Espera… o que é isto? Um dos 20 momentos mais inesperados das Fashion Weeks 2026
Se esteve demasiado ocupado para acompanhar as semandas de moda, este é o guia de sobrevivência para uma fashionista em apuros.
Há padrões que pertencem a um momento específico da história da moda e outros que parecem regressar ciclicamente, sempre com novas leituras. O Paisley pertence claramente à segunda categoria. Nos últimos meses, o motivo voltou a surgir com força - nas passerelles, no street style e nas redes sociais - muitas vezes através de uma peça simples mas altamente simbólica: a bandana.
Este pequeno quadrado de tecido tornou-se novamente um elemento central na construção de looks contemporâneos. Amarrado na cabeça, usado como top improvisado, preso à mala ou ao pescoço, o acessório ressurgiu como uma forma subtil de adicionar textura, história e atitude a um visual. No centro desta tendência está o padrão que o define: uma forma curva, orgânica e decorativa que atravessou séculos e culturas até chegar à moda atual.
A história do Paisley começa muito antes de qualquer bandana. O motivo tem origem no antigo padrão boteh, utilizado na Pérsia e na região da Caxemira há vários séculos. A forma, semelhante a uma gota ou a uma folha estilizada, estava frequentemente associada a ideias de fertilidade, crescimento ou espiritualidade. Estes desenhos eram tecidos em luxuosos xailes de caxemira que circulavam nas rotas comerciais entre o Oriente e a Europa durante os séculos XVII e XVIII.
Quando estes xailes chegaram ao continente europeu tornaram-se extremamente desejados. No século XIX, a procura era tão grande que a indústria têxtil britânica começou a reproduzir o padrão em larga escala. Foi na cidade escocesa de Paisley que várias fábricas se especializaram na produção, acabando por dar nome ao motivo que hoje reconhecemos instantaneamente. A partir desse momento, o padrão deixou de ser um símbolo de luxo exótico e passou a integrar o imaginário visual ocidental.
Mas foi no século XX que o Paisley adquiriu uma dimensão verdadeiramente cultural. Nos anos 60, o padrão foi redescoberto pela estética psicadélica e pela contracultura. As formas fluidas e repetitivas encaixavam perfeitamente no espírito experimental da época. Um dos momentos mais emblemáticos desta transformação aconteceu quando The Beatles, durante a fase psicadélica, começaram a usar roupas com padrões Paisley e a incorporar esta estética na identidade visual.
Ao mesmo tempo, designers e marcas começaram a explorar o padrão nas coleções. Um dos nomes mais associados ao Paisley na moda é Etro, que desde os anos 80 construiu grande parte da identidade estética em torno deste motivo. A marca italiana elevou o padrão a um elemento de luxo contemporâneo, utilizando-o em tecidos sofisticados, alfaiataria e acessórios.
Enquanto isso, a bandana seguia um percurso paralelo. Originalmente utilizada por trabalhadores rurais, cowboys e operários como proteção contra o sol ou o pó, a bandana ganhou rapidamente um significado cultural próprio. Nos Estados Unidos, o padrão Paisley tornou-se o desenho mais comum nestes lenços, sobretudo nas versões vermelhas ou azuis que hoje fazem parte do imaginário coletivo.
Ao longo do século XX, a bandana foi sendo apropriada por diferentes subculturas - do rock ao hip-hop, do skate ao streetwear - adquirindo novos significados em cada contexto. Esta capacidade de adaptação ajudou a consolidar a peça como um símbolo visual poderoso, simultaneamente utilitário e expressivo.
O ressurgimento atual da bandana Paisley encaixa perfeitamente na lógica da moda contemporânea, onde o passado é constantemente reinterpretado. A nostalgia pelos anos 90 e pelos anos 2000, aliada ao interesse crescente por acessórios versáteis e identitários, trouxe o lenço novamente para o centro da estética urbana.
Hoje, o Paisley aparece em múltiplas escalas e contextos: em vestidos fluidos, camisas, carteiras, conjuntos coordenados e, claro, nas bandanas que continuam a circular entre o street style e a moda de luxo. O padrão mantém uma característica rara - consegue ser simultaneamente clássico e irreverente. Dependendo da forma como é usado, pode evocar tradição, rebeldia ou sofisticação.
Talvez seja precisamente essa ambiguidade que explica a sua longevidade. O Paisley nunca desaparece completamente da moda; apenas se transforma, aguardando o momento certo para regressar.