Lily Cheng Kit Leong: "Na China contemporânea, a magreza ainda continua a ser vista por muitos como ideal"
Há formas de beleza que não começam no espelho, mas na memória. Nos gestos repetidos ao longo de gerações, nos rituais que nos são ensinados antes de sabermos o seu significado, nas mãos que nos cuidam quando ainda não aprendemos a cuidar de nós. A estética torna-se, assim, um lugar de continuidade, onde a cultura, a identidade e a história pessoal não só se encontram, permanecem.
Lily Cheng Kit Leong, beleza que atravessa gerações e memórias
Foto: Cristiana Morais / MÁXIMA24 de julho de 2026 às 10:14 Patrícia Domingues
Desde pequena que recebo frequentemente elogios pela minha aparência, e sempre dei bastante atenção à forma como me apresento e visto. Quando era criança, tinha uma boneca de que gostava muito. A minha mãe inspirava-se nela para me fazer roupa e penteados, e eu achava isso muito bonito.
Mantenho alguns hábitos de cuidado mais tradicionais, como o uso de produtos com ingredientes naturais. Dou também bastante importância ao equilíbrio no dia a dia, mantendo a pele hidratada, evitando exposição excessiva ao sol e fazendo cuidados de pele regularmente. Na cultura chinesa, o cuidado pessoal não é apenas externo, é também uma forma de equilíbrio entre corpo e mente e de bem-estar emocional.
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Foto: Cristiana Morais / MÁXIMA1 de 2 /Lily maquilha e penteia Yuxin Long, no espaço que fundou para espalhar a cultura chinesa em Portugal, Associação Cultural Pensamento Oriental.
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Foto: Cristiana Morais / MÁXIMA2 de 2 /O tradicional adorno de cabeça completa o vestido de noiva
Na China contemporânea, muitos padrões de beleza valorizam pele clara, traços delicados e um corpo esguio. Embora hoje exista mais diversidade do que no passado, a magreza continua a ser vista por muitos como ideal. As redes sociais têm uma forte influência na perceção de beleza. Plataformas como Douyin, Xiaohongshu e Weibo difundem tendências de maquilhagem, moda e padrões corporais, e celebridades e influenciadores acabam por moldar a ideia de “beleza”. Vejo estas tendências com apreciação, mas também com distanciamento crítico. Têm o seu encanto, mas acredito que cada pessoa deve encontrar o seu próprio estilo.
O que vemos nestas imagens é o meu look de casamento, o traje tradicional chinês Xiùhèfú. É um traje comum em casamentos tradicionais chineses, normalmente vermelho, com bordados de dragões, fénix e padrões auspiciosos que simbolizam felicidade e prosperidade. A maquilhagem privilegia tons de vermelho, pele luminosa e natural, sobrancelhas elegantes e cabelo preso num coque arredondado, com acessórios como ganchos dourados, buyao, coroas de fénix e detalhes decorativos.
Foto: Cristiana Morais / MÁXIMA1 de 2 /A preparação
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Foto: Cristiana Morais / MÁXIMA2 de 2 /O look de casamento, o traje tradicional chinês Xiùhèfú
O conhecimento da sociedade portuguesa sobre a cultura chinesa ainda é superficial, focando-se sobretudo na gastronomia e festividades. No entanto, a China tem uma história muito longa e uma cultura tradicional extremamente rica. A dança e a música tradicional chinesa são das suas expressões mais belas, cheias de elegância, narrativa e emoção.
Há formas de beleza que não começam no espelho, mas na memória. Nos gestos repetidos ao longo de gerações, nos rituais que nos são ensinados antes de sabermos o seu significado, nas mãos que nos cuidam quando ainda não aprendemos a cuidar de nós. A estética torna-se, assim, um lugar de continuidade, onde a cultura, a identidade e a história pessoal não só se encontram, permanecem.
Há formas de beleza que não começam no espelho, mas na memória. Nos gestos repetidos ao longo de gerações, nos rituais que nos são ensinados antes de sabermos o seu significado, nas mãos que nos cuidam quando ainda não aprendemos a cuidar de nós. A estética torna-se, assim, um lugar de continuidade, onde a cultura, a identidade e a história pessoal não só se encontram, permanecem.
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