“Homem não chora': 7 razões pelas quais os homens fogem da terapia
"Tenho uma consulta às cinco", mas não é de psicologia, com certeza. Deixamos os motivos pelos quais deviam fazer terapia para outro (muito extenso e quiçá interminável) artigo.
Falamos de longevidade como se estivéssemos à procura de uma cura, como se fosse um objetivo longínquo ao qual apenas as futuras gerações terão acesso, mas as respostas estão mais perto do que se imagina. Pelo menos Dan Buettner, autor e investigador do relatório Business Engagement in Building Healthy Communities e fundador do conceito de "Blue Zones", acredita que sim. Mas afinal, o que são as "Blue Zones"? São regiões do mundo onde, historicamente, os seus habitantes vivem vidas mais longas e saudáveis.
Buettner relembra que, de acordo com o The Danish Twin Study, apenas 20% da esperança média de vida de uma pessoa é determinada pelos genes, enquanto os restantes 80% são influenciados pelo estilo de vida e pelo ambiente em que está inserida.
São cinco as zonas que há muito nos ensinam como viver - Ikaria, na Grécia; Loma Linda, que pertence à Califórnia; Nicoya, na Costa Rica; Okinawa, no Japão; e Sardenha, em Itália - e não se trata apenas de saber viver até aos 90 ou 100 anos, mas de viver com vitalidade e saúde. A principal lição que podemos tirar é que a longevidade e o bem-estar nunca são construídos sobre extremos.
Esqueça o conceito de dietas, é sobre comer de forma simples. Sabemos que a nutrição é um dos pilares fundamentais para uma vida saudável e equilibrada, mas estas comunidades não vivem obcecadas com calorias ou um corpo perfeito. A sua alimentação é simples, integral, varia de acordo com a estação do ano e é, na maioria, à base de vegetais. Estamos a falar de feijão, cereais, lentilhas, ervas, batata-doce e tudo aquilo que está particularmente ligado ao solo. A carne tem um papel secundário nesta dieta: aparece poucas vezes e em pequenas quantidades, e a comida altamente processada nem entra na equação. Não se trata de um superalimento milagroso, mas sim da combinação de um padrão de alimentos ricos em nutrientes, ingeridos com consistência.
Okinawa, no Japão, tem um papel fundamental no ensino da nutrição. Buettner refere que isso acontece pelas estratégias que implementam para não comerem além do necessário - “hara hachi bu” -, que significa comer até estar 80% cheio, não por restrição, mas por respeito ao equilíbrio. Um ato de coragem num mundo que vive entre excessos e castigos.
A mensagem aqui não é sermos exatamente como eles; é saber que a comida não é controlo, não é entretenimento: é cuidado.
Mais uma vez, a chave está em não cair nos excessos que a cultura moderna de bem-estar nos vende todos os dias. Estas comunidades não veem o exercício físico como uma tarefa que temos, obrigatoriamente, de “encaixar” nas nossas agendas ocupadas. As "Blue Zones" veem o movimento como parte da vida diária: subir escadas, limpar, cozinhar, fazer jardinagem, carregar compras. O ambiente em que vivem exige algo deles; daí a rara utilização de meios de transporte, já que tudo aquilo de que precisam pode ser feito a pé.
É humanamente impossível nunca sentir stress. É comum e é um dos maiores venenos do ser humano. É a causa de quase todos os problemas de saúde e, muitas vezes, nem damos por ele até ser tarde demais. As comunidades que vivem nas "Blue Zones" não são exceção: também passam por dificuldades, lutos e incertezas. A diferença está na forma como lidam com isso através de pequenos rituais que fazem com que se mantenham focadas: orações, sestas, convívios, tudo aquilo que permita abrandar o ritmo de vida.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, as atividades sociais e os encontros de qualidade melhoram a saúde mental e os níveis de satisfação em adultos. Um estilo de vida saudável não é apenas físico, nem apenas sobre aquilo que temos de evitar, mas sim sobre saber o que nos faz sentir bem, apoiados e conectados.
Buettner refere ainda que, segundo um estudo do National Institute of Aging, aqueles que conseguem articular um propósito, acabam por viver, em média, mais sete anos. Em Okinawa, isto tem o nome de ikigai; já em Nicoya chama-se plan de vida - uma razão para viver, uma direção a seguir.
O problema está em que, muitas vezes, associamos este propósito, esta missão de vida, a grandiosidades: construir um império, ser milionário, ser CEO. Mas o seu plan de vida pode ser ensinar, cuidar da sua família, ser mãe, criar; as possibilidades são infinitas. Esta realização afeta a maneira como cuidamos de nós e como enfrentamos a vida.
Somos seres sociais, feitos para viver em comunidade. O sentimento de partilha e pertença, bem como a conexão humana, são essenciais para o nosso bem-estar físico e mental, logo influenciam a nossa longevidade.
As comunidades das "Blue Zones" estão normalmente envolvidas com as suas famílias ou vizinhanças. As refeições são partilhadas porta a porta, e os idosos são parte ativa e essencial da comunidade.
A era digital dá-nos uma falsa sensação de estarmos constantemente “ligados”, mas a verdade é que estamos mais afastados do que nunca. É urgente voltar a valorizar os laços humanos, segundo o mesmo estudo.
As "Blue Zones" não nos dão a fórmula perfeita; aliás, relembram-nos que tal coisa não existe. Fazem-nos perceber que o bem-estar não é feito de guias, que não é suposto copiarmos passo a passo aquilo que alguém faz para chegar aos 100 anos. Pelo contrário: mostram que uma vida longa pode ser construída e cultivada através das pequenas coisas do dia a dia.
Talvez nunca se tenha tratado de acrescentar anos à vida, mas sim de acrescentar vida aos anos.