Men Crush Alert: os melhores looks masculinos dos Óscares 2026 (RIP, bigode de Pedro Pascal)
Alguns celebraram vitórias. Outros foram a verdadeira vitória da noite.
Há 97 anos que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas distingue o que de melhor se faz no cinema - e há 97 anos que existe a categoria de Melhor Fotografia. Durante quase um século, porém, houve um padrão difícil de ignorar: todos os nomeados eram homens.
Esse padrão mudou este ano. Quando a lista de nomeações foi anunciada, Autumn Durald Arkapaw fez história ao tornar-se a primeira mulher - e também a primeira mulher de cor - nomeada para o Óscar de Melhor Fotografia, pelo trabalho em Pecadores, realizado por Ryan Murphy.
Mas o momento histórico não ficou pela nomeação. Na madrugada de segunda-feira, Arkapaw subiu ao palco e levou para casa o prémio de Melhor Fotografia, tornando-se a primeira mulher a vencer esta categoria na história dos Óscares. Foi um daqueles momentos que nos obrigam a parar e refletir: como é possível que, ao fim de mais de nove décadas de prémios, nenhuma mulher tivesse ainda conquistado esta distinção?
A resposta está, em grande parte, na própria história da indústria. Hollywood tem sido, durante décadas, um meio profundamente dominado por homens. Apesar dos esforços recentes para diversificar o cinema - tanto à frente como atrás das câmaras - a direção de fotografia continua a ser uma das áreas mais masculinizadas do entretenimento.
Nos Óscares, praticamente todas as categorias - com exceção das categorias de representação, que continuam divididas por género - já viram mulheres receber a estatueta dourada. Ainda assim, na fotografia, o progresso foi lento. Durante décadas, nenhuma mulher sequer apareceu entre os nomeados. Isso só mudou em 2018, quando a Academia distinguiu Rachel Morrison pelo trabalho em Mudbound, realizado por Dee Rees.
Desde então, o caminho tem sido gradual, mas o marco verdadeiramente simbólico chega agora. Quando o nome de Autumn Durald Arkapaw - filha de mãe filipina e pai descendente de crioulos negros - foi anunciado como vencedora, a sala reagiu com uma ovação audível. Estava-se a fazer história.
Para Pecadores, Arkapaw optou por filmar em 65 mm, utilizando duas câmaras particularmente exigentes: uma IMAX de grande formato e uma Ultra Panavision 70. São equipamentos pesados e, muitas vezes, ruidosos - escolhas técnicas que implicam planeamento rigoroso e uma equipa altamente coordenada, mas que permitem alcançar uma profundidade e uma escala visual raramente vistas no cinema contemporâneo.
No discurso de agradecimento, Arkapaw fez questão de lembrar quem abriu caminho antes dela. Citou, entre outras, as diretoras de fotografia Ellen Kuras e Rachel Morrison, reconhecendo que nenhum momento histórico acontece isoladamente. Depois, pediu algo simples, mas poderoso: que todas as mulheres presentes na sala se levantassem. "Sinto-me tão honrada por estar aqui. E quero mesmo que todas as mulheres nesta sala se levantem, porque sinto que não teria chegado aqui sem vocês."
Foi um gesto que transformou uma vitória individual num momento coletivo - e que lembrou que, no cinema, como em tantas outras áreas, os marcos históricos raramente pertencem apenas a quem sobe ao palco. Muitas vezes pertencem também a quem abriu o caminho antes.