Nasci a desejar ser mãe; não me lembro de mim sem ter este sonho. Lembro-me de, desde muito pequena, pedir uma irmã aos meus pais e de me sentir a miúda mais feliz do mundo quando, aos 8 anos, a tive - cuidava dela de forma muito maternal. Nessa altura, queria ser educadora de infância para cuidar de crianças, como a minha tia. Por isso, acho que este instinto já nasceu comigo.
Ser mãe é muito melhor do que imaginava, até porque sempre me imaginei mãe de 3, mas não de 4 (risos). Na verdade, ser mãe é aquilo que mais me realiza e me faz feliz, desde a gravidez ao parto, passando pelos desafios (que existem!). Apaixona-me, para além da parte óbvia dos mimos e do amor incondicional, pensar que posso estar a moldar seres humanos, na esperança de que sejam um bom contributo para o equilíbrio deste caos.
Todos os dias penso: “era exatamente isto que eu queria” (ok, exceto quando fazem birras ou estou mais cansada). Mas, normalmente, essa constatação surge nos momentos mais simples: uma refeição em família, gestos de carinho entre eles, um filme todos juntos, quando vão ter connosco à nossa cama para dormirem, quando pedem colo e mimos… Em todos esses momentos penso que, de facto, realizei o meu maior sonho - era exatamente isto que eu queria.
Sinto que fui “feita” para ser mãe. Além da vontade que sempre tive, tenho muita sorte na genética, que me permite engravidar facilmente; tenho gravidezes tranquilas e felizes, partos rápidos e naturais, resisto bem à privação de sono e recupero com facilidade. Sou prática, o que ajuda a não sentir muita ansiedade ou preocupações, embora com consciência da responsabilidade que acarreta, obviamente. Tudo isto ajuda muito, a meu ver, para que a maternidade seja uma experiência totalmente positiva.
A maternidade mudou muito a forma como vejo o mundo, e acho que é inevitável. Passamos a amar outro ser mais do que a nós próprios, com o peso da responsabilidade de que sejam bons seres humanos, com os valores certos. De repente, o mundo passa a ser menos seguro e vivemos com o coração nas mãos. É um amor puro, incondicional e verdadeiro, para sempre. Imagino o meu futuro com uma casa sempre cheia e com barulho. Por mim, será sempre assim, e entusiasma-me pensar que pode ser possível.
Às outras mulheres que sonham ser mães, quero dizer que é a melhor coisa do mundo, mas temos de ter a certeza de que é mesmo o que queremos, porque nem tudo são rosas e há, obviamente, muitos desafios. Muda-nos, muda a nossa vida, mas não tem de ser encarada como uma mudança para pior - a meu ver, faz parte, e eu não podia ser mais feliz. E, ainda que possa não existir o momento perfeito, podemos tentar preparar-nos para o momento certo, em que as condições necessárias estejam reunidas (incluindo as psicológicas). Outro ponto importante é a gestão de expectativas: as experiências são todas diferentes, em cada mulher e em cada família; nem tudo vai correr como idealizamos, e ter capacidade para aceitar isso e ajustarmo-nos contribui muito para uma maternidade mais feliz e leve.