Divas

Ana Moura: "Assusta-me a ideia de ser tudo previsível ou definitivo"

Com um novo disco a caminho, Ana Moura vai-se reinventando fora da sua zona de conforto. A coleção de joias recentemente apresentada em nome próprio é mais um exemplo dos talentos escondidos da mulher sem medo de arriscar ou de revelar a sua vulnerabilidade. Recebeu-nos em casa. Não cantou, mas o fado esteve lá o tempo todo.
Por Rita Lúcio Martins, 17.12.2019

Na varanda que fica por cima da porta está uma bela buganvília com duas hastes compridas que se estendem na horizontal, como se fossem dois braços num gesto de boas-vindas. Ana Moura chama-me a atenção: "Não está bonita? Há anos que queria ter uma, mas os jardineiros diziam-me que era impossível porque as buganvílias não se iriam dar bem aqui!" Aquela planta é mais um símbolo da determinação da mulher aparentemente frágil, mas que detesta receber um não como resposta. Recebe-me em casa, na manhã que antecede mais um espetáculo. Algumas horas mais tarde, pegaria na mala e, conduzida pelo motorista, viajaria até ao norte do país para outro concerto arrebatador. É o que confirmo, no dia seguinte, ao ver e ao ler as reações do seu público nas páginas das redes sociais. Viajou sozinha, no banco de trás, em silêncio. E depois dos testes de som e dos últimos ensaios com a banda, rumou ao camarim, onde se maquilhou a si mesma, com calma. Explica que gosta desse ritual, desses momentos só dela, dispensando os luxos que facilmente se adaptariam à sua dimensão de diva, no sentido mais elogioso da palavra.

Apesar das parcerias com nomes galáticos como os The Rolling Stones ou da amizade com Prince, a menina de Coruche não perdeu a doçura ou a cordialidade. No início parece algo distante, mas à medida que a conversa avança é como se todas as barreiras se fossem dissipando, até ficar apenas ela. Uma mulher de 40 anos que sabe bem quem é. E não pede desculpa por isso. Sentamo-nos na sala, junto à mesa feita com as portas que vieram do estúdio onde gravou nos Estados Unidos e que, depois de uma remodelação, lhe foram oferecidas. Ana Moura tratou de as cuidar e de as reinventar numa dedicação quase palpável. Como faz com tudo. Os gatos supervisionam a conversa e os pássaros cantam no jardim. Parece idílico, mas é só a descrição de uma sexta-feira de sol numa sala cheia de mundo.

Fomos recentemente surpreendidos com uma nova faceta sua. Como é que surgiu a oportunidade de lançar uma linha de joias?

Quando eu fui cantar no final da Eurovisão, mandei fazer umas joias em Viana do Castelo. Não fui eu que as desenhei, mas foram idealizadas por mim. Eu já tinha partilhado com o meu manager essa vontade de fazer uma coleção de joias. De repente, a Portugal Jewels propõe-me o desafio de dar a cara a uma coleção. Disse-lhes que eu aceitava desde que me deixassem desenhá-las. E eles arriscaram. Eu sabia que queria inspirar-me na joalharia tradicional portuguesa, mas, confesso, não sabia de que forma. Entretanto comecei a desenhar, a pesquisar e a fazer sobreposições de peças. A própria marca disse-me que até para eles foi um desafio e acabaram por recorrer a artesãos com quem normalmente não trabalham porque me baseei na joalharia tradicional. E fui buscar elementos que, para mim, têm uma simbologia importante, como a cobra ou as pombas…

E que significados escondidos são esses?

Eu sempre usei cobras que, sobretudo em joalharia, são quase um amuleto. Aliás, o símbolo da medicina são duas cobras numa haste em representação da cura. Para mim, a mudança de pele na cobra é um símbolo de regeneração. As diferentes fases que passei na minha vida estão relacionadas com isso, com essa vontade de me reinventar. A maleabilidade da cobra e a sua sensibilidade… Identifico-me com elas. Eu sou uma pessoa que facilmente se adapta às adversidades da vida. É uma característica que me define bastante. Já as pombas têm a ver com um lado ainda mais pessoal porque sempre foram um sinal de que estava a ser protegida. Sempre que eu ia atuar a um lugar onde me sentia mais nervosa, lá encontrava uma pena branca de pomba e isso reconfortava-me. Depois, é um símbolo que tem que ver com o Prince, que também adorava pombas (daí a música When Doves Cry). Quando ele me convidou para visitar o Paisley Park, o seu estúdio-casa, cheguei sozinha, muito nervosa. Subi pelo elevador e quando saí [o Prince] estava numa cama de penas brancas no chão. Isto porque ele tinha as suas pombas brancas no primeiro andar e as penas iam caindo. Quis agarrar aquele momento.

É uma pessoa mística?

Não considero que o seja, mas a determinada altura alguém me disse que eu viria a acreditar nesse meu lado mais espiritual. E aconteceram algumas coisas que me fizeram ser menos cética. Eu quis acreditar. No fundo, acho que eu sempre fui uma pessoa disponível e curiosa.

Em setembro fez 40 anos. Por um lado é um número redondo e eventualmente marcante e por outro lado a idade é sempre uma questão que se coloca às mulheres e nunca aos homens… Qual é a sua sensibilidade em relação a este assunto?

A verdade é que, até fevereiro deste ano, eu nunca pensei na idade. Faço sempre grandes festas de aniversário e nunca dei grande importância ao número em si. Sinto-me na melhor fase da minha vida, conquistei coisas a todos os níveis e, ao mesmo tempo, ainda me sinto uma miúda. Por fora e por dentro. A verdade é que, nos últimos meses, quando comecei a aproximar-me dos 40, comecei a pensar: "Será que a partir daqui é sempre a descer?" Comecei a ficar triste, confesso. Mas eu tenho imensos projetos. As joias são um deles, tenho o novo disco e um terceiro projeto numa área diferente, sob o qual ainda não posso adiantar muito. Por isso, a idade também me foi dando força para experimentar outras coisas. Eu sempre fui uma pessoa que não tem medo de arriscar e, agora, sinto-me ainda mais confiante para o fazer.

Essa constante reinvenção é fundamental para a vitalidade de um artista? 

Eu sinto muito nos artistas a necessidade de se dedicarem a outras áreas. Normalmente têm talentos escondidos. Por exemplo, o Prince tinha imenso jeito para jogar pinge-pongue. Era uma coisa incrível. Ele ganhava a toda a gente. E basquetebol, também. Os artistas, em geral, são muito criativos. Eu, por exemplo, gosto de desenhar, de criar, de inventar. Acho que o artista adora criar, acima de tudo.

É nesse círculo que se movimenta com maior naturalidade?

Eu tenho amigos muito distintos uns dos outros e as minhas festas são exemplo disso. Juntam pessoas de várias áreas, idades e quadrantes políticos. Eu creio que tem a ver com essa minha característica de me adaptar, de me disponibilizar, de me apaixonar pelas pessoas.  

Ainda assim, a imagem que a Ana Moura faz passar é sempre a de uma certa reserva…

É verdade. Eu costumo dizer que sou uma pessoa sociável, mas não social. Adoro festas, adoro conviver, mas sou muito reservada, não gosto de me expor, nem que gosto que me exponham, mas adoro conhecer pessoas e poder trocar coisas com elas. Não me sei dar a "meio gás". Por isso é que eu não gosto particularmente do "social" porque nem tenho muito jeito para conversas de circunstância. A banalidade não me atrai, minimamente… Eu prefiro conversas mais profundas e desse ponto de vista acabo por me expor porque falo das coisas que eu sinto.

E gosta de ouvir conselhos? A sua mãe teve uma grande influência na sua educação estética…

A minha mãe adora joalharia, tal como a minha avó adorava. Eu cresci a olhar para elas, sempre cheias de joias. Fazíamos almoços de domingo em casa e mesmo quando sabíamos, antecipadamente, que não iríamos sair, a minha mãe estava sempre maquilhada e com as joias postas. Ela sempre gostou de personalizar as suas peças e eu adorava esse processo. Eu comecei a fazer o mesmo na minha adolescência. Por isso, sim, todo o meu sentido estético e do belo teve a influência da minha mãe. Lembro-me, por exemplo, que as nossas casas estavam sempre muito bem decoradas…

Nota-se que a sua casa também tem o seu toque em cada recanto…

Gosto que as coisas tenham história. Tem tudo uma razão de ser, até as colunas [de som] que tenho no meio da sala e nas quais a minha mãe repara sempre que vem cá a casa. Elas estão aqui porque, às vezes, eu gravo em casa com os meus músicos. Gosto muito da tranquilidade desta casa, adoro ir para o jardim com os meus gatos, gosto de estar na horta a mexer na terra, ainda que perceba pouco disso... Também gosto desta luz e da acústica que só descobri mais tarde. Adorava gravar um disco aqui!

No entanto, boa parte da sua vida é passada na estrada. Corresponde àquela ideia romântica que as pessoas têm da vida de artista?

Há pontos românticos nas viagens, claro, e eu tento valorizá-los, mas também têm o seu lado mais pesado. Implicam estar sempre a fazer malas, horários diferentes, ausência de rotinas… O que nem sempre é fácil para alguém que gosta de equilíbrio e de ter algum controlo sobre a vida. Eu não consigo dormir as oito horas de que preciso e como às vezes tenho de beneficiar o sono em detrimento da comida, acabo por saltar refeições e perco peso com facilidade. Mas tento sempre tirar partido da viagem e conhecer o destino, seja através da gastronomia ou do próprio público.    

E como é ser uma mulher entre homens?

Eu gostava de ter mais mulheres na equipa, mas a verdade é que fui eu que escolhi este conjunto e cada um dos meus músicos pelo imenso talento que têm nas suas áreas. Eu posso dizer que sou muito acarinhada e que temos uma relação muito bonita porque há respeito, mas ao mesmo tempo há amizade. Gosto de lhes dizer aquilo que eu quero, mas dou-lhes sempre liberdade para trazerem os seus próprios arranjos às músicas. Estou disponível, ainda que a última palavra seja minha.

Essa posição de liderança teve de ser conquistada?

Fui trabalhá-la, sim. No início da minha carreira eu trabalhava sobretudo com pessoas mais velhas e era-me difícil dizer-lhes que não gostava de determinadas coisas. Agora quase todos os meus músicos são mais novos do que eu ou são da minha idade e foi-me sendo natural exercer essa posição. Mas há respeito mútuo e isso é o mais importante.

Falando de personalidade… Como é que se lembra de si própria em criança?

É curioso… Eu tenho a lembrança de ser uma criança muito extrovertida e, recentemente, encontrei uma amiga de infância que me disse que eu era muito tímida. A verdade é que eu não me lembro de mim desse modo. Eu tenho uma família enorme. A minha avó teve oito filhos e perfilhou quatro filhos do anterior casamento do meu avô e adotou mais uma filha. Lembro-me de ser a prima que cantava e que dançava para toda a família. Na fase da escola primária, eu adorava os recreios. Lembro-me que me deitava num tronco de uma árvore a imitar a personagem da viúva Porcina [interpretada por Regina Duarte na telenovela Roque Santeiro]. Eu acho que sempre tive esse lado performativo. Conquistava os papéis principais nas peças de teatro da escola. Já na adolescência tornei-me mais tímida e introvertida.

Foi uma adolescência difícil?

Quando me mudei com a minha família de Coruche para Carcavelos, tive alguma dificuldade em adaptar-me. É uma idade em que as mudanças podem ser difíceis e quando cheguei as pessoas já tinham os seus grupos de amigos. Tive alguns momentos em que me senti muito sozinha, sobretudo nos intervalos das aulas. Lembro-me que o toque para a saída era penoso porque significava que eu iria estar sozinha. Optei pela área de ciências e devia ter escolhido artes porque me identificava pouco com as pessoas da minha turma…

Já tinha, nessa altura, alguma ideia do rumo profissional que queria seguir?

Não. Eu via-me ligada à área de serviço social. Mas a verdade é que sou tão emotiva que não sei se teria estofo para isso. Aos 16 anos arranjei um professor particular de canto e senti que iria acabar por cantar. Também tive oportunidade de fazer curtas colaborações como atriz. Fui Ofélia no filme de um realizador holandês sobre Fernando Pessoa, no qual contracenei com Klaus Maria Brandauer. Ele elogiou-me muito e fiquei toda contente [ri]. Mas eu tenho estado muito focada na minha carreira de cantora e acabo por deixar o resto um pouco para trás. A determinada altura surgiu a oportunidade de fazer uma peça na Broadway para cantar e dançar… Hoje eu penso que teria valido a pena abdicar de um ano para me dedicar a isso. Teria sido uma experiência incrível.

A internacionalização da sua carreira é surpreendente, mesmo sem essa linha no currículo. A realidade ultrapassou o seu sonho mais ambicioso?

Posso dizer que sim, ainda que queiramos sempre mais. Eu fui muito afortunada porque as coisas que aconteceram surgiram do acaso. Sinto-me grata por esses momentos que o universo me proporcionou. Eu adorava a Amy Winehouse e recordo-me de ter lido uma notícia onde se dizia que o Prince a tinha convidado para passar o Natal com ele, no Paisley Park. Lembro-me de ter pensado: "Uau, quem dera que fosse comigo." Um ano depois ele contactou-me. Por isso é que aquela frase "Cuidado com o que sonhas [porque pode acontecer]" me faz cada vez mais sentido. Eu acredito nisso. Eu adoro sonhar alto. Uma das coisas que mais me frustra é trabalhar com alguém que não acredite nos sonhos como eu. E não tenho problema algum em sonhar com uma coisa e depois não a ver acontecer. Mas não me tirem o gozo de sonhar (…). Por isso é que, de certa forma, eu penso ser bom não ter uma rotina. Eu não tenho uma vida normal e não tenho filhos, nem marido… Assusta-me a ideia de ser tudo previsível ou definitivo. Eu habituei-me a este modo de vida e quero continuar a sonhar sempre. Que nunca me tirem isto!

Refere muitas vezes o Prince a propósito dos mais diferentes assuntos. A vossa relação transcendeu o lado profissional. De que formas é que ele a marcou?

A todos os níveis. Musicalmente e pessoalmente. A força que ele me deu… [Faz uma pausa] Ele para mim é uma luz. Sinto que está presente em tudo o que faço e que é impulsionador de determinadas decisões que eu tomo. As coisas que ele me dizia… A pouco e pouco estou a fazê-las. Falávamos muito sobre o poder da música e ele dizia-me sempre que a música salva, mas que, ao mesmo tempo, este modo de vida pode ser uma maldição. Porque se não nos dedicarmos a ele com a intensidade que ele representa, enfrentamos o reverso da medalha. E isto é verdade. Se não nos dedicarmos, por inteiro e de forma constante, vamos sofrer com isso. Naqueles momentos em que eu fico mais cansada, entendo esse lado da maldição.

O desaparecimento das pessoas que nos são mais próximas muda-nos?

Completamente. E eu tenho sofrido várias perdas nos últimos anos. Se me tivessem dito, antes de 2016, que eu iria perder o Prince e a minha prima, que era como uma irmã para mim, eu diria que não iria aguentar. No ano passado eu perdi a minha avó, de quem também era muito próxima. Vamos descobrindo forças em nós e outras facetas… A verdade é que eu sinto uma força grande e acredito que venha deles porque foram as duas pessoas que mais contribuíram para a construção da minha confiança. Por isso eu pensei que sem eles eu fosse desmoronar. Imagine o que é um génio como o Prince ter aparecido na minha vida para me dizer que o meu timbre é especial, que a cor da minha voz se distingue, que esta menina de Coruche tem qualquer coisa de único… Afinal, quando cheguei ao fado, as vozes eram muito agudas e cristalinas. A minha voz é tudo menos isso. É suja, é larga, é encorpada, é diferente. Ainda me lembro do esforço que fiz para tentar soar a uma coisa que não era eu, mas acabei por pensar nas vozes que sempre gostei de ouvir, a Etta James, a Nina Simone... Depois, perdi a minha prima. Ela era a minha força maior. Perder estes meus dois pilares… [silêncio]. Mas agora sinto-me mais forte e acredito que essa força venha deles.

Não tem medo de assumir a sua vulnerabilidade…

Sim, isso é muito importante. É isso que nos aproxima uns dos outros. E, curiosamente, é isso que nos torna mais fortes. Eu sempre fui assim. Eu sempre partilhei a vulnerabilidade que sentia e, muitas vezes, as pessoas entenderam isso como fragilidade ou mesmo como fraqueza. E são coisas diferentes. Eu sou frágil, física mas também emocionalmente, mas não me considero nada fraca. As pessoas constatavam essa fragilidade com algum pesar. E eu acho que essa foi a minha grande força. Eu não cantaria com a emoção que eu canto se não tivesse esta fragilidade, esta emotividade. Não me dedicaria às coisas, como eu me dedico, se não as vivesse como eu acho que devem ser vividas. Seja na alegria ou na tristeza. No passado, eu condenava-me por ser assim. Hoje sei que sou só eu a ser eu.

É importante que os seus parceiros artísticos estejam em sintonia com essa forma de estar?

Eu ando sempre numa busca incessante de pessoas que sejam assim. É a tal disponibilidade de que falava. É no contacto com os outros que nos vamos descobrindo a nós próprios. E eu faço muito esse trabalho de autocrítica. Eu chego ao ponto de experimentar coisas que, à partida, não me interessam muito só para me pôr à prova. Gosto de me deixar contagiar com a energia dos outros. Pessoas apaixonantes deixam-me apaixonada. (…) Claro, eu também tenho um lado mais solitário… Os meus momentos aqui em casa com os meus gatos.

Esta casa é o seu refúgio?

Sim, é aqui que eu faço os meus retiros de silêncio. A determinada altura, eu comecei a guardar os meus discos de ouro e de platina lá em baixo [num pequeno estúdio que tem no andar inferior] e raramente olhava para eles. Um dia eu estava aqui sentada no sofá com o meu manager, que também é um grande amigo, e eu estava um bocadinho mais em baixo. Ele olhou para esta parede [que faz a ligação entre a sala e o mezanino] e disse que os quadros [com os discos de ouro e de platina] tinham de vir para aqui. Respondi-lhe que isso me deixava meio constrangida e que as pessoas que me visitassem iriam pensar: "Bem, ela adora-se…" Mas realmente ele mudou a minha perspetiva. Tudo o que está nestas paredes [sejam discos premiados ou retratos com figuras internacionais como os The Rolling Stones] é indissociável de quem eu sou. Isto é mesmo a minha vida. É aquilo que eu adoro e que me faz sentir preenchida. Quando eu estou ali sentada e triste [no sofá], levanto a cabeça e descubro aquilo. Eu tenho um poema na música Moura Encantada que fala dessa solidão. Termina assim: "A minha voz, de repente/ É a voz de toda a gente/ De tudo o que a vida tem// Quando a noite chega ao fim/ Vou à procura de mim/ E não encontro ninguém." Ou seja, é no palco que eu me encontro quando partilho tudo o que sinto. Mas, depois, às vezes, quando chegamos a casa sentimo-nos um pouco vazios... Eu tive muitos momentos de enorme alegria, instantes de comemoração na minha carreira e, no regresso a casa, sou só eu. Às vezes penso nisso: se as pessoas soubessem que uma hora depois eu estou sozinha…

Está a trabalhar num novo disco. Em que direção vai apontar?

Ainda está num estado embrionário, mas a minha vontade é que seja mais ousado do que os dois álbuns anteriores. Quero descobrir novos caminhos, é essa a minha intenção. Por isso convidei o Emile Haynie, um produtor que já trabalhou com Bruno Mars, Lana del Rey, Eminem… nomes que nos levam para um universo completamente distante do fado, mas ainda assim orgânico. Estou confiante de que será um trabalho bonito.

É no estúdio que se reinventa, mas é no palco que se reencontra?

São complementares. Eu adoro o processo de criação que se desenrola no estúdio, em que estou apaixonada pela música e me deixo levar. Mas isso também acontece em palco, porque a determinada altura temos de criar novos arranjos. Existe muita criação no momento do próprio concerto. Às vezes, em fases de muitas viagens, receio sentir-me demasiado cansada, mas a verdade é que assim que piso o palco esqueço tudo. Dores, inclusivamente. É imediato. E é incrível.

Tags: ana moura novo disco jóias coleção cantora artes música divas
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