Lady Dior reimaginada. A arte contemporânea dá nova vida à referência da maison

A icónica carteira da casa francesa, símbolo de luxo e sofisticação, transforma-se numa tela viva para a arte contemporânea na nova edição do projeto Dior Lady Art. Em Lisboa, 11 artistas internacionais apresentam criações inovadoras, que vão desde o surrealismo de Anna Weyant até a poesia botânica de Duy Anh Nhan Duc. A Máxima foi conhecer.

Foto: ©JOE PERRI
17 de dezembro de 2024 às 07:00 Safiya Ayoob

A moda e a arte sempre andaram de mãos dadas, unidas pela capacidade de inspirar, provocar e transcender o tempo. Na sua essência, ambas desafiam fronteiras, reinventam-se e refletem os valores culturais de uma época. A Dior, ícone incontornável no universo do luxo, sempre valorizou esta interseção, colaborando ao longo da sua história com artistas visionários que trouxeram novas perspectivas às suas criações, como foi o caso da portuguesa Joana Vasconcelos. A iniciativa Dior Lady Art, que chega agora à sua nona edição, é a celebração máxima desta sinergia, transformando a icónica carteira Lady Dior numa tela para a imaginação de artistas internacionais. Nesta edição, 11 artistas foram convidados a reimaginar este símbolo da maison francesa, e Lisboa foi uma das cidades selecionadas para acolher algumas destas obras-primas que a Máxima foi conhecer.

Foto: © PIERRICK PATARIN
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Entre os artistas selecionados está Anna Weyant, uma pintora canadiana cuja obra combina surrealismo e mistério. As suas criações para a Lady Dior traduzem o seu fascínio pela feminilidade e pelos contrastes entre luz e sombra. Entre as duas carteiras, destaca-se a versão dourada, disponível em Lisboa. Nesta peça, as flores e margaridas, recorrentes na sua arte, surgem como esculturas preciosas que coroam a bolsa, numa exaltação da mestria dos ateliers Dior.

Foto: ©JOE PERRI

Outro destaque é o trabalho de Duy Anh Nhan Duc, um artista vietnamita radicado em Paris que faz da natureza o coração da sua obra. Inspirado na fragilidade e beleza das plantas selvagens, criou uma Lady Dior que combina elegância e poesia. A carteira, disponível em Lisboa, é uma celebração botânica, adornada com bordados preciosos, motivos em relevo e uma surpreendente trepadeira dourada, enquanto um dente-de-leão encapsulado em resina funciona como talismã.

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Foto: ©MARION BERRIN
Foto: @Dior

Jeffrey Gibson, um artista com raízes nativas americanas, trouxe a este desafio a sua visão vibrante e cheia de simbolismo. Inspirado nas suas instalações artísticas, como os seus sacos de boxe decorativos, a sua versão, que pode ser vista na flagship na Avenida da Liberdade, combina missangas detalhadas e cadeados em forma de coração, numa ode ao amor e à força.

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Foto: ©HARRY EELMAN
Foto: @Dior

Hayal Pozanti aposta numa abordagem conceptual que explora a relação entre os humanos e a natureza. A artista criou três versões para esta coleção, sendo que Lisboa acolhe a mais enigmática delas: uma clutch pintada à mão com uma paisagem noturna, complementada por uma chuva de estrelas em strass. No interior, espelhos multiplicam a beleza da peça, convidando a reflexões íntimas.

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Foto: ©JOE PERRI

As criações de Huang Yuxing simbolizam a sua capacidade única de unir realidade e fantasia em paletas vibrantes. Das suas quatro interpretações da Lady Dior, Lisboa exibe a versão pequena, uma peça colorida e dinâmica com alças brancas, que lembra as suas telas psicadélicas e transporta o observador para universos imaginários.

Foto: ©WENQINGAO LEI
Foto: @Dior

Faith Ringgold, uma artista lendária e ativista social, também contribuiu para esta edição antes do seu falecimento em 2024. A sua obra é um testemunho da luta pela igualdade racial e de género, expressa de forma sublime em seis criações. Em Lisboa, estão expostas três que exploram temas como liberdade, justiça e música jazz, incorporando bordados intrincados, materiais metálicos e uma rica paleta de cores. De relembrar que o desfile de alta-costura outono/inverno 2024-25 da maison foi realizado no Musée Rodin, em Paris, com a cenografia baseada em dois dos seus trabalhos mais emblemáticos: Woman Freedom Now (1971) e Woman Free Yourself (1971). Reproduções destas obras, que simbolizam a luta por igualdade racial e de género, foram usadas para cobrir toda a estrutura do evento, reforçando a relevância cultural e histórica do legado de Ringgold.

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Foto: ©PIERRICK PATARIN

O artista norte-americano Vaughn Spann, baseado em Nova Jersey, cuja obra vibrante e expressiva combina elementos abstratos e figurativos, criou quatro versões: uma oversized, que revisita o formato funcional das pastas dos anos 80, com um design transparente em rosa e um "X" central, motivo recorrente na sua obra. Outras versões apresentam estruturas geométricas inspiradas nas suas telas, e duas destacam as pinturas Firestorm e Untitled (Stormy), de 2020, caracterizadas por efeitos marcantes de relevo e contraste. Destas, Lisboa exibe uma peça em vermelho e preto, que simboliza a dualidade – um tema central na sua abordagem artística.

Foto: ©JOE PERRI

Woo Kukwon, natural da Coreia do Sul, abordou o desafio em cinco interpretações encantadoras e multifacetadas. Duas carteiras de formato médio retratam personagens que representam sua mulher, filha e cão, em cenários idílicos: uma, a que é possível ver na flagship portuguesa, sob um céu estrelado, em homenagem à sua filha, e outra num passeio entre cerejeiras em flor, com vegetação desabrochando nas alças. Um terceiro modelo brinca com ironia, apresentando um urso polar bordado junto à inscrição "Killing Me Softly". As versões menores incluem uma mini adornada com vinhas de pérolas coloridas e outra micro cravejada de missangas pretas brilhantes, a disponível em Lisboa. Como toque final, o cão do artista aparece como um detalhe refinado em certos fechos, adicionando uma surpresa lúdica ao design.

Foto: @Dior

A arte de Danielle McKinney é uma celebração dos momentos introspetivos e privados das mulheres. A sua Lady Dior, embora não disponível em Lisboa, é uma ode à sua assinatura artística: tons vibrantes, contrastes de luz e sombra, e uma narrativa poética que evoca o quotidiano com um toque de magia.

Com raízes no povo Shipibo-Conibo da Amazónia peruana, Sara Flores trouxe para esta edição o legado cultural da sua comunidade. As suas duas obras reinterpretam os padrões hipnóticos do kené, com bordados subtis e detalhes serpenteantes que traduzem a harmonia entre o homem e a natureza.

Foto: ©KEVIN ROMAN

Liang Yuanwei inspira-se em tradições orientais, como o verde celadon (pálido) da porcelana da Dinastia Song, para criar uma versão que une a tridimensionalidade da Lady Dior às suas pinceladas caligráficas. Embora a sua peça não esteja em Lisboa, destaca-se pelo detalhe técnico e pela integração simbólica do passado e do presente. 

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Foto: ©WENQINGAO LEI
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