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O fenómeno Frozen: já passou e já voltou

A aguardada sequela de Frozen- O Reino do Gelo chegou aos cinemas no passado dia 21 de novembro. Muito mais do que o filme de Natal da Disney para 2019, Frozen 2 é a continuação de um dos maiores fenómenos de sempre dos estúdios de animação.

26 de novembro de 2019 | Carolina Carvalho

Cada dia no mundo encantado da Disneyland Paris acaba com um glorioso espetáculo de luzes, repuxos de água e fogo de artifício – o Disney Illuminations. Graças à tecnologia projection mapping o Castelo da Bela Adormecida torna-se a tela onde se conta uma história, de cerca de 20 minutos, recheada de personagens e músicas Disney. Os milhares de pessoas que se dispersam pelo parque durante o dia, juntam-se à noite na praça e na avenida em frente ao castelo para assistir ao espetáculo. Por mais frio e húmido que tenha sido o dia no final de um certo mês de novembro, prevalece o calor de uma enorme audiência de olhos postos no castelo. Quando, depois de uma sequência que inclui passagens dos filmes A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, Nemo, O Rei Leão e Star Wars, o castelo parece ter-se apagado, confundindo-se com o céu negro, começam a cair pequenos flocos de neve na torre mais alta. Soam os primeiros acordes da música estrela do filme FrozenLet it go – e solta-se então no público um geral "ahh…", uma expressão que mistura uma sensação de conforto com a descoberta de uma surpresa esperada, como se a noite não estivesse completa sem esta música que já é sensação há seis anos. E mesmo quando a rainha Elsa aparece a cantar em francês, nada impede crianças e adultos de gritarem o refrão na sua respetiva língua. Palavra de quem lá esteve – e também embarcou na magia do momento. Frozen foi mais do que um filme, foi (e é) um fenómeno. Será este o melhor exemplo da magia Disney?

Frozen – O Reino do Gelo estreou em novembro de 2013 (se ainda não viu não diga a ninguém e espreite aqui o trailer) e em março do ano seguinte foi lançado o DVD do filme. Só no primeiro dia foram vendidas três milhões de cópias e tornou-se rapidamente o DVD para crianças mais vendido de sempre pela Amazon. Agora sim, todas e todos os pequenos fãs poderiam ter a sua cópia de Frozen em casa para decorar as músicas e dar continuidade ao crescimento do fenómeno. Depois de uma clara aprovação do público - e grande parte do público da animação Disney é duro, não vale a pena tentar explicar às crianças o conceito por trás da história ou a profundidade das personagens, a mensagem tem de passar à primeira! – chegou a aprovação da indústria. Nesse mesmo mês a cerimónia dos Óscares consagrou Frozen o Melhor Filme de Animação de 2013 (também estava a concorrer Gru O Maldisposto 2) e Let it Go! como a Melhor Canção Original.

O filme animado número 53 da longa e eclética lista da Disney tinha uma receita pensada para o sucesso: a inspiração na história de Hans Christian Andersen – A Rainha do Gelo – como ponto de partida, uma história familiar, princesas, magia, Olaf (o boneco de neve que gosta de abrços calorosos e sonha com o verão) e uma banda sonora contagiante. Além de tudo isto, Frozen foi também o primeiro filme de animação da Disney realizado por uma mulher: Jennifer Lee. Lee tem 48 anos, confessa que sofreu de bullying em miúda e isso tornou-a fã assumida da Cinderela (tem ilustrações da personagem da Disney a ornamentar o seu gabinete), trabalhou nos bastidores de vários filmes, licenciou-se em cinema na Universidade de Columbia aos 33 anos e chegou à Disney em 2011 para a produção de Força Ralph! e, depois de ter escrito o argumento de Frozen foi convidada a integrar também a realização, em parceria com Chris Buck. É, desde 2018, Chief Creative Officer dos Walt Disney Animation Studios. Em entrevista os dois realizadores explicam que o sucesso de Frozen deve-se à forma como o filme redefine o amor, como explora o tema da família e também, em grande parte à música.

O casal Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez é responsável pela banda sonora do filme, que inclui as músicas Do you want to build a snowman?, For the first time in forever e, claro, Let it Go!. Esta última valeu-lhe não só o Prémio da Academia, como também um Grammy. E é importante não esquecer que, se as canções têm aquele toque mágico inesquecível e contagiante, as interpretações também são fundamentais. Kristen Bell (a Veronica Mars) foi a escolhida para dar voz à princesa Anna enquanto Idina Menzel, estrela da Broadway e vencedora de um Tony em 2004 para Melhor Atriz num Musical no papel de Elphaba na peça Wicked, dá voz à rainha Elsa. A atriz já interpretou Let it Go! vezes sem conta e a música somou conquistas desde o seu lançamento. Tem um vídeo próprio no Youtube e as visualizações já chegam aos 9 dígitos. Let it Go! foi interpretada em diferentes línguas e a própria Disney publicou um vídeo no referido canal online onde se pode ver a gravação em estúdio do sucesso cantado em 25 línguas. Portugal também lá está e a interpretação cabe a Ana Encarnação.

Numa altura em que o mundo e as pequenas heroínas do futuro querem mais do que princesas bonitas que sabem cantar enquanto esperam que um príncipe as salve, a Disney continuou a construir um caminho já começado a desbravar por Mulan (1998), A Princesa e o Sapo (2009), Entrelaçados (2010) e Brave (pela Pixar, 2012), com personagens femininas preparadas para serem elas a responder aos desafios das suas histórias. Frozen consegue o difícil equilíbrio entre a magia de um clássico com lindas princesas que cantam e são, simultaneamente, as heroínas que conduzem e resolvem a intriga da sua história. Quando estreou, em 2013, Frozen gerou 1,3 mil milhões de dólares em bilheteira global e, desde então, o fenómeno foi crescendo, dando origem a um musical na Broadway, a uma área própria na expansão do parque Walt Disney Studios em Paris e em merchandising é impossível fazer cálculos, porque seis anos depois, a febre continua. É, aliás, bastante difícil perceber quem é, afinal, a personagem mais famosa: Elsa, Anna ou Olaf?

E em março de 2015 a Disney anunciou, oficialmente, a esperada sequela. Entretanto, nesse mesmo ano foi lançada a curta-metragem Frozen Fever, em que Elsa planeia a festa de aniversário de Anna, e em 2017 Olaf’s Frozen Adventure, em que Olaf procura tradições de Natal para as celebrações da quadra em Arendelle. Quando a história das duas irmãs começou a ser escrita para o primeiro filme, Jennifer Lee quis fugir aos estereótipos de haver uma irmã boa e uma má. Em Frozen, Anna representaria o amor e Elsa representaria o medo. A realizadora explica que depois de definirem estes papéis foi fácil construir a história. Em Frozen 2 Jennifer Lee volta a assinar o argumento e a partilhar a realização com Chris Buck e confessa que o filme foi dificílimo de fazer. Nesta sequela Elsa, Anna, Olaf, Kristoff e Sven partem à procura da origem dos poderes de Elsa e, além da continuação da história, este foi o filme tecnicamente mais complexo que o estúdio já fez. E havia ainda o facto de serem muito raras as sequelas de musicais, contudo, a banda sonora ficou, novamente, nas mãos de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez e a música que vamos ouvir repetidamente, caso a fórmula de sucesso se confirme, chama-se Into the Unknown (Muito mais além). Frozen 2 chegou aos cinemas no passado dia 21 de novembro. Nos Estados Unidos, o filme começou a bater recordes ainda na pré-venda de bilhetes e na estreia "encaixou" 127 milhões de dólares em bilheteira, a somar aos 223 milhões de dólares fora dos EUA. A Disney soma e segue e espera conseguir com Frozen 2 o feito que já alcançou com cinco filmes este ano, passar a fasquia dos mil milhões de dólares em bilheteira. Em Portugal o filme também foi a estrela do fim de semana e levou mais de 132 mil espectadores aos cinemas. Um cenário em tons de outono, muita magia, novos figurinos, uma banda sonora de sete novos temas… Já passou? Não, Frozen e a Disney prometem ir muito mais além!

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