Testámos o LiBDO: o “ginásio íntimo” que está a revolucionar o treino pélvico feminino
"O que mais me surpreendeu foi a confiança e o poder que uma aula de LiBDO pode despertar numa mulher. É transformador."
Há qualquer coisa de irresistível numa peça acabada de comprar: a camisa ainda com o vinco perfeito, as calças no tom exato, o vestido que parece ter saído diretamente do provador para a vida real. A tentação é óbvia: cortar a etiqueta e vestir (quem nunca?). Mas a resposta que talvez queiramos menos ouvir é que, na maioria dos casos, vale mesmo a pena lavar a roupa nova antes de a usar.
Não é uma questão de paranoia doméstica, nem uma mania de gente excessivamente organizada. É sobretudo uma questão de pele, de conforto e de redução de exposição a resíduos que ficam no tecido depois do fabrico, do acabamento, do armazenamento e da passagem por várias mãos. A Cleveland Clinic, no Ohio, por exemplo, recomenda, num artigo sobre o tema, lavar a roupa depois da compra, sublinhando três razões muito concretas: evitar a transferência de corantes para a pele, remover químicos e irritantes usados no processo de produção e diminuir a exposição a bactérias deixadas por outras pessoas que experimentaram a peça. A mesma fonte refere ainda que algumas roupas podem conter formaldeído ou outros conservantes usados para prevenir vincos e bolor, substâncias que podem provocar irritação cutânea.
No que toca ao formaldeído, uma revisão científica publicada na National Library of Medicine concluiu que continua presente em alguns têxteis - embora menos do que no passado - e nota um dado particularmente simples e útil para o consumidor: nas amostras lavadas, não foi detetado formaldeído, o que levou os autores a considerar a lavagem antes da primeira utilização uma prática segura e prudente.
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido também identifica os têxteis - em particular os corantes e as resinas neles contidos - como causas comuns de dermatite de contacto alérgica. E lembra também que a fricção, o calor e a humidade podem agravar a irritação, o que ajuda a explicar porque é que certas peças "novas em folha" parecem inocentes até passarem algumas horas em contacto com a pele. Os corantes também contam. A literatura dermatológica há muito descreve casos de dermatite de contacto induzida por corantes têxteis, e organizações de saúde voltadas para alergias e eczema continuam a salientar que certos corantes e resinas podem ser gatilhos relevantes para peles sensíveis.
A ideia de que a roupa chega "limpa" à loja também é mais otimista do que realista. Entre fábrica, embalamento, transporte, armazém, loja e provador, uma peça pode acumular resíduos de acabamento industrial, poeiras, fragrâncias, sujidade de manipulação e contacto humano. Não significa que cada camisola nova seja um perigo ambulante; significa apenas que "nova" não é o mesmo que "pronta para encostar à pele".
Isto quer dizer que temos de lavar absolutamente tudo, sempre, religiosamente? Em bom rigor, não com o mesmo grau de urgência. Há peças que pedem mais cautela do que outras: roupa interior, T-shirts, pijamas, roupa de ginásio, roupa de criança, toalhas, lençóis e tudo o que fica muito tempo em contacto direto com a pele devia passar pela máquina antes da estreia. Por outro lado, um casaco estruturado usado por cima de várias camadas não tem exatamente o mesmo peso de risco que um body, um soutien ou umas calças justas de tecido sintético. Ainda assim, mesmo nessas peças exteriores, uma primeira lavagem - quando possível segundo a etiqueta - continua a ser uma boa prática.
No fim, a resposta "perfeita" é também a mais prática: lavar a roupa nova antes de a usar não é um ritual exagerado - é um pequeno gesto de inteligência doméstica. Talvez não seja a coisa mais cinematográfica do mundo; não tem o apelo de sair da loja e estrear já o vestido ao jantar. Mas é aquilo que separa o impulso do cuidado. E, honestamente, há poucas coisas mais chiques do que isso.