A maquilhagem em pele madura tem outras regras - mas para estas três maquilhadoras são mais simples do que parecem
Falámos com Sara Fonseca, Maria Cruz e Cristina Gomes, três nomes incontornáveis em Portugal, sobre pele madura - o que fazer, ou evitar, na hora de a maquilhar.
Quando uso corretor - algo diário - não há muita ciência por trás, nem sequer um pensamento muito extenso. Abro o corretor, passo o aplicador pelo rosto - prefiro usar isto em vez de base - e depois espalho com um pincel. Sei que isto é quase uma forma de privilégio: dizer que, para mim, é só isto e está feito. Sei que, para muitas pessoas, até da minha idade, existe todo um processo de correção de cor ou até de textura da pele, algo incrivelmente normal. Mas também reconheço que isto não será sempre assim. Chegará o dia em que este processo tão simples implicará estudar a textura do corretor antes de o comprar, para que este não se agarre tanto às linhas do rosto - linhas essas que mostrarão o quanto já vivi.
Por isso mesmo, por reconhecer que todas queremos sentir-nos bonitas e por ver este processo a acontecer com as mulheres à minha volta, fui falar com algumas profissionais da área para perceber realmente o que podemos fazer para aplicar não só o corretor, mas a maquilhagem no geral, numa pele mais madura. Maria Cruz, maquilhadora para editoriais e passerelles, começa pela teoria antes da prática: “Nas peles maduras existe uma diminuição natural de colagénio, perda de elasticidade e maior tendência para a desidratação, o que altera completamente a forma como a maquilhagem se comporta”. Um ponto que já se espera com o passar dos anos e que devemos sempre considerar quando falamos de maquilhar uma pele deste tipo. E continua com a 'sua' regra de ouro: “Texturas leves, hidratantes e luminosas tornam-se essenciais para devolver conforto e frescura sem retirar identidade ao rosto.” Cristina Gomes, maquilhadora de celebridades e editoriais, confirma esta ideia: “As peles maduras não são todas iguais. Podem ser secas e com bastantes rugas, podem ser oleosas com poros visíveis, podem apresentar alterações de cor, como vermelhidão, por exemplo, com mais ou menos flacidez, ou podem ser normais". Para a makeup artist, cada caso é um caso e os produtos de maquilhagem, principalmente a base, devem ter em conta o caso em questão.
Como tudo na vida, tudo começa com a fundação das coisas, e o rosto não é exceção. Ter uma boa preparação ajudará a conseguir um melhor resultado. Maria Cruz confirma, ressaltando que “a preparação da pele é o verdadeiro segredo de uma maquilhagem bonita”. Conta-nos: “Grande parte do meu trabalho acontece antes mesmo da maquilhagem começar. Invisto muito em hidratação, máscaras hidratantes, massagem facial e produtos que devolvam elasticidade e luminosidade. Quando a pele está equilibrada e confortável, a maquilhagem integra-se naturalmente e o resultado torna-se mais leve e duradouro”.
Cristina Gomes dá mais algumas dicas: “Se a pele for seca, deve ser hidratada antes da maquilhagem, mas com um produto leve, não muito espesso. Se a pele for oleosa, pode ser necessária a aplicação de um primer matificante. Sejam quais forem as circunstâncias, é de evitar a sobreposição de muitos produtos, fazendo com que a maquilhagem da pele seja o mais simples possível”.
Depois de tratarmos da preparação da pele, chega o momento de receber os produtos. Um erro muito comum, e que ambas as maquilhadoras ressaltam, é o facto de muitos pensarem que quanto mais produto aplicarmos, mais vamos tapar. A verdade é que quanto mais produto usarmos, mais ele tenderá a assentar nas linhas de expressão do rosto, fazendo o contrário do que pretendemos. Então, como é que podemos corrigir isto? “Vejo muitas mulheres a tentar recriar a maquilhagem que usavam há 10 ou 20 anos. O problema não está na técnica em si, mas no facto de a pele já não responder da mesma forma.
Excesso de base, acabamentos demasiado mates e pó em demasia acabam por acentuar mais as linhas e a textura. Muitas vezes existe a ideia de que mais produto significa melhor resultado, quando na realidade a pele madura pede exatamente o contrário”, afirma Maria, dizendo depois que a verdadeira solução está em encontrar produtos com “texturas finas, hidratantes e flexíveis, com acabamento natural ou luminoso. Para mim, a base não deve esconder a pele, mas sim deixá-la respirar e parecer saudável”. Cristina Gomes concorda com esta ideia, acrescentando que não nos devemos esconder do pó, nem considerá-lo o inimigo. “É absolutamente indispensável a aplicação de um pó solto depois da aplicação de qualquer produto cremoso, como base ou corretor, para selar a pele e evitar que esse produto se acumule nas rugas ao longo do dia.”
Algo em que Cristina Gomes e Sara Fonseca, também maquilhadora profissional com muitos anos de experiência, concordam é que devemos evitar o uso de iluminadores nas peles mais maduras. “O maior erro na maquilhagem de pele madura é, na minha opinião, o uso de brilhos, como iluminadores e sombras brilhantes, em zonas com rugas ou com poros visíveis, porque vão acentuar os relevos e as depressões”, diz Cristina.
Uma zona por vezes problemática de trabalhar é a dos olhos. Muitas mulheres sentem que já não conseguem brincar com sombras devido às pálpebras descaídas. “No caso de pálpebras descaídas, deve-se focar a atenção na zona da pálpebra que se vê e no contorno do olho”, diz Cristina, ideia com que tanto Sara como Maria concordam. Esta última deixa ainda uma dica: “Trabalho sempre com o olho aberto para compreender o movimento natural da pálpebra. Um erro muito comum é puxar a pálpebra para aplicar sombra ou eyeliner; quando a pele volta ao seu lugar, fica tudo desalinhado”.
Como último conselho, as maquilhadoras dizem o seguinte: também é importante a aplicação de máscara de pestanas, porque, se estas forem reviradas e destacadas, abrem o olhar. O uso de blush, quando estrategicamente aplicado, pode ajudar a dar um efeito de lifting ao rosto, trazendo-lhe vida. Cristina Gomes termina a conversa afirmando: “Em jeito de conclusão, tenho de dizer que a maquilhagem depende do gosto de cada um, e que tudo é permitido. A maquilhagem não ofende, não dói, e, se não estiver bem, basta limpar. Não tem consequências a longo prazo, como um corte de cabelo, por exemplo".
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