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Celebridades

Dua Lipa casou-se de fato saia e casaco, mas não foi a primeira noiva cool a fazê-lo

Com Schiaparelli, a cantora entrou para a linhagem das noivas que trocaram o vestido tradicional, como foi o caso de Bianca Jagger ou Amal Clooney.

Dua Lipa e Callum Turner
Dua Lipa e Callum Turner Foto: Getty Images
01 de junho de 2026 às 15:33 Safiya Ayoob

Há qualquer coisa em Dua Lipa que parece acontecer sempre no tom certo. As férias infinitas, os looks de palco que vivem algures entre a pop star e a musa de arquivo, o clube de leitura da Service95, a forma como transforma cada aparição numa pequena declaração estética. Dua é, há muito, a cool girl das cool girls. A girl crush das girl crushes. Por isso, quando começou a namorar com o Callum Turner, em 2024, e mais tarde confirmou o noivado, em junho de 2025, a ideia dos dois juntos pareceu fazer sentido quase de imediato. Pelo menos esteticamente, eram perfeitos: altos, bonitos, discretamente elegantes e com aquele ar de quem lê bons livros em sítios com pouca luz. Mas o detalhe que transformou tudo numa história quase demasiado boa para ser real foi mesmo o meet-cute literário.

Turner contou ao The Sunday Times que os dois se conheceram antes da festa de aniversário de um amigo em comum, em Los Angeles, e perceberam que estavam a ler exatamente o mesmo livro: Trust, de Hernán Díaz. Ele tinha acabado o primeiro capítulo. Ela também. E então veio a frase: "So we’re on the same page" [estamos na mesma página]. Dua, por sua vez, disse à British Vogue que os dois tinham acumulado anos de quase-encontros, daqueles momentos à Sliding Doors em que a vida parece estar a ensaiar uma coisa antes de a deixar finalmente acontecer. Quando lhe perguntaram se o livro partilhado lhe pareceu um sinal, respondeu apenas: "1000%".

Com uma história destas, não surpreende que o look escolhido para o casamento civil fosse tão cool quanto ela. Dua e Callum casaram-se numa cerimónia íntima em Old Marylebone Town Hall, em Londres, ontem, 31 de maio. À saída, entre confettis e aquele tipo de imagem que já nasce pronta para entrar nos arquivos de moda, a cantora surgiu em Schiaparelli criado por Daniel Roseberry: um blazer marfim de cintura marcada, de construção precisa, com botões dourados personalizados, combinado com uma saia assimétrica e um bustier escultural branco. Usou ainda luvas brancas, sapatos Christian Louboutin com detalhe lion-eye, um colar serpente da Bulgari e um chapéu de abas largas assinado por Stephen Jones.

Uma noiva de duas peças. E, sinceramente, incrível. Mas é impossível olhar para este momento sem pensar noutra noiva cool, talvez a original: Bianca Jagger. Quase 55 anos antes, Bianca - então Bianca Pérez-Mora Macías - casou-se com Mick Jagger em Saint-Tropez, a 12 de maio de 1971, usando Yves Saint Laurent. O look tornou-se mítico: um casaco Le Smoking em marfim, usado sem blusa, apenas com um botão fechado, combinado com uma saia comprida em viés, um chapéu de abas largas com véu e sapatos de salto bloco.

Na altura, o Le Smoking ainda era relativamente recente - tinha sido apresentado por Yves Saint Laurent poucos anos antes - e continuava a carregar uma certa dose de provocação, como conta a Elle australiana. Um tuxedo para mulher, num mundo que ainda gostava de decidir o que era ou não apropriado para uma mulher vestir, era mais do que roupa: era uma pequena revolução. Em Bianca, essa revolução tornou-se bridal. O resultado foi um dos looks de noiva mais referenciados de sempre: elegante, sensual, masculino e feminino ao mesmo tempo, profundamente simples e absolutamente inesquecível.

Dua Lipa e Callum Turner
Mick Jagger e Bianca Jagger, à saída da Câmara Municipal de Saint-Tropez no dia do casamento Foto: Getty Images

Desde então, muitas noivas têm procurado esse mesmo território: fugir ao vestido tradicional sem abdicar da sofisticação. A ideia não é rejeitar o casamento de princesa por completo, mas reescrevê-lo. Trocar tule por alfaiataria. Trocar o volume óbvio por linhas limpas. Trocar o esperado por algo que diga: "sim, sou noiva, mas sou noiva à minha maneira". Solange Knowles fez isso em 2014, no casamento com Alan Ferguson, quando chegou à cerimónia em Nova Orleães de bicicleta, vestida com um jumpsuit off-white e capa de Stéphane Rolland. Havia drama, claro, mas era um drama moderno, gráfico, quase arquitetónico. Mais tarde, mudaria para outros looks igualmente memoráveis, mas aquele momento - a bicicleta branca, a capa, o batom vermelho - ficou como uma imagem perfeita de uma noiva que não estava interessada em cumprir fórmulas.

Dua Lipa e Callum Turner
Solange Knowles e Alan Ferguson Foto: Getty Images

Amal Clooney também entrou para este panteão quando, no casamento civil com George Clooney em Veneza, escolheu um conjunto Stella McCartney: um fato branco de linhas impecáveis, com detalhe em preto e um chapéu oversized. Era clássico, mas nunca aborrecido. E depois há Emily Ratajkowski, que levou a ideia para um registo completamente diferente quando casou, em 2018, numa cerimónia civil em Nova Iorque, usando um fato mostarda da Zara e um chapéu preto com véu. Não era branco, não era couture, não era tradicional - e talvez fosse exatamente esse o ponto. A escolha provou que o look de noiva alternativo não precisa de pertencer apenas ao universo da alta-costura. Pode ser espontâneo, urbano, inesperado e, ainda assim, altamente memorável.

Dua Lipa e Callum Turner
George e Amal Clooney em Veneza Foto: Getty Images

Todas estas noivas têm algo em comum: perceberam que a alfaiataria pode ser tão romântica como a renda. Que um fato pode ter tanto impacto como um vestido de cauda. Que a elegância, às vezes, está precisamente na recusa de explicar demasiado. Dua Lipa entra agora nessa linhagem com uma naturalidade quase irritante. O seu Schiaparelli não tenta copiar Bianca Jagger, mas conversa com ela. Há o chapéu, há o branco, há a tensão entre noiva clássica e mulher moderna, há aquela ideia de que um look de casamento pode ser simultaneamente formal e ligeiramente rebelde. Como há também algo muito Dua: o toque surrealista da joalharia, o brilho controlado, a teatralidade medida, a certeza de que cada detalhe foi pensado sem parecer demasiado pensado.

Quanto ao que vem a seguir, fala-se de uma celebração em Itália -  maior, mais longa, mais cinematográfica, talvez mais próxima da fantasia de casamento que o civil londrino decidiu contornar. Se acontecer, é provável que venha com sol mediterrânico, vestidos impossíveis, convidados muito bem vestidos e pelo menos uma imagem destinada a viver durante anos nos moodboards de noivas cool. Mas depois deste primeiro momento, uma coisa já sabemos: seja num town hall em Londres ou numa festa em Itália, Dua Lipa vai fazer o que sempre fez melhor. Vai ser cool. Vai ser elegante. E vai parecer completamente ela.

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