Beleza / Tendências

A evolução das pestanas

Adoradas pelas civilizações antigas, as pestanas fazem muito mais do que proteger os seus olhos. Eis a sua evolução, desde as cores às extensões.

07 de novembro de 2019 | Vitória Amaral

No antigo Egito, tanto homens como mulheres aplicavam unções com kohl (pigmento negro à base de minerais e carvão) para escurecer as pestanas e proteger os olhos dos raios solares. À semelhança do Egito e da Índia, na Roma antiga as pestanas grossas eram símbolo de magnificência e até de castidade. Ao kohl por vezes juntava-se açafrão ou até cortiça queimada. Chegados os tempos medievais, o realce das pestanas caiu em desuso, só regressando na era vitoriana, quando a perfumista da Rainha Vitória, Eugène Rimmel, desenvolveu o primeiro rímel de sempre, que se popularizou a uma velocidade fascinante.

No início do século XX, as primeiras pestanas falsas foram registadas em 1911 pela canadiana Anna Taylor, com o uso de pedaços de tecido desfiados em forma de lua crescente. Em 1915, o cabeleireiro Karl Nessler, conhecido pelas suas permanentes, abriu um salão em Nova Iorque que oferecia serviços de pestanas falsas e as divulgava como um "escudo das luzes elétricas. Só em 1916 é que as pestanas tiveram realmente o seu momento de glória, graças ao realizador de Hollywoon D. W. Griffith. Durante as filmagens de Intolerância (1916) Griffith queria que as pestanas da atriz Seena Owen fossem "sobrenaturais", por isso pediu que lhe colassem pestanas feitas de cabelo humano usando cola de perucas, o que provocou uma grave alergia em Owen, embora as principais cenas já estivessem gravadas.

Durante os anos 20 várias pessoas ainda optavam por métodos que enaltecessem as pestanas naturais, acabando por surgir o primeiro modelador de pestanas. Nos anos 30, a revista Vogue introduziu o uso de pestanas postiças mais elaboradas, algumas com detalhes dourados ou prateados. Chegados os anos 40 e 50, a maquilhagem tornou-se uma constante entre as mulheres. Em 1958 a Revlon criou o primeiro rímel em formato tubo como o conhecemos hoje. As estrelas de Hollywood usavam com frequências as pestanas falsas para "abrir" o olhar em sessões fotográficas, como é o caso de Marylin Monroe e Rita Hayworth.

Enquanto as décadas anteriores se focaram no glamour, os anos 60 trouxeram looks mais aventureiros e joviais, como a maquilhagem icónica da supermodelo Twiggy. Esta popularizou o uso de pestanas grandes que acentuassem o olhar, apesar de pintar frequentemente as pestanas de baixo. Contudo, esta evolução sofreu um percalço: nos anos 70 imperou a maquilhagem mais natural (embora Cher continuasse a usar pestanas falsas). Nos anos 80, fiéis à tendência da época, as sombras e lábios coloridos não deixaram muito espaço para as pestanas, embora tenham surgido ocasionalmente em várias cores e feitios. Já os anos 90 trouxeram as pestanas falsas de volta graças a Pamela Anderson ou à supermodelo Cindy Crawford. Tornou-se popular usar rímel colorido tanto nos olhos como no cabelo.

Com a viragem do século, celebridades como Kim Kardashian popularizaram o uso de pestanas grandes. Foram inventadas as extensões de pestanas na Coreia e no Japão, assim como as pestanas postiças individuais, para um look personalizável e natural. Hoje em dia, embora a pestana natural bem tratada ainda seja valiosa, há uma variedade de opções de pestanas falsas que complementam qualquer maquilhagem, sendo acessível a todas as mulheres, seja qual for a ocasião.

 

Elisabeth Taylor em "Cleópatra"
1 de 9 Elisabeth Taylor em "Cleópatra"
Marion Martin
Foto: Getty Images
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Diana Ross
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Twiggy
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Rita Hayworth
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Kendall Jenner na campanha de outono-inverno 2019 da Penshoppe
6 de 9 Kendall Jenner na campanha de outono-inverno 2019 da Penshoppe
lindsey Wixson
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Kate Moss
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Cher
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