Celebridades

A verdadeira história de Letizia, Rainha de Espanha

A jornalista Helena Matos elenca os momentos, as pessoas e os lugares que ajudam a escrever a história de Letizia, Rainha de Espanha.
Por Helena Matos, 14.11.2019

Alonso Guerrero. Este professor de Literatura de 54 anos ostenta um dos títulos mais difíceis de Espanha: ele é o ex-marido de Letizia. A 8 de outubro de 1998 Letizia casava-se com o seu antigo professor, Alonso Guerrero, dez anos mais velho que ela. O casamento durou pouco – divorciaram-se no ano seguinte – mas o namoro fora longo. Uma vez separados, Letizia tornou-se uma jornalista cada vez mais conhecida e Alonso Guerrero dedicou-se aos seus alunos e à ficção. 

Quando, em 2003, se tornou conhecida a relação de Letizia com Felipe, os espanhóis descobriram que incógnito pelas livrarias andava um romance assinado por um tal Guerrero que contava a história de um professor de Literatura que se apaixonava por uma das suas alunas… Quem leu diz que Letizia não saía muito favorecida na história. Seja como for, Letizia não se pode queixar dos homens da sua vida: num país como a Espanha, em que dezenas de pessoas têm como modo de vida contar nos jornais, revistas, rádios e televisões a sua vida e a dos outros, Alonso Guerrero tem recusado ofertas milionárias pela cedência de uma simples fotografia sua ao lado de Letizia. A mesma atitude tem mantido o jornalista David Tejera, com quem Letizia mantinha uma relação até conhecer Felipe. Aliás, segundo alguns jornais, Tejera soube ao ver o noticiário que a sua noiva estava noiva do príncipe. Seja tudo isto verdade ou mentira, certo é que Tejera não faz comentários sobre o assunto. Letizia pode ou não arrepender-se de algumas das opções que tomou antes de conhecer Felipe de Bourbón, mas não se deve arrepender de ter escolhido amar quem amou porque dificilmente descobriria homens que a protegessem mais.

Baleares. Felipe define as Baleares como um pedaço do céu na Terra, mas a sua mulher tem desde o início do casamento uma relação com estas ilhas no mínimo de purgatório. Logo nas primeiras férias que passou em Palma, desabafou com uma jornalista: "Tu achas que isto são férias?"

Todos os anos Letizia cumpre os mínimos obrigatórios naquilo que era a relação muito intensa da família real espanhola com as Baleares: na Páscoa, com o marido e as filhas, Letizia lá chega para a missa da Páscoa sempre com ar de quem vestiu no último minuto um conjunto que tinha escondido no fundo do armário. No verão, é sempre a última a chegar e a primeira a partir.

Para que a sua ausência não seja muito notada, no pouco tempo que está em Palma vai a vários lugares e atos oficiais num mesmo dia, em seguida deixa-se fotografar com o marido e as filhas nos jardins do Palácio de Marivent e depois parte para um destino secreto, onde terão lugar aquilo que define como férias.

As férias em Palma evidenciam aquela que é uma das maiores fragilidades de Letizia: a sua conceção da pertença à família real como um trabalho que ela procura cumprir exemplarmente, mas com horário. Ora Palma é o contrário disso e ela não tem a bonomia dos demais membros da família real que se habituaram desde pequenos a ser cumprimentados no meio da rua, estejam em calções de banho ou vestidos de gala. Para mais, em Palma, estão as amizades de infância do marido; todos se conhecem, todos (menos ela, que era filha de uma sindicalista) sabem velejar… Palma foi o mundo de Juan Carlos e Sofia e da sua família extensa, os Gomez Acebo, os Grecia… Não é o lugar que Letizia quer para si e para Felipe.

Casamento. A 22 de maio de 2004, Letizia Ortiz Rocasolano e Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Bourbón y Grecia casaram-se na catedral de Almudena, em Madrid. Às 11h 49m Letizia tornou-se Princesa das Astúrias. Choveu nesse dia. Treze anos depois, já tiveram duas filhas (aquando do noivado disseram que teriam pelo menos três filhos) e, dizem os jornais, algumas discussões. Mas Letizia conseguiu afirmar-se como a sólida companheira de um herdeiro que passou a rei numa enorme crise da sua família – escândalos envolvendo o pai e a irmã Cristina – e do seu país: a Espanha esteve sem governo quase um ano, conheceu uma enorme radicalização e vive em constante tensão por causa da questão das independências.

A jornalista com quem Felipe casou era claramente uma mulher de esquerda e com uma evidente distância perante instituições tão importantes em Espanha quanto a Igreja Católica, os militares e a monarquia. Durante anos os gestos e vestuário usados por Letizia nas cerimónias castrenses e religiosas foram passados à lupa. Por fim concluiu-se que Letizia cumpre com rigor todos os rituais. O que sente ela em cada um deles é um segredo dela que talvez partilhe com Felipe. Porque, e isso é evidente em muitas das fotografias, os olhares que trocam revelam uma evidente cumplicidade.

"Dejame terminar." 6 de novembro de 2003. Passava do meio-dia quando Felipe e Letizia apareceram de mão dada nos jardins do Palácio do Pardo. Esperavam-nos mais de 300 jornalistas. Felipe mostrou os botões de punho que Letizia lhe oferecera. Depois começaram a falar com os jornalistas. Daquilo que os tinha atraído no outro. Entretanto, Letizia explicou que a sua vida como jornalista terminara. (Na verdade, ela desejara continuar a trabalhar mais algum tempo, mas a agitação criada em torno da sua pessoa inviabilizou esse projeto). É então que Felipe começa a falar e ela disse aquele "Dejame terminar" que a marcou para o futuro como uma mulher que manda muito. É verdade que manda muito. Muitíssimo até, mas naquele dia ela era apenas uma jovem nervosa, com um desejo enorme de afirmar o seu propósito de fazer tudo bem.

Elena e Cristina. As cunhadas, claro. Com Elena, Letizia nunca se deu nem bem nem mal. O mundo de Elena pouco ou nada tem a ver com o de Letizia: Elena gosta de touradas, de dançar sevilhanas, do campo, dos cavalos, das tradições. E, contudo, Elena sacrificou-se por Letizia ou mais propriamente pelo irmão: o mesmo Juan Carlos que aceitou rapidamente o casamento do filho com uma divorciada demorou anos a aceitar a separação da filha Elena de Jaime de Marichalar. Tudo sempre em nome da coroa. Na prática, era Cristina a cunhada que vivia em Barcelona, aquela de que Letizia estava mais próxima. Era em casa de Cristina que se encontrava com Felipe na fase em que ambos namoravam secretamente. Foi ao marido de Cristina que Felipe pediu para comprar o anel de noivado que ofereceu a Letizia. O primeiro momento de confronto entre Cristina e Letizia aconteceu quando, em junho de 2005, foi batizada Irene, a filha de Cristina e Iñaki. O batizado teve lugar na Zarzuela. Os sogros de Cristina, José Urdangarin e Claire Libaert, vieram à cerimónia e Cristina contava alojá-los na casa de Letizia e Felipe. Só que Letizia alegou estar no fim da gravidez para não receber convidados. O ambiente entre Cristina e Letizia esfria desde aí até que chegou à rutura quando se conheceu o caso Noos – um caso de corrupção que tinha no centro o marido de Cristina – e a família real espanhola se dividiu. Letizia claramente defendia que não podia haver mais contacto com o marido de Cristina, Iñaki Undargarin. Felipe e o pai esperaram que Cristina se divorciasse. Mas contra tudo, todos e muito particularmente contra o irmão e a cunhada, Cristina vai manter-se ao lado do marido, enfrentar o irmão e claramente desprezar Letizia. Quando terminado o julgamento do caso Noos, Cristina fez novamente férias em Espanha e os habitantes de Ciudad Real lhe pediram para que se deixasse fotografar com eles, foi como se mandasse um recado a Letizia: uma infanta é sempre uma infanta.

Felipe. Porquê Letizia e não Isabel Sartorius? A Felipe conheceram-se vários amores, casos... Eva Sannum e Gigi Howard foram alguns dos casos mais conhecidos. Com a norte-americana Gigi Howard foi Felipe fotografado na praia num período em que a sua ausência em Espanha fora explicada pelos seus compromissos académicos. Com Eva Sannum o caso foi bem mais complexo: Felipe apareceu ao lado de Eva Sannum no casamento do príncipe herdeiro da Noruega, Haakon, com Mette Marit. Num daqueles assomos inexplicáveis que acometem de vez em quando os espanhóis, rebentou um tremendo escândalo por causa do decote do vestido usado por Eva Sannum nessa cerimónia. O decote era um pouco excessivo, mas já se viram outros bem mais exagerados, simplesmente o decote colocava em evidência os atributos que já tinham levado Eva Sannum a servir de modelo em algumas fotos de roupa interior feminina. E assim, de repente, Eva Sannum tornou-se a noiva que não o podia ser por causa daquele decote. Consequência: Felipe, pela segunda vez, renuncia não ao trono mas sim a uma mulher. A primeira vez que tal acontecera era Isabel Sartorius quem estava no centro da polémica. Para muitos, ela ainda hoje é a noiva que devia ter sido rainha. Nascida na nobreza espanhola, Sartorius era bonita e bem-educada. Parecia ter tudo para ser aceite… Até que o facto de ser filha de pais divorciados e sobretudo de a sua mãe ter tido uma muito complicada relação com as drogas levaram a que a relação de Sartorius e Felipe chegasse ao fim. Isabel Sartorius, a sua bela cabeleira loura e o seu olhar doce continuam a ser para alguns espanhóis a figura que gostavam de ver ao lado de Felipe que, ironia das ironias, acabou a casar com uma divorciada, filha de pais divorciados e com muito mais esqueletos e decotes no armário que a norueguesa Sannum. Mas por nenhuma delas Felipe disse, como terá dito quando confrontado com as objeções paternas a Letizia: "Esto es lo que hay: esto o lo dejo todo."

Gomez Acebo. Letizia detesta os filhos da infanta Pilar. É verdade que também ignora os Zurita, filhos da outra irmã de Juan Carlos, a infanta Margarida, mas nada que chegue à má vontade que nutre pelos Gomez Acebo. Casamentos, festas de aniversário ou outras datas assinaladas na casa dos filhos da infanta Pilar, tia de Felipe de Bourbón, são ignorados olimpicamente por Letizia. A explicação para a sua ausência é invariavelmente a febre: ou é ela quem está com febre ou uma das princesas que está com febre. E assim lá surge Felipe sozinho. A má relação com os Gomez Acebo é a parte mais visível da antipatia que Letizia nutre pela velha aristocracia espanhola. Essa gente que, como é o caso dos Gomez Acebo, se move com o mesmo à-vontade na liderança de grandes empresas, procissões da Semana Santa e praças de touros. Para mais, a infanta Pilar, irmã do sogro de Letizia, Juan Carlos, e mãe dos primos Gomez Acebo, é uma mulher de resposta pronta, que abomina o politicamente correto e o ascendente que Letizia acabou a ganhar na família real graças ao impacto do caso Noos que levou a sua querida sobrinha Cristina a tribunal e o seu irmão, Juan Carlos, a abdicar. A distância talvez seja a melhor forma de evitar que o verniz estale entre a infanta de sempre e a rainha de agora.

Holanda. E se Letizia fosse como a rainha da Holanda, Máxima? Se se risse? Se fosse um pouco menos esquelética? Se fosse um pouco mais expressiva?… Para aqueles que embirram com Letizia. A rainha da Holanda é o exemplo mais que perfeito para mostrar que uma plebeia se pode transformar numa rainha, irradiar simpatia e não estar sempre com ar de quem está a cumprir uma missão.

Irmãs. Érika e Telma. O suicídio de Érika, a irmã mais nova de Letizia, em 2007, mostrou uma princesa das Astúrias destroçada e inesperadamente próxima das pessoas. Letizia estava grávida da sua segunda filha, chorava copiosamente, as lágrimas misturavam-se com a chuva que não parava de cair quando declara às pessoas que a cumprimentavam: "Obrigada, por se terem apiedado de nós."

A vida de Érika Ortiz fora sempre cheia de altos e baixos. O sucesso profissional das irmãs, a que se juntou o casamento de Letizia com Felipe, mais contribuiu para aumentar o seu sentimento de fracasso. Letizia protegeu-a sempre, mas, em 2007, Érika Ortiz, que então vivia no apartamento de solteira de Letizia, suicidou-se. Deixou uma filha, atualmente adolescente. Já Telma Ortiz deve ser a mulher com pior relação com os jornalistas em toda a Espanha e seu termo. O casamento e divórcio de Telma Ortiz com Jaime del Burgo constituíram uma série de episódios em que os jornalistas eram sempre os que acabavam a ter a culpa.

As três irmãs Ortiz primavam pela elegância, como bem se viu no casamento de Letizia, mas, em matéria de temperamento, só se espera que, para sossego de Espanha, as filhas de Letizia saiam às tias paternas.

Jesús Ortiz. Letizia adora-o e tem razões para isso. Não só ele é o seu pai como muito provavelmente a pessoa mais prejudicada pelo casamento de Letizia. Jesús Ortiz era e é jornalista, trabalhava em comunicação e o facto da filha se ter casado com Felipe não ajudou a sua carreira. Antes pelo contrário. Divorciado de Paloma Rocasolano, Jesús Ortiz e a sua nova mulher, Ana Togorres, levam uma vida discretíssima: ele trabalha, anda de transportes públicos e nunca aparece nos atos oficiais. Se todos os familiares de príncipes e reis fossem como Jesús Ortiz as revistas do coração não tinham matéria e os jormais tinham de acabar com a secção dos escândalos.

Kilos. O que Letizia não tem a mais. A sua magreza primeiro assustou. Depois banalizou-se. Quem sabe se com mais algum peso a rainha de Espanha se deixasse ver menos vestida: ao contrário de Elena e Cristina, que desde sempre usaram biquíni, Letizia é muito avessa a passear pelo areal em traje de praia.

Leonor e Sofia. Os espanhóis nem sempre são justos para com Letizia, mas entre as razões de queixa que têm dela conta-se o facto de a futura rainha de Espanha ter sido fotografada em bebé com as mais desengraçadas roupas de que há memória. Como todas as mães novatas, Letizia era possessiva com a filha. Não havia fotografias, mal se via a criança… Até que um dia Leonor apareceu com os pais: a bebé era linda e a roupa inexplicavelmente horrorosa. Para mais, este despropósito aconteceu num país, a Espanha, que se orgulha de exportar roupa para bebé para todo o mundo. Logo, a infanta com aquele casaquinho que parecia ter sido feito por uma tricotadeira inexperiente com um resto de lã que andava lá por casa era quase um crime económico!

Passando da roupa para a educação, Letizia educa as filhas como se fossem só dela e da família dela. O convívio de Leonor e Sofia com os filhos de Cristina e Elena é quase nulo. No Natal e no verão a rainha Sofia esforça-se para conseguir uma foto com todos os netos, mas é cada vez mais difícil. Letizia, que assinou um acordo pré-nupcial em que, no caso de divórcio, renuncia à tutela das filhas, afasta Leonor e Sofia da família do pai. Uma decisão não muito prudente. Para o futuro das filhas, obviamente. Afinal, quando escolheu pertencer à família real, Letizia fez uma escolha para si para os filhos que viesse a ter.

México. Letizia chegou ao México em 1995. Trabalhou aí como jornalista. Travou amizades com músicos e pintores. Também dizem que teve uma relação com um homem casado. Viajou. Do México sobraram-lhe certamente recordações e um monte de fotografias. Como aquelas em que se vê a atual e muito antitabágica rainha de Espanha a vender cigarros.

Neve. Letizia é uma perfecionista. Prepara as intervenções que faz. Estuda os assuntos. Está longe de usar os esquemas da princesa Diana que sabia que podia contar com o seu sorriso e um vestido perfeito para ser o alvo das atenções. Letizia não se limita a estar. Ela tem de fazer sempre tudo bem. O que tem isto a ver com a neve? Tudo. Das primeiras vezes que se viu Letizia na neve era evidente que ela não fazia a mínima ideia sobre como se devia deslizar na neve. Os anos passaram. Às vezes apareciam umas fotos de Felipe com amigos na neve. Até que de repente Letizia surge com as filhas e o marido na pista de Jaca, movendo-se com uma destreza ganha à custa de aulas e aulas. Mais uma vez ela cumpriu o que entende ser o seu dever: fazer o melhor possível os atos inerentes ao cargo que desempenham. Não tem naturalidade, mas tem responsabilidade. 

Operações. Ora vamos lá a um inventário: em agosto de 2008, Letizia submeteu-se a uma septorrinoplastia que lhe modificou o perfil. Também limou um pouco o queixo saliente. Faz regularmente aplicações de ácido hialurónico para reduzir as rugas de expressão e aplicações de botox no contorno dos olhos e na testa, de modo a suavizar os sulcos da pele e a prevenir o aparecimento de rugas… O rosto de Letizia tornou-se o pretexto ideal para os artigos que dão conta do "antes e depois" das intervenções de cirurgia estética. Por agora, a grande questão já não são tanto as operações que fez mas sobretudo as que ainda vai fazer.

Paloma Rocasolano. A mãe de Letizia tornou-se uma espécie de rainha-mãe em funções: desfila na passadeira vermelha em algumas cerimónias e, não menos importante, é ela a avó de facto de Leonor e Sofia, pois Letizia dificulta o acesso da rainha Sofia às netas. Enfermeira de formação e sindicalista de profissão, Paloma Rocasolano sofreu uma transfiguração após o casamento da filha: deixou de ter aquele cabelo com ar de quem estava sempre a chegar da praia e deitou fora boa parte da roupa que tinha no armário. Fala pouco, o que é uma vantagem. Mas parece que manda muito nas netas, o que claramente não deixa tranquilos muitos dos que esperavam ver Sofia a desempenhar um papel preponderante na formação de Leonor.

"Quítate las gafas!" A frase em português quer dizer algo como "Tira os óculos!" e é um símbolo de como tanta coisa mudou na família real espanhola. Esta frase foi pronunciada numa das primeiras idas de Letizia a Palma de Maiorca. Ao seu lado estava a sua sogra, a rainha Sofia. Perante o batalhão de jornalistas que as esperava na entrada do Club Náutico, Letizia mantinha-se de óculos de sol como uma criança birrenta. Foi então que Sofia lhe sussurrou: "Quítate las gafas!" Esse era o tempo em que Sofia era a profissional e sabia que uma princesa não é uma estrela rock, logo tira os óculos de sol para falar com os seus semelhantes. Agora Sofia passa férias quase sozinha em Palma e Letizia põe e tira o que lhe apetece.

República. Um dos segredos mais conhecidos de Espanha é a existência de uma foto em que Letizia surge embrulhada na bandeira da República. Obviamente, já lá vão esses tempos em que Letizia se embrulhava na bandeira republicana, mas seja como for a Letizia monárquica é uma criação recente. Dela mesma, aliás.

Sofia. A mãe amadíssima de Felipe e que o apoiou quando ele se apaixonou por Letizia, dizem agora os jornais, é uma avó amargurada porque não pode ver as netas, uma esposa traída e uma mãe triste com as enormes divergências entre os seus filhos. Letizia manda muito, mas resta saber se a imagem de confronto com Sofia não a penalizará.

TVE. Por causa de Letizia, Felipe tornou-se o espectador mais atento dos insípidos noticiários de verão da TVE. E terá sido ao vê-la no ecrã que se convenceu que Letizia podia resultar como rainha. Toda a vida de Letizia na TVE foi detalhada: ela tornou-se a notícia dentro da notícia. Mas eis que nos últimos tempos – e num sinal claro deles – um biógrafo de Letizia veio revelar que ela fora vítima de assédio sexual por parte de um responsável da TVE.

Urdangarin. Letizia ergueu uma espécie de fronteira entre ela e o cunhado. Oficialmente, porque ela não tolera a corrupção. Na prática, por causa da corrupção e também porque o belo e venal Urdangarin troçou dela em e-mails que trocava com os amigos e que acabaram a ser revelados durante a investigação ao caso Noos. Num deles, a Urdangarin, que ganhava muito e trabalhava pouco, até lhe sobrou tempo para fazer montagens com apresentadoras de televisão cujo título era "orgasmo". No caso de Letizia, o subtítulo era "orgasmo real". O ódio entre Urdangarin e Letizia é mútuo: ele acusa-a de estar por trás do que define como conspiração contra si e contra Cristina. Ela não diz nada, mas sabe-se que mal se soube do caso Noos percebeu que ou a monarquia se desembaraçava de Urdangarin ou a Espanha se desembaraçava da monarquia.

Varela. Na cerimónia de pedido de casamento, Letizia usou um conjunto calças-casaco branco de Armani. Casou-se com um vestido de manga larga desenhado por Manuel Pertegaz. Uma semana antes do seu casamento passara com distinção na apresentação às famílias reais quando, de braço dado com o príncipe Felipe, entrou na catedral de Copenhaga com um vestido vermelho vivo assinado por Lorenzo Caprile. Mas nenhum nome rivaliza no armário de Letizia com o de Felipe Varela. Aliás, terá sido na própria cerimónia do seu pedido de mão que os olhos de Letizia caíram numa criação de Felipe Varela: a sua futura cunhada, Elena, aconselhada em matérias de guarda-roupa pelo seu então marido, Jaime de Marichalar, apareceu com um conjunto cinzento que chamou a atenção da futura princesa das Astúrias. É certo que esta escolheu para fazer o seu vestido de noiva o criador Manuel Pertegaz, uma espécie de lenda no mundo da moda espanhola, o homem que não quis suceder a Dior e que deu a Letizia, no dia do casamento, o ar majestoso que resulta da simplicidade mais elaborada: não havia laços nem folhos, apenas um vestido magnificamente cortado. Contudo, foi já Felipe Varela o escolhido para vestir a mãe e as duas irmãs de Letizia no dia do casamento desta com Felipe.

Nos anos seguintes pode dizer-se que coexistiram dois Felipes na vida de Letizia, um, o Bourbón, é o marido. O outro, o Varela, seu costureiro de eleição. E foi vestida por Felipe Varela que ela se tornou rainha ao lado de Felipe de Bourbón. Curiosamente se sobre o seu casamento com Felipe os rumores sobre as crises são mais ou menos um tabu, já sobre a relação com o outro Felipe, o Varela, os boatos são constantes: de tempos a tempos, lá vem uma notícia dando conta da substituição de Felipe Varela como "modisto de cabecera" de Letizia. Juan Vidal e Jorge Vázquez foram nomes apontados como os novos preferidos da atual rainha de Espanha. Mas passado o entusiasmo inicial lá vem outra cerimónia e Letizia lá surge outra vez com um "Varela". Afinal, Varela até pode ser acusado às vezes de se "inspirar" demasiado noutros criadores, mas ao enorme talento junta uma qualidade vital para Letizia: é de uma discrição absoluta. Varela não dá entrevistas, mal se deixa ver e jamais protagonizou fugas de informação sobre a sua real cliente. O que, conhecendo-se Letizia, se sabe que é mais do que meio caminho andado para lhe ganhar a preferência.

Waldo Saavedra. Trata-se de um pintor cubano que, em 1996, conheceu uma rapariga espanhola que tratava por Leti. Esta trabalhava em Guadalajara para o diário mexicano Siglo XXI. Ela foi entrevistá-lo, ficaram amigos – só amigos, repetirá ele pelos anos fora! –, tão amigos que ele a pintará. O quadro da polémica tem 1,40 por 1 metro e nele vê-se claramente o rosto de Letizia. E não só. Também se vê um corpo de mulher nua da cintura para cima.

X. O que não se sabe, mas que a tia Henar Ortiz e o primo David Rocasolano garantem vir a contar. Estes dois parentes são uma verdadeira dor de cabeça para Letizia. A tia é republicana e muito de esquerda. O primo não se sabe politicamente o que é, mas sabe-se que esperava ser tratado doutro modo pela prima princesa e depois rainha. Resultado: ciclicamente lá vem mais uma declaração bombástica da tia Henar a pedir o fim da monarquia e mais uma revelação do primo David. Entre o muito que este contou vem sempre a referência ao aborto que Letizia teria feito quando estava noiva de Tejera e cuja documentação lhe pediu para ele, David, destruir.

Yoga. Sim, Letizia pratica yoga e também tem aulas de zumba. Valha a verdade quem nem o yoga nem a zumba a conseguiram libertar daquele ar de permanente tensão em que parece encontrar-se as 24 horas do dia. Mas não é por causa dos seus efeitos benéficos (ou da falta deles, no caso de Letizia) que o yoga aqui surge. Acontece que o yoga foi o pano de fundo da maior gaffe de Letizia desde que, a 1 de novembro de 2003, a Casa Real espanhola emitiu um comunicado a anunciar o compromisso matrimonial do príncipe Filipe com Letizia Ortiz Rocasolano.

Mas vamos lá então ao yoga (e de caminho também ao Zé Colmeia porque, em Espanha, Yogui tanto designa os praticante de yoga quanto a personagem Zé Colmeia). Letizia é uma fã do yoga (e das alfaces biológicas e de toda a gama de produtos naturais). Mas Letizia não faz yoga sozinha. Entre os seus colegas de aula de yoga contava-se Javier López Madrid. Amigo de Letizia e de Felipe, o nome de Javier López Madrid foi envolvido no escândalo dos gastos pessoais dos conselheiros e gestores da Caixa Madrid e Bankia. Acontece que por via deste e doutros enredos o telemóvel de López Madrid acabou nas mãos de um juiz e eis que na caixa das mensagens se encontra um sms recebido a 15 de outubro de 2014 (dia em que foi conhecido o escândalo da Caixa Madrid e Bankia): "Ltzia. Escrevi-te quando saiu o artigo dos cartões de crédito na merda de LOC [suplemento do jornal El Mundo] e já sabes o que penso. Javier. Sabemos quem és. Sabes quem somos. Conhecemo-nos. Estimamo-nos. Respeitamo-nos. O resto, merde. Um beijo compi yogui (miss you!!!)."

De imediato choveram críticas. Para Felipe e Letizia acabou-se a amizade com Javier López Madrid e nas hemerotecas ficou um artigo que Letizia preferia que não tivesse sido escrito: "Soy el jefe de ‘la mierda de LOC’ y espero, Majestad, que siga leyéndonos", assinado pelo jornalista Iñaki Gil.

Zarzuela. Um conjunto de construções que alberga a sede da Casa de Sua Majestade. Entre gabinetes, escritórios, jardins, cozinhas, a Zarzuela é também o lugar da privacidade de Felipe e Letizia. Conseguir que a Zarzuela seja a sua casa e fazer dessa residência oficial uma casa de família é sem dúvida uma das tarefas mais difíceis de Letizia. Até agora bem-sucedida.

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