Beleza

Entrevista Irina Shayk: "É a mulher que domina o mundo"

Epítome de uma sensualidade exuberante, Irina Shayk foi certeiramente escolhida por Jean Paul Gaultier para ser a embaixadora da sua fragrância Scandal à Paris. Foi na Cidade Luz que nos encontramos com a modelo.
Por Carolina Silva, 22.08.2019

"É muito simpática", comenta um jornalista, na sequência de uma gargalhada feminina e rouca que ouvimos ao longe. A cena passa-se na sala de espera da sede de Jean Paul Gaultier, nos Campos Elísios parisienses, enquanto aguardamos pela conversa com Irina Shayk, recentemente anunciada como nova musa do designer. Correspondendo à ideia preconcebida de ser uma mulher intimidante, Irina recebe-me com um aperto de mão firme e algo distante, mas antes de me convidar a sentar ao seu lado no sofá quebra o gelo com um comentário sobre a luminosidade das cores que envergo, em notório contraste à sobriedade do seu fato cor de vinho elegante e com um twist, estruturado com ombros salientes, ou não tivesse a assinatura de Jean Paul Gaultier. O irreverente designer de moda não desenharia uma peça aborrecida. Irina não fala sobre o marido, o ator e realizador Bradley Cooper, nem sobre a filha, advertiram-me antes de entrar na sala, mas orgulha-se do seu passado e do seu percurso, conquistado com muito trabalho. Quando questiono se a sua determinação é inata, interrompe-me, sem hesitar, para justificar com o signo: "Sou capricórnio e por isso, sim", num tom que poderia soar a um remate seco à conversa, não fosse Irina uma oscilação estonteante entre seriedade e simpatia. "Sou muito teimosa, muito teimosa", confessa, com uma risada quase infantil. Foi nesta flutuação que se desenrolou a entrevista, entre a assertividade de uma mulher que sabe o que quer e alguns momentos de descontração.

Foi criada por várias gerações de mulheres. Pode falar-me um pouco dos valores que lhe transmitiram?
Eu fui, sem dúvida, criada por mulheres, mas não conheci o meu avô e o meu pai morreu quando eu tinha 14 anos. Por isso cresci com a minha irmã, com a minha mãe e com as minhas duas avós. Com elas aprendi que a mulher é uma criatura verdadeiramente poderosa. Eu acredito que é a mulher que domina o mundo e que consegue fazer tudo, em simultâneo. Crescer com estas mulheres afetou a minha personalidade e a minha relação com o trabalho. Eu aprendi cedo que na vida nada vem com facilidade e que é preciso trabalhar arduamente para alcançar o que pretendemos.

© Getty Images
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Os melhores looks de Irina Shayk

O que espera passar às gerações futuras?
Quero transmitir que as mulheres podem fazer tudo e que não têm de ficar em casa. Esse tempo já passou e estamos a viver uma era de empoderamento feminino…

Definir-se-ia como uma feminista?
Sim, sem dúvida!

Cresceu na Rússia, nos anos 80. Como é que estas raízes a moldaram?
Bem… Eu acho que crescer numa pequena aldeia da Rússia traz uma perspetiva diferente do mundo. Viajei pela primeira vez quando tinha 20 anos, cresci numa família humilde, não tínhamos possibilidades para comprar maquilhagem ou revistas e não viajávamos… Por isso [a minha adolescência] é certamente diferente da adolescência de muitas raparigas no resto do mundo. Eu acredito que foi isso que moldou a minha visão do mundo profissional: é preciso trabalhar muito e não podemos aceitar um não como resposta.

Foi sempre tão focada e segura do que pretendia?
Eu sou muito teimosa... A minha mãe tentava dar-me conselhos ou dizia que eu tinha de ir para a universidade, mas eu sempre tive as minhas opiniões próprias e não tinha medo nenhum de exteriorizá-las. Acho que sim, que sempre tive uma personalidade muito forte e métodos muito próprios de me exprimir e de dizer aquilo que queria [risos].

A sua mãe tinha então duas adolescentes determinadas em casa…
Sim! E hoje em dia pergunto constantemente à minha mãe como é que ela conseguiu. A minha mãe tinha duas filhas, nenhum apoio, dividia-se entre três trabalhos, não tinha fraldas nem máquina de lavar ou de secar roupa, nem leite. Eram os anos 80 e, na altura, davam umas senhas para podermos ir para uma fila de forma a conseguir um pouco de leite… Portanto é como eu lhe disse: uma mulher consegue tratar de tudo.

Como uma das mulheres mais fotografadas do mundo, quão desafiante é para si viver perante o escrutínio de Hollywood?
Eu não olho para a minha vida dessa forma. Hoje eu estou a usar este fato maravilhoso, tenho o cabelo arranjado e estou maquilhada, mas quando estou "fora de serviço" ando de sandálias e sou muito eu própria. Não acordo a pensar que tenho de parecer de uma determinada maneira porque sou modelo. Sou simplesmente eu. E as pessoas de quem gosto, a minha família e as minhas raízes recordam-me frequentemente disso. Vivo uma vida bastante simples, não tenho hairstylist e maquilhador no meu dia a dia, não planeio a roupa, não tenho um stylist. Sou muito normal, não sou perfeita, nem acho que tenha de sê-lo.

E consegue manter uma vida discreta. É preciso uma aldeia para consegui-lo?
Acho que é uma escolha. Eu tenho muitos amigos que partilham a vida pessoal e são felizes a fazê-lo, por isso tem tudo a ver com escolhas pessoais e com aquilo que as pessoas se sentem confortáveis a fazer.

A confiança e a autoestima são cruciais para uma modelo e para uma pessoa pública. É algo natural em si?
Acho que é sempre um processo de aprendizagem. Não me parece que alguém nasça com autoconfiança… Vamos passando por várias etapas ao longo da vida. Todos passamos por fases mais feias. Por exemplo, quando eu tinha 14 anos detestava a minha aparência, queria ser um rapaz, e acreditava mesmo que tinha nascido no corpo errado. Talvez porque o meu pai sempre tinha desejado um rapaz. Aprendemos através de experiências difíceis e de momentos felizes e, mesmo agora, sabendo que temos de gostar de nós e do nosso corpo, às vezes acordamos e não o vemos dessa forma. Talvez seja necessário termos os dias maus e tristes, aqueles dias em que não gostamos do cabelo ou da pele e que não nos apetece praticar desporto para nos sentirmos mais motivados. Estagnar é o primeiro passo para um caminho descendente e eu acredito mesmo que a vida é sempre para a frente e que podemos sempre ser melhores. Connosco e com os outros. Tem tudo a ver com crescimento.

Começou a sua carreira relativamente tarde. Considera benéfico entrar no mundo da moda aos 20 anos quando a segurança é maior?
Sim, acho que já sabemos o que queremos aos 20 anos. Sinceramente, para mim, foi uma oportunidade para ajudar a minha família e para ganhar dinheiro. Eu não diria que é melhor começar aos 20 anos do que aos 14, mas é importante saber-se aquilo que se quer, não aceitar um não como resposta e ter confiança porque, efetivamente, o mundo da moda pode abanar-nos de um lado para o outro. Dizem-nos para perder pés e para mudar o cabelo, e que não somos bonitas o suficiente, que o peito é demasiado grande, que não somos adequadas ao mercado francês… É tudo difícil e é muito importante ter as pessoas certas à nossa volta.

Sentiu muita rejeição?
Claro que sim. É assim que funciona. Eu comecei como modelo de fatos de banho, em Paris. Vivia num apartamento pequeno, não tinha dinheiro e os trabalhos eram poucos… Por isso fui para Barcelona, onde consegui mais trabalhos e a minha carreira começou a evoluir. Tudo acontece na altura certa. Não podemos desistir.

Pode contar-nos sobre o seu envolvimento em projetos de solidariedade?
Eu e a minha irmã temos um pequeno projeto na aldeia onde crescemos que apoia o hospital local e sou embaixadora do projeto Pomogi.org, baseado em Moscovo, que angaria fundos para crianças que precisam de cirurgias urgentes ou de medicação. Eu acho mesmo que somos muito afortunados, temos trabalho e dinheiro, e é muito importante retribuir e ajudar quem precisa. Para mim, a relação com a vida é uma troca e em algum momento das nossas vidas temos de "dar de volta". Este envolvimento com projetos de solidariedade representa isso para mim.

Como é que mantém um equilíbrio saudável entre corpo e mente?
Acredito, verdadeiramente, que tudo vem de dentro e que se estamos felizes e saudáveis, isso irá transparecer no exterior. É certo que é aborrecido termos algumas restrições alimentares ou a obrigação de ir ao ginásio, mas resume-se tudo a estarmos satisfeitos no final. É o que equilibra tudo e é o mais difícil de alcançar porque andamos constantemente a "correr", com pouco tempo para estarmos no presente. É importante parar para nos focarmos no agora e meditar.

E o que lhe dá mais prazer fazer?
Comer e dormir [risos], como qualquer ser humano normal. É claro que me divirto a ir à praia, aos parques, a estar com a família e com os amigos… E a ver televisão russa! Instalei recentemente nove canais russos e divirto-me a vê-los.

Quais são os seus lugares de eleição, em Paris?
O meu lugar preferido é o Balmain Hair Salon, onde fui ontem fazer uma manicure, pedicure e uma massagem. Acredito verdadeiramente que as russas fazem estes serviços melhor do que ninguém. Eu não digo isto porque sou russa [risos]. Elas realmente sabem o que fazem. Por isso este é o meu go to spa quando estou em Paris. Adoro o Café de Flore para beber um chocolate quente, no Boulevard Saint-Germain. Não é preciso planear nada em Paris, basta sair à rua e encontramos uma boa baguete com manteiga e um ótimo croissant.

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1 Comentários
Anónimo Ela nao e teimosa. Ela sabe o que quer. E nunca a vimos naqueles preparos que o espanhola tem em n fotografias diarias
Há 3 semanas
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