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Beleza / Wellness

Como 'desligar' no meio do caos de 2026? 6 sugestões para, pelo menos, tentar

Um peso invisível que está a esgotar uma geração.

Catherine Deneuve
Catherine Deneuve Foto: Getty Images
10 de abril de 2026 às 11:24 Joana Grilo / Com Patrícia Domingues

Nos dias que correm o stress não é ocasional. Já não é uma sensação de frio na barriga por experimentar algo novo, por ser a primeira entrevista de emprego ou simplesmente porque recebemos uma má notícia e ficámos ocasionalmente em stress. Em 2026 o stress é constante e, infelizmente, bastante comum. Acordamos com um aperto no peito e deitamo-nos - muitas vezes  devido à constante agitação que vivemos ao longo do dia.

Como é que é suposto aprendermos a gerir esta sensação se somos constantemente bombardeados com notícias que confirmam o pior da humanidade? Se o nosso trabalho depende de ecrãs e o nosso tempo livre é também passado em frente aos ecrãs? Atualmente, a paz e o silêncio são luxos a que nenhum de nós se pode dar direito. E porquê? Porque não há silêncio. A nossa própria mente é barulhenta mesmo quando pode aproveitar para descansar.

Descobrir como é que nos devemos acalmar num mundo que está sempre a desviar a nossa atenção da calma não é fácil. Mas podemos construir algumas estratégias que nos ajudem, pelo menos, a tentar.

Mafalda Rodrigues, atriz, e Mariana Caldeira, Psicóloga na Clínica Profundamente, juntaram-se para escrever Sobreviver a Dias Imperfeitos e aconselhar sobre a forma como podem lidar com a dor, superar frustações e serem capazes de recomeçar. A Máxima não resistiu a abrir o livro e a ‘ouvir’ os conselhos que as autoras têm para dar.

 “Esta carga mental é um peso invisível que nos pesa nos ombros e na cabeça, que nos faz explodir por coisas pequenas e que não nos deixa ver as importantes. Desde as tarefas pequeninas, que todas juntas, somadas, ocupam um lugar imenso no nosso espaço mental, às grandes que nos deixam assoberbados. O pensamento em rebuliço que vai pela corrente cerebral, e que nos entra pela corrente sanguínea, e pela corrente da vida. Eu sei que todos os pensamentos são válidos, mas há uns que mereciam ser chumbados pelo mal-estar que nos causam internamente", conta Mafalda Rodrigues. "O que nos esgota não é apenas o que fazemos, mas tudo aquilo que pensamos, antecipamos, coordenamos e controlamos internamente. Mais do que uma questão de elevada produtividade, a carga mental é uma questão de cansaço de viver num estado de alerta", explica Mariana com o seu olhar clínico.

Quando o corpo começa a 'gritar', é importante questionar e escutar, alertam as autoras. O que estou a tentar controlar? O que estou a evitar sentir? Que parte de mim está a pedir atenção? "O caminho para acalmar a mente (e o corpo) ansiosos não é «pensar positivo» nem «deixar de stressar», como se bastasse dizer essas palavras mágicas", reflete a psicóloga clínica. "É preciso aprender a escutar o corpo, a reconhecer os sinais internos, a E, com o tempo, muita autocompaixão e terapia, a ajudar a perceber que não conseguimos controlar tudo e que também é seguro viver nessa incerteza."

Mas, e em termos práticos, o que é que podemos fazer para 'tentar' manter a calma? Estas são algumas sugetsões de Sobreviver a Dias Imperfeitos.

Ouvir música. Tal como refere Taylor Swift numa das suas músicas: "You need to calm down, you're being too loud" [tens de de acalmar, estar a ser demasiado]. Uma boa forma de manter a calma é optar por algo mais barulhento que a nossa mente - headphones na cabeça e uma playlist no modo shuffle.

Dançar. Dancem sozinhos no quarto ou na cozinha enquanto preparam o jantar. Haverá melhor maneira de libertar o stress e a tensão acumulada do dia do que a mexer o corpo sem regras?

Libertar a criança que temos dentro de nós. Segundo a psicóloga Mariana Caldeira, "a nossa criança interior é uma parte viva da nossa psique. Ela não desaparece com o tempo. Cresce connosco, silenciosa, e manifesta-se em momentos de vulnerabilidade. Quando a nossa criança interior grita, fá-lo por sobrevivência. Está a dizer-nos que algo precisa de atenção, de cuidado, de reparação. Ouvi-la pode ser desconfortável, mas também é o primeiro passo para integrar o que ficou por resolver". Pensemos no outro lado da moeda - as crianças não pensam nos problemas da mesma forma que nós adultos o fazemos. Nesse sentido, depois de um dia repleto de chatices não deve 'fazer mal' libertar-mos a nossa criança interior - a criança feliz, ingénua, que não pensa em problemas e só quer brincar. O objetivo é mesmo fazer atividades que nos permitam 'pensar como uma criança', como: montar um puzzle, pintar um desenho, ver um filme de animação ou até mesmo fazer formas com plasticina. A mente descansa e foca-se na atividade em questão.

Inspire quatro segundos e expire seis. Repita até se sentir bem. Exercícios de respiração são imprescindíveis quando estamos em stress. O trabalho e controlo da respiração permitem-nos ativar repostas psicossomáticas ao regular o fluxo do oxigénio e o foco mental. Respirar profundamente ajuda a estimular o relaxamento do corpo através do sistemas nervoso parassimpático.

Um toque que acalma. A ocitocina ('hormona do amor') atua como um regulador rápido na resposta ao stress, é um neurotransmissor que acalma naturalmente quando estamos dispostos a receber toque físico. Uma das formas mais fáceis de aumentar a produção dos níveis de ocitocina é o toque físico: um abraço, um aperto de mão ou até mesmo o toque em si mesmo. - é um toque 'quente' e confortável que gera segurança e bem-estar.

 E, por fim, mas o mais importante. Desligar. Desligar o telemóvel, o computador, a televisão... Depois de ler este artigo e ter conhecimento de todas estas dicas, desligue-se por alguns momentos de todos estes dispositivos que nos criam ansiedade e pressão social. Permita oferecer a si mesmo uma pausa mental.

 

 

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