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Moda / Tendências

Lizzy Hadfield: “Gosto de vestir o mesmo todos os dias”

Com um olhar tranquilo e uma abordagem honesta à moda, Lizzy Hadfield tornou-se uma referência do estilo consciente. Entre a leitura, a rotina criativa e a vida nas grandes cidades, encontra inspiração nos detalhes e transforma a simplicidade numa assinatura pessoal.

Lizzy Hadfield, figura de estilo minimalista, fala sobre moda, leitura e vida entre Londres e Nova Iorque
Lizzy Hadfield, figura de estilo minimalista, fala sobre moda, leitura e vida entre Londres e Nova Iorque Foto: @lizzyhadfield
14 de novembro de 2025 às 16:43 Safiya Ayoob Adicione como fonte preferencial no Google

Com mais de uma década de presença no universo digital da moda, Lizzy Hadfield conquistou um lugar de destaque pelo estilo minimalista, andrógino e cuidadosamente pensado. Natural de Leeds, no norte de Inglaterra, é criadora de conteúdos, autora do influente blog Shot from the Street e colaboradora de marcas como Gucci, Levi’s e NET-A-PORTER. Hoje, vive entre Londres e Nova Iorque, onde partilha uma visão de moda que alia estética e propósito. Como uma das Mango Girls, Lizzy personifica a elegância descontraída da marca, equilibrando praticidade e sofisticação com uma autenticidade que inspira. Nesta conversa, fala-nos sobre a evolução do seu estilo, o poder da leitura e a importância de encontrar beleza na simplicidade do quotidiano.

Como descreverias o teu estilo atual em poucas palavras?

Minimalista, andrógino e intencional. Gosto da ideia de vestir praticamente o mesmo todos os dias, mas que tudo assente perfeitamente, seja feito com bons tecidos e se mova bem no meu corpo quando estou em movimento.

Lizzy Hadfield, figura de estilo minimalista, fala sobre moda, leitura e vida entre Londres e Nova Iorque
Lizzy Hadfield equilibra minimalismo e elegância entre Londres e Nova Iorque. Foto: DR

O teu estilo evoluiu bastante ao longo dos anos – o que achas que influenciou essa mudança?

Viver em cidades! Sou do norte de Inglaterra e, quando vivia em Leeds, o meu estilo pessoal era muito mais glamoroso. Saíamos com vestidos minúsculos e saltos altíssimos. Tinha carro, por isso podia conduzir para todo o lado e usar coisas completamente impraticáveis. Viver em Londres e Nova Iorque fez-me caminhar muito mais e depender dos transportes públicos – encontrar uma forma de me vestir com estilo e praticidade mudou completamente o meu estilo pessoal.

Há uma peça essencial de guarda-roupa à qual voltas sempre?

Jeans. Sempre!

Qual tem sido a parte mais desafiante de fazer da moda e da criação de conteúdo a tua carreira?

Lidar com bloqueios criativos. Ou aqueles momentos em que detestas todo o teu guarda-roupa (acho que acontece a toda a gente, por mais roupa que se tenha). Encontrar formas de manter a inspiração e continuar a partilhar o que estás a usar nessas fases é um verdadeiro desafio. Precisamos de espaço para fazer reset e não pensar no assunto, mas isso é difícil quando o teu trabalho depende precisamente disso.

Quando é que começou a tua relação com a Mango?

Em 2022. Três anos maravilhosos!

Como descreverias o que é ser uma “Mango girl”?

É divertido! Tenho a oportunidade de ir a eventos incríveis. O universo da Mango é enorme, e adoro a forma como produzem as campanhas e o e-commerce. Sempre que recebo os lookbooks mais recentes, fico imediatamente inspirada.

Lizzy Hadfield, figura de estilo minimalista, fala sobre moda, leitura e vida entre Londres e Nova Iorque
Lizzy Hadfield partilha a importância da simplicidade na moda e na vida entre Londres e Nova Iorque Foto: DR

Ao longo desta jornada, o que aprendeste de mais significativo sobre ti própria?

Percebi o quão auto-motivada sou. Nunca tenho dificuldade em levantar-me e começar o meu dia, e sou muito grata por isso.

O que mais gostas na tua rotina neste momento?

Tenho acordado cedo para ler durante cerca de 30 minutos antes de fazer qualquer outra coisa – e adoro. Ajuda-me a entrar no dia de forma tranquila e a despertar a mente.

O que te tem inspirado ultimamente – seja na moda ou fora dela?

Li recentemente Rebecca, de Daphne du Maurier, e vi uma entrevista antiga da BBC com ela em casa. Estava a usar uma camisola azul maravilhosa, e não consigo parar de pensar nela.

O que te inspirou originalmente a criar o teu clube do livro?

Mudar-me para Nova Iorque e querer conhecer novas pessoas, ligando-me a elas através do amor pela leitura. Os leitores apaixonados adoram falar sobre livros! E há tantos por descobrir – as recomendações pessoais são, sem dúvida, a melhor forma de expandir os nossos horizontes literários.

Há algum livro que tenha realmente mudado a tua forma de pensar?

Não consigo escolher apenas um – são muitos. Leio sobretudo ficção, e há inúmeros momentos em que uma personagem expressa algo que eu própria já senti, dando-lhe um novo significado. Acredito que ler ficção é, na verdade, mais revelador e útil do que qualquer livro de autoajuda. Também se aprende imenso. Neste momento estou a ler um romance de Louise Erdrich – ela escreve sobre nativos americanos e é Ojibwe. Tenho aprendido tanto sobre a experiência dos nativos americanos na América contemporânea! Essa experiência de aprendizagem, com qualquer romance que explore um povo, uma cultura, um género ou uma época diferente da nossa, tem a capacidade de transformar a forma como pensamos.

A leitura influencia a tua criatividade ou o teu estilo pessoal?

Sim! Nunca uso malas pequenas durante o dia – nunca saio de casa sem um livro.

Um livro que recomendas a toda a gente?

The Sea, The Sea, de Iris Murdoch.

E finalmente: se tivesses de usar uma única combinação de roupa para sempre, qual seria?

Jeans de corte direito em ganga índigo, uma camisola azul-marinho, um casaco comprido preto de lã ligeiramente oversized e botins Chelsea rasos em verniz preto. Com uma boa mala de pele e óculos de sol estilo aviador.

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