialista em joias da Christie's, citada pela WWD. 

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"A questão de um milhão de dólares é: quantas joias de Maria Antonieta [ainda] existem? (...) Essas pulseiras são muito raras pelo facto de a sua procedência poder ser rastreada até ao inventário" Só graças aos registos históricos e inventários de familiares, incluindo uma fotografia de 1907, esse rastreio foi possível.

Maria Antonieta.
Maria Antonieta. Foto: Getty Images

Compradas em 1776 aos joalheiros da corte parisiense Boehmer et Bassenge por 250.000 libras, e pagas em pedras preciosas com fundos recebidos por Luís XVI (conforme atestado nos documentos pessoais do rei) as pulseiras foram enviadas para o cofre de um ex-embaixador do Império Austríaco, país de nascimento de Maria Antonieta. Mais tarde, haveriam de surgir num inventário feito por um sobrinho da rainha, o imperador Francisco II da Áustria, após a execução da rainha em 1793.

Sabe-se que passaram pelas mãos de Madame Royale, a filha sobrevivente de Marie-Antoinette, Marie-Thérèse Charlotte da França, que as usou num retrato em 1816. Após a sua morte, em 1851, as pulseiras foram passadas para as suas sobrinhas e sobrinhos, e por fim para a família do Duque de Parma.

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Estima-se que as pulseiras alcancem entre entre os 2 milhões e os 4 milhões de dólares, mas os objetos anteriores pertencentes à última rainha da França tendem ser vendidos por preços exorbitantes. Uma pérola leiloada em novembro de 2018 na Sotheby's atingiu 36 milhões de dólares, de uma estimativa de 2 milhões, enquanto um sapato foi vendido por 43.750 euros, mais de quatro vezes a estimativa inicial.

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