Celebridades

Carina Caldeira: "Amamentei durante um mês, não gostei, parei. Quando disse isso, senti muito preconceito."

Mãe da pequena Constança, de cinco meses, a apresentadora está a viver a maternidade pela primeira vez. Fala à Máxima sobre tabus, experiências "longe de ser como nos filmes", sempre com a alegria e energia que a caracterizam.

Foto: Notable
23 de junho de 2021

Qual foi a sua reação quando soube que estava grávida? Quem foi a primeira pessoa a quem contou, e quais foram as reações mais épicas/inesperadas?

Foi um histerismo total. Já estava a tentar engravidar há um ano. Estávamos no primeiro confinamento, super assustados com o que podia vir aí e a melhor notícia das nossas vidas apareceu. Foi mágico.

A primeira pessoa [a quem contei] foi o Francisco [o marido], claro. Chamei-o à casa de banho mal fiz o teste. Não aguentei… É engraçado porque tinha tudo idealizado na minha cabeça. Ia contar enquanto estivesse a filmar uma coisa bonita, para apanhar reações. Mas depois fiquei tão emocionada que foi só um grito: "Xicoooooooo, vem aqui à casa de banho.". Depois, mostrei-lhe o teste e agarramo-nos um ao outro, num pranto de felicidade. Toda a nossa família ficou num estado de felicidade puro. Contudo, a reação mais forte foi da minha sogra. É a primeira neta, com quem sempre sonhou e esteve a chorar de alegria durante dois dias seguidos.

Como correu a experiência da gravidez? Prós e contras, vale tudo…

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A experiência foi ótima. Tive uma gravidez abençoada, graças à minha médica, a Dra. Madalena Conceição. Foi sempre zero stressada, super cool. Tive, ainda, a sorte de não enjoar e não ter nenhum problema. Foi tudo super tranquilo, tirando a parte de perder a cabeça, estar confinada e comer brigadeiros sem parar. Engordei 20kg. Também optei por uma cesariana marcada, para não stressar com o parto. Foi a melhor decisão que tomei. Foi tudo super rápido, calmo e sem dor. Melhor do que sonhei.

Quando a sua filha nasceu, quais foram os seus primeiros pensamentos? 

Na verdade foram mixed feelings. Eu estava à espera de olhar e sentir um amor inexplicável, como toda a gente diz. Contudo, não senti logo isso, o que me fez sentir mal. Tinha acabado de fazer uma cesariana, estava a começar a amamentação e as hormonas estavam aos saltos. Tanto olhava para ela e chorava de felicidade, como de medo. Os primeiros dias foram muito confusos. A cada a hora sentia uma coisa diferente. Gostava que tivesse sido como nos filmes, mas não foi. O medo e a responsabilidade tomaram conta de mim. Acho que só realizei tudo quando nasceu.

Lembra-se de quais foram as recomendações mais "enervantes" dos amigos e da família? 

No  que toca à maternidade, toda a gente opina. É muito aborrecido e acaba por confundir. A minha mãe tem uma teoria, a minha melhor amiga tem outra. O Francisco e eu, para não enlouquecermos, não ouvimos palpites e fomos fazendo o que sentíamos. Até agora, correu tudo de forma perfeita.

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Quando é que a sua filha a tira do sério?

Só nas noites em que acorda sem parar, sem motivo aparente. É a parte mais difícil.

Qual foi a maior asneira do pai? Aquele dia em que estava despistado e …

O Xico é um 'paizão' super presente e atencioso. A maior asneira que faz é quando tenta vesti-la e sai tudo mal apertado e sem nexo.

Quais são os maiores desafios da maternidade, a par de ser mulher e da profissão?

Para mim, é um desafio constante e a maior aprendizagem das nossas vidas. É o primeiro filho e é tudo muito novo. O maior desafio é ser uma responsabilidade para a vida toda. Educar com valores e o medo infinito de falhar. Em relação à profissão, não tirei licença de maternidade, mas o Xico tirou. Além disso, temos ajuda em casa, o que facilita imenso. Não parar de trabalhar foi super importante para manter a minha sanidade mental. Passei a gravidez confinada e precisava de sair para respirar. Sou apaixonada pelo que faço. Com a Constança, a nossa família e o trabalho, sinto-me completa .

É importante ter momentos só para si? De que forma é que consegue fazê-lo?

É, sim, sem dúvida. Se bem que, depois do nascimento, os momentos preferidos passam sempre a ser com ela. Porém, o momento de skincare do dia, uma massagem ou os momentos a dois com o Xico são fundamentais. Como diz a minha pediatra: "Mãe feliz, bebé feliz."

O que é que continua a ser tabu na maternidade, no ser-se mãe?

A amamentação. Eu quis experimentar, não gostei e, passado um mês, parei. Quando disse isso, senti muito preconceito. Mas, na vida, não há nada mais glitter do que fazermos o que nos faz sentir bem e felizes. Para mim, quando alguma coisa me faz sentir mal, fujo a sete pés. Esse é o segredo para a minha felicidade

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