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Máxima

Beleza / House of Beauty

“Tens de ter uma vida além das redes sociais.” A pressão da beleza perfeita está a destruir a saúde mental?

No Máxima House of Beauty 2026, Catarina Cotta, Patrícia Marques e Patrícia Rebela conversam sobre autoestima, redes sociais, maternidade e PHDA num tempo em que a comparação se tornou permanente.

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Saúde Mental
28 de maio de 2026 às 09:40 Máxima

“Provavelmente um dos temas do século.” Foi assim que Rosário Mello e Castro, diretora da Máxima, abriu a conversa sobre saúde mental no Máxima House of Beauty 2026, colocando em palco uma pergunta maior do que parece: o que acontece à nossa autoestima quando deixamos de nos ver apenas ao espelho e passamos a ver-nos também através dos filtros, dos likes, da comparação e da validação dos outros?

Com Catarina Cotta, psiquiatra, Patrícia Marques, influenciadora e booker na agência Close, e Patrícia Rebelo, influenciadora, a conversa atravessou alguns dos temas mais urgentes da vida contemporânea: a relação entre beleza e saúde mental, a pressão das redes sociais, a maternidade perfeita, o diagnóstico tardio de PHDA em mulheres e a forma como os procedimentos estéticos se tornaram parte de uma nova linguagem sobre identidade, controlo e desejo de pertença.

Catarina Cotta começou por desmontar uma ideia simplista: a autoestima não é apenas uma questão de vaidade ou de confiança pessoal. Tem camadas biológicas, psicológicas e sociais. “A autoestima é o sistema que nos diz como é que estamos em relação ao mundo”, explicou. Ou seja, aquilo que sentimos sobre nós próprios não nasce no vazio: é moldado pelo olhar dos outros, pela comparação, pela autonomia, pelo corpo, pela saúde e pelo contexto em que vivemos.

Saúde Mental
Catarina Cotta Foto: claudiateixeiraphotography

E esse contexto, hoje, é profundamente digital. As redes sociais trouxeram comunidade, informação e oportunidades, como também criaram uma máquina permanente de comparação. Patrícia Marques, que trabalha no universo da moda e da imagem, resumiu bem a contradição: “O que tem de positivo também pode trazer de negativo, se não for bem equilibrado.” Para muitas jovens modelos e criadoras de conteúdo, estar nas redes é uma ferramenta de trabalho. Mas também é uma pressão constante para parecer mais bonita, mais interessante, mais produtiva, mais desejável. “Tens de ter uma vida além das redes sociais e nem tudo o que está nas redes sociais é a realidade”, lembrou.

A maternidade foi um dos exemplos mais fortes dessa pressão. Nas redes, ser mãe parece muitas vezes uma performance de perfeição: casas arrumadas, bebés tranquilos, corpos recuperados, refeições impecáveis, cansaço invisível. Patrícia Marques chamou-lhe um “campo pantanoso”, porque a comparação é fácil e a culpa aparece depressa. Mas recusou demonizar o digital. Depois de uma fase difícil no pós-parto, encontrou nas redes uma forma de comunidade. “A maternidade não é só cor-de-rosa”, disse, sublinhando que falar honestamente sobre isso pode ser uma forma de proteger a saúde mental.

Também Patrícia Rebelo encontrou nas redes uma comunidade - no seu caso, ligada à PHDA. Diagnosticada em adulta, decidiu partilhar o processo para que outras mulheres percebessem que não estavam sozinhas. “Afinal existe uma resposta e tu não estás estragada. É só a forma como o teu cérebro funciona”, contou, recordando o impacto emocional do diagnóstico. A frase é uma das mais fortes da conversa porque toca num ponto essencial: muitas mulheres passaram anos a interpretar sintomas como falhas de carácter, quando havia uma explicação clínica.

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Patrícia Marques Foto: claudiateixeiraphotography

Catarina Cotta reforçou essa ideia, lembrando que a PHDA nas mulheres continua subdiagnosticada, em parte porque os critérios foram historicamente mais pensados para rapazes. “Há uma espécie de grupo de meninas invisíveis”, afirmou. Mas deixou também um alerta: a PHDA não deve ser glamorizada nem confundida com distração comum. Para haver diagnóstico, tem de haver sofrimento ou disfunção. E, num mundo em que as redes sociais são desenhadas para capturar atenção, todos estamos mais vulneráveis, mas algumas pessoas estão ainda mais expostas.

Na reta final, a conversa chegou aos procedimentos estéticos e à forma como as redes estão a mudar não apenas a maneira como nos vemos, como também aquilo que queremos alterar. Catarina falou da exposição constante a “versões de pessoas que não existem” e da diferença entre uma preocupação estética saudável e uma obsessão alimentada por filtros, comparação e validação externa. A pergunta central deixou de ser “quero mudar?” para passar a ser: “quero mudar por mim ou porque aprendi a olhar para mim como defeito?”

Patrícia Marques trouxe uma frase certeira para definir o presente: “Vivemos um falso natural.” Quer-se parecer natural, mas com intervenção; quer-se parecer descansada, mas sem admitir o procedimento; quer-se parecer espontânea, mas dentro de um padrão muito controlado. Ainda assim, defendeu uma visão sem moralismos: fazer procedimentos estéticos pode ser legítimo, desde que haja informação, segurança e consciência. “Cada pessoa é que sabe.”

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Patrícia Rebelo Foto: claudiateixeiraphotography
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