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Os maiores mitos sobre o orgasmo feminino

Todos crescemos a ouvir certas ideias preconcebidas sobre o prazer da mulher quando, na realidade, grande parte dessas ideias não têm fundamento e até foram desmistificadas pela ciência. Ora veja.

Foto: Pexels
06 de janeiro de 2022 Ana Filipa Damião

Em pleno século XXI, o prazer feminino continua envolto numa série de ideias falsas, que por norma nos são incutidas por gerações mais velhas ou mais conservadoras. Além disso, a insuficiente educação sexual ensinada nas escolas poderá também ter um papel importante na propagação dos mitos sobre a sexualidade da mulher.

Por exemplo, um estereótipo que ainda hoje é visto como a norma está relacionado com a existência de dois orgasmos: o vaginal e o clitoriano, uma questão que até os médicos debatem entre si. "Devido à falta de conhecimento, as pessoas tendem a pensar que existem dois tipos de orgasmo", esclareceu a sexóloga Carole Ruvira ao site da revista Madame Figaro. O clitóris "é o único órgão de prazer nas mulheres. Tem uma parte externa e interna. O orgasmo pode assim ser criado durante a penetração, o que estimula a parte interna."

Vivienne Cass, também especialista, é da mesma opinião. "
Eu diria que não existe um orgasmo vaginal ou um clitoriano; existe fisiologicamente apenas uma resposta de orgasmo", afirmou ao site ABC Health & Wellbeing. "Mas há muitas maneiras diferentes das mulheres vivenciarem isso — onde o sentem, o que sentem, o que sentem em relação a isso."

Na mesma linha de pensamento, há quem também acredite que o ponto G seja um mito. Geralmente, esta área particularmente erógena do corpo da mulher "está localizada dentro da vagina, a uma distância de um a quatro centímetros da entrada", informou Ruvira aquando a entrevista à Madame Figaro. Contudo, lembra que é necessário conhecer o próprio corpo para facilitar o acesso ao ponto G. "Ou se descobre por acaso com o parceiro, ou poderá nunca o conhecer."

Terceira noção bastante popular – algumas posições são mais propícias ao orgasmo feminino. De acordo com a especialista, não existem posições específicas que garantam o "prazer máximo" a todas as mulheres porque todas temos corpos e necessidades diferentes, e que a melhor maneira da pessoa descobrir o que prefere é por tentativa e erro. Dito isto, Vânia Beliz, sexóloga portuguesa e autora do livro Ponto Quê?, aconselha a posição de colher para quem tem dificuldades em alcançar o orgasmo, isto porque o posicionamento dos corpos permite que ambos estimulem a zona clitoriana da parceira.

E quem é que já ouviu que uma mulher não pode ter vários orgasmos durante o sexo? Bem, quem lhe passou essa informação está equivocado porque, na realidade, o que acontece é exatamente o oposto. Outra ideia desmistificada por Ruvira está relacionada com o tamanho do pénis, ou seja, "quanto maior, melhor o sexo". Isto não é verdade, visto que o orgasmo feminino depende principalmente da estimulação do clitóris, disse a sexóloga. "Além disso, a vagina é flexível e pode acomodar qualquer tamanho de pénis."

Seria de esperar que não existissem mais histórias infundadas sobre a sexualidade da mulher, certo? Lamento desiludi-la, mas não ficam por aqui. Com tantas fontes de informação fiável, há quem ainda jure a pés juntos algumas barbaridades, como o facto de a mulher não alcançar o orgasmo ser um sinal de frigidez. "É mais uma questão de consciência corporal" e "depende do contexto geral em que se encontra", explicou Ruvira ainda à Madame Figaro. Ademais, o ato sexual é um momento de prazer para a mulher e o orgasmo não tem de ser "obrigatório ou automático." 

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