Tendências

10 tendências para o outono

O verão ainda está no seu auge, mas uma das características do mundo da moda é estar um passo à frente, inclusive no que diz respeito às estações. Além disso, todas as oportunidades são boas para criar tendências e vender criações. Resumindo: está na altura de olhar e analisar as coleções Pre-Fall.
Por Carolina Carvalho e Marina Sousa, 02.08.2018

A tradução de Pre-Fall seria algo como pré-outono, mas não nos assustemos! Antes de antecipar o cair das folhas, há que pensar como vão cair no corpo os vestidos de verão. Dantes havia a meia-estação e nos dias de hoje existe o Pre-Fall. Para ocupar o vazio criativo (e comercial) nos momentos de transição de estação foram criadas as pré-coleções: as Resort ou Cruise antecedem o verão e as Pre-Fall antecedem o inverno. Estas últimas são apresentadas à imprensa e aos compradores entre novembro e janeiro e chegam às lojas logo no início do verão. As coleções Pre-Fall não são um exclusivo das grandes casas de moda, pelo contrário. O que se passa é que, na maioria das marcas, ainda não são apresentadas como os vistosos desfiles Resort. Porém, a relevância das coleções Pre-Fall é cada vez maior no calendário da indústria da moda, talvez porque têm características mais comerciais e funcionem não só como uma transição mas também como um teste para as marcas saberem o que pode resultar ou não no outono/inverno. Preparada para espreitar a próxima estação fria?

Quanto mais curtas, melhor

É oficial: a minissaia vai ser tendência! Na verdade, esta peça é de tal forma icónica que nunca chegou a ser um item proibido em nenhuma estação. Mas este ano as minissaias ditam as tendências e os meses vão passando e as bainhas vão subindo. Quando o inverno chegar, as pernas "mascaradas" com meias vão dividir protagonismo com minissaias que assumem as mais variadas inspirações: das glamourosas propostas de Gucci, que parecem ter saltado de um baú, às saias rodadas e em pele de Miu Miu que recuperam um espírito rock feminino, ao sabor da década de 1980, ou, ainda, como sugere Chanel, no seu clássico tweed e com inspiração dos anos 1960, naquele que é, afinal, um sentimental regresso da minissaia às suas origens.

Reinventar um clássico

Se no inverno o casaco é o protagonista do look, antes do frio chegar em força, talvez o trench coat possa assumir parte desse papel. Na maioria das propostas Pre-Fall mantém-se a forma, mas muda o conteúdo. Isto é, as linhas retas, os botões ao centro e o cinto a marcar a cintura é a fórmula vencedora, mas esqueça as peças lisas em diferentes tonalidades de bege. Embora existam propostas clássicas, o destaque vai para novos materiais (réptil em Valentino ou transparente em Diane Von Furstenberg), texturas (bordados em Erdem ou riscas animais em Roberto Cavali) e cores especiais (amarelo em Versace ou rosa-pastel em Giambattista Valli).

O "milagre" da multiplicação

Contra estes fatos não há argumentos: é essencial haver um em cada guarda-roupa. Independentemente do fato fazer parte do dress code profissional no dia a dia, este conjunto é um básico que se deve ter para qualquer ocasião. Nem vale a pena pensar em tons escuros com risca de giz, pois as calças e os casacos unem-se para abraçar as tendências do momento. Cores sóbrias em tons profundos trocam de lugar com linhas amplas, padrões coloridos e cores arrojadas. A feminilidade clássica de um fato Carolina Herrera (na imagem) contrasta com a inspiração desportiva de uma proposta Hermès ou com um espinhado metalizado de Christian Dior.

Animais à solta

As coleções Pre-Fall vão experimentar uma nova abordagem à inspiração animal: a linguagem de texturas é substituída pelos próprios bichos. Estampadas, bordadas ou tricotadas, as peças de roupa vão olhar para nós quando chegar a hora de escolher o que vestir. As gaivotas de Oscar de la Renta, os leões de Stella McCartney, os cães de Gucci ou os tigres de Givenchy e Valentino vão tentar conquistar o público. Serão uma aposta ganha?

Brilhar sem parar!

Outra das tendências Pre-Fall é o brilho, mais especificamente através das composições de lantejoulas, que, apesar de vistosas, se demarcam da estética disco. Vestidos e saias com silhuetas simples cobrem-se de brilho, como se tentassem absorver a luz do verão para a refletir nos primeiros dias de inverno. As lantejoulas já não estão reservadas para a noite ou para as situações festivas. Multiplicam-se em cores e transformam-se em padrões para criar peças únicas prontas e adequadas a usar em qualquer momento. Assim o provam as delicadas e celestiais criações de Maria Grazia Chiuri para Dior, de Preen by Thornton Bregazzi, Pucci e Gucci.

Apertar os cintos

A anatomia não dá, literalmente, muito espaço de manobra aos criadores que embarcaram na tendência das cinturas bem definidas. Seja com vestidos, saias, calças ou até sobretudos, a cintura vai usar-se apertada e o resto fica ao critério criativo das marcas. Enquanto os cintos em pelo de Missoni chamam o frio, os elaborados cintos com anca de Elie Saab convidam a um look algo elaborado. Há sempre lugar para os clássicos: os cintos de Erdem, em forma oval, ajudam a manter a barriga no seu lugar e os de Miu Mi, em forma de fita, permitem rematar com um elegante laço.

Tudo a condizer?

Usar a roupa a condizer é uma coisa do antigamente? Agora não. Uma das tendências do momento são os matching sets. Isto é, conjuntos de casaco com saia ou calças com padrões elaborados para usar em look total. Algumas marcas servem-nos esta tendência em pares, para não restarem dúvidas que não deverá haver misturas: cada look com o seu padrão. Seja em Miu Miu com conjuntos de xadrez em diferentes jogos de cor ou em Versace com conjuntos totais que incluem vestido, lenço de cabeça, botas e carteira, tudo no mesmo padrão (como na capa deste número). Há uma vantagem óbvia nesta tendência: facilita muito a escolha da indumentária pela manhã.

Amplo ou justo?

Não há estação que não nos pregue uma partida com um jogo de contrastes e aqui fica o deste Pre-Fall: os vestidos amplos e os vestidos justos. Mas a questão é um pouco mais elaborada. Os vestidos amplos nunca perdem a elegância. Depois de decotes e de mangas ajustadas e proporcionais, surgem saias longas que ganham vida própria com o movimento. As poéticas criações que Stella McCartney, Chanel ou Giambattista Valli apresentam segundo esta fórmula são bons exemplos. Os vestidos justos, por seu lado, têm as bainhas mais subidas e criam efeitos franzidos ou drapeados, como se envolvessem o corpo. Assim comprova a dupla Preen by Thornton Bregazzi (na imagem).

Pelo, sim

Desde que, há alguns anos, Miuccia Prada incluiu acessórios em pelo na sua coleção de verão e disse que era chique usá-lo nesta estação, passou a ser oficialmente permitido usar esta textura em qualquer altura do ano. Neste Pre-Fall, a tendência convida a usar casaco de pelo e há propostas bem diversificadas nesse sentido. Há as cascatas de pelo de uma só cor que envolvem o corpo, como propõe Philosophy e Gucci, há os divertidos jogos de cor como apresentaram Missoni, Givenchy e Fendi e, por fim, os padrões animal, como também fizeram algumas das referidas marcas e ainda Stella McCartney.

As calças em força

Reminiscências da década de 1990 ou reação aos movimentos de libertação feminina, as calças cargo arriscam-se a ser uma das peças fortes das próximas estações. Esta peça/tendência foi trabalhada por vários criadores e, por isso, não ficou limitada à sarja em tons caqui. Versus Versace criou um modelo capri em roxo, Stella McCartney apostou na ganga em formato oversize, Altuzarra seguiu uma linha mais refinada e Chloé e Dsquared² mantiveram-se fiéis ao modelo clássico. Que desafios nos trará o próximo inverno para precisarmos de cargo pants?

 

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