O nosso website armazena cookies no seu equipamento que são utilizados para assegurar funcionalidades que lhe permitem uma melhor experiência de navegação e utilização. Ao prosseguir com a navegação está a consentir a sua utilização. Para saber mais sobre cookies ou para os desativar consulte a Politica de Cookies Medialivre

Máxima

Atual

"Voltei pelo sexo, deixei-o pela personalidade." Por que reatar com um ex é quase sempre má ideia

Há apenas uma coisa cíclica a que recorremos sem medo: a moda vintage.

Jennifer Lopez e Ben Affleck
Jennifer Lopez e Ben Affleck Foto: Getty Images
07 de janeiro de 2026 às 18:39 Patrícia Domingues

Calças de cintura subida, blazers oversized, aquele vestido dos anos 90 que fica melhor hoje do que alguma vez ficou. O passado, quando bem editado, pode ser chique. Nas relações, porém, a repetição raramente vem com um bom corte. Voltar para o ex costuma ser apresentado como um gesto romântico, quase cinematográfico. Na vida real, é mais um impulso emocional: uma tentativa de aquecer o coração com algo familiar quando a solidão ainda não encontrou linguagem própria. O problema é que conforto não é sinónimo de compatibilidade e nostalgia não é plano de futuro.

Afinal, o ex não volta sozinho. Voltam os silêncios, os desequilíbrios, as conversas evitadas. A menos que haja trabalho real, vontade mútua e coragem para desmontar o que falhou, a reconciliação não passa de um revival mal produzido. Sara, 39 anos: “Há várias coisas que podem mudar. É mais ou menos como arranjares as unhas da mão ou pintares o cabelo - mas o teu corpo, a essência, é a mesma. Podes mascarar com essas coisas, mas os valores e objetivos são os mesmos. Para ser honesta, voltei pelo sexo. Mas deixei-o pela personalidade".

Talvez o passado tenha o seu charme. Mas quando falamos de amor, raramente basta. Andreia, 42 anos: “Muitas vezes ficamos apegados àquilo que foi bom ou à expectativa que tínhamos da pessoa e esquecemo-nos de porquê terminou. É fundamental avaliar há quanto tempo terminou, se a vida da pessoa mudou, se a tua vida mudou, se tu mudaste. As pessoas não mudam de um dia para o outro - a mudança acontece anos depois. Voltar para um ex acontece muitas vezes porque vivemos na expectativa do que poderia ter sido e esquecemo-nos daquilo que nos fez terminar. Também cobramos-nos muito em relação a nós e esquecemo-nos da outra pessoa, que não fez o que poderia ter feito, não te encontrou onde tu estavas e não cumpriu expectativas essenciais".

Voltando a recorrer à terminologia de moda, muitas vezes o ex surge como aquele casaco antigo. Não é bonito, não é novo, mas está ali. Familiar. Quente o suficiente para não passar frio, mas não para ultrapassar o 'inverno'. Cláudia, 35 anos: “De todas as vezes que voltei, voltei por comodismo e ignorei as razões por termos acabado. O que me apercebi sempre que voltei (sem falha) nada mudou. Foi só o sentimento de aconchego e conforto de já conhecer a pessoa que fez sentir, nos primeiros momentos, que estava tudo bem. Assim que isso passa, todos os problemas estão lá à mesma. Isto aconteceu de todas as vezes”.

Antes de chamar “destino” ao déjà vu emocional, vale a pena uma reflexão - e uma daquelas que a perita em voltar ao passado, Carrie Bradshaw, aprovaria. I couldn’t help but wonder se, em vez de se perguntar “e se for o amor da minha vida?”, a pergunta certa não será: estou segura ou apenas carente? Margarida, 35 anos: “Olhando para trás, acho que não sabia o que estava a sentir na altura e levou-me a não saber o que eu queria e precisava. Sei que fui influenciada pelo medo de estar sozinha também. E, no meio de um turbilhão de emoções, também tinha a ‘esperança que as coisas iam melhorar’. Isto tudo misturado com a insistência dele de voltarmos, cedi e achei que era uma boa decisão”.

O coração partido não tem só péssimo gosto para cortes de cabelo, como para decisões. Ele confunde urgência com profundidade, conforto com compatibilidade. E transforma a reconciliação numa espécie de regresso apressado à última coleção, mesmo quando já sabemos que nunca assentou bem.

Voltar só faz sentido quando há trabalho real, comprometido, terapêutico. Caso contrário, não é reconciliação: é repetição com um styling diferente. Joana, 31 anos: “Creio que um bom motivo para não o fazer seria se a pessoa é a mesma e nós também. Se ninguém mudou e as circunstâncias também não, o que levou ao fim voltará, mais tarde ou mais cedo. Mas eu acredito na possibilidade de um casal voltar e até me imagino a voltar também. Depende muito das circunstâncias da vida e de como nós somos e se mudámos ou não. Isso muda tudo, a meu ver”.

E, no fundo, a pergunta mais difícil é se mantemos no guarda-roupa à espera de uma ocasião ou de um regresso de tendência, ou se entregamos à circularidade da moda. Que é como quem diz: tenho medo de perder esta pessoa ou medo de ficar sozinha comigo?

Porque há uma solidão que encolhe. E há outra que expande. A segunda leva tempo, coragem e um vestido que o ex odiava. Talvez ele volte. Talvez não. A nossa versão que aceitava migalhas, essa está definitivamente fora de estação. Mariana, 27 anos: “Normalmente, a razão/problemas pelos quais acabaram continuam lá. Se não resolveste antes, voltar não é a solução. É como se voltasses à estaca zero e, depois de todo o esforço que fizeste para acabar, foi em vão. E depois arrependeste-te e é uma merda acabar outra vez!”

Há decisões que parecem românticas apenas porque acontecem à noite. Voltar para o ex é uma delas.

Leia também

Diário de um glow-up: "O segundo dia mais feliz da minha vida foi aquele em que assinei os papéis do divórcio."

O glow up pós-separação não é apenas sobre trocar o corte de cabelo, renovar o guarda-roupa ou mergulhar em novas rotinas de skincare; é um renascimento silencioso, onde cada gesto se torna uma declaração de autonomia. Entre cafés solo, playlists curativas e espelhos que finalmente refletem quem sempre esteve ali, surge uma mulher que redescobre a maior forma de poder - o próprio.

"Depois da separação voltei a usar minissaia. Não era para engatar ninguém, era para me sentir poderosa."

O glow up pós-separação não é apenas sobre trocar o corte de cabelo, renovar o guarda-roupa ou mergulhar em novas rotinas de skincare; é um renascimento silencioso, onde cada gesto se torna uma declaração de autonomia. Entre cafés solo, playlists curativas e espelhos que finalmente refletem quem sempre esteve ali, surge uma mulher que redescobre a maior forma de poder - o próprio.

As Mais Lidas