Celebridades

A história de Joyce Bryant, a última diva viva

Chamam-lhe a "Diva Perdida” ou a Marilyn Monroe negra. Esta mulher, hoje com 91 anos, abriu caminho para outras estrelas musicais como Aretha Franklin e afastou-se das luzes da ribalta até que o mundo se esqueceu dela. O seu legado musical, embora curto, é eterno.

19 de junho de 2020 | Rita Silva Avelar
De uma silhueta intocável, torneada pelos vestidos “estilo sereia”, o cabelo curto e branco platinado, e uma expressão glamorosa, Joyce Bryant era a cantora preferida de Martin Luther King, e uma das estrelas mais promissoras das décadas de 40 e 50. Depois, decidiu afastar-se do mundo do espectáculo e dedicou-se à religião e ao ensino vocal. Havia quem lhe chamasse a “Marilyn negra” por causa do visual arrojado e de se ter tornando na primeira sex symbol afro americana. A Vanity Fair espanhola recorda-a, num artigo recente, como uma das últimas divas vivas.

Nascida Emily Bryant em Oakland, na Califórnia, e a terceira de oito irmãos, Joyce Bryant foi a estrela do Copacabana, em Manhattan, onde atuou com Sammy Davis Jr., e houve quem a comparasse a Aretha Franklin, dizendo que esta era o protótipo do soul da cantora, uma versão evangélica de July Garland ou até uma mistura entre as vozes de Grace Jones e Maria Callas. Na sua primeira performance, num bar, deslumbrou a plateia com On Top of Old Smoky. Seguiram-se quatro anos de performances, que lhe valeram os títulos de "The Bronze Blond Bombshell" e “The Voice You’ll Always Remember.”

Em 1952, Bryant tornou-se na primeira artista negra a atuar no Hotel Aladdin Room em Miami Beach, na Flórida, embora as leis de segregação racial não permitissem que esta ficasse a dormir no hotel, nem que fosse fotografada em frente à fachada. Além da música, ia embarcando numa carreira como atriz, uma vez que foi a primeira escolha do realizador Otto Preminger para o filme Carmen Jones, cujo papel acabou por ser entregue a Dorothy Dandridge.

Entre as suas performances mais famosas, e além do Copacabana, passou pelo Hollywood’s Coconut Grove, o Teatro de Chicago em Illinois, e o Teatro Apollo no Harlem, durante o ano de 1955. Entre as suas designers preferidas estava Zelda Wynn Valdes, que a vestia com criações tão justas que, no fim de cada espectáculo, tinha que ser literalmente “carregada” para fora do palco. Diz-se que magnetizava multidões com sedutoras canções de amor, como Love for Sale e Drunk With Love.

Segundo o site Black Past, e como em quase todas as histórias de divas há um drama, o de Joyce Bryant ocorreu nesse ano glorioso. Após uma atuação, foi agredida fisicamente por ter recusado serviços sexuais. O incidente ganhou proporções maiores, tornando-se público, e acabou por manchar a sua reputação. Mais tarde, abusou de comprimidos para dormir, o seu cabelo ficou danificado devido a uma coloração intensa e teve de recorrer a perucas depois de um resultado desastroso. Além disso, e devido à intensa frequência com que atuava, a sua voz acabou por ficar danificada. Aos 28 anos afastou-se dos palcos para ir estudar na Universidade de Howard, regressando à indústria musical nos anos 60, para se tornar professora vocal.

Criada numa família profundamente crente na Igreja Adventista do Sétimo Dia, refugiou-se nesta religião. Como professora da Opera da Cidade de Nova Iorque, acabou por treinar vozes como a de Phyllis Hyman, Raquel Welch, Michelle Rosewoman e Jennifer Holiday. Hoje, com 91 anos, vive com Alzheimer aos cuidados de uma sobrinha, Robyn LaBeaud. Recusou-se, até ao fim da sua carreira, em ser uma vítima da gigante máquina do entretenimento. De resto, tudo permanece em mistério.

The Last Diva, ou em português a última diva, é o nome do documentário que o jornalista e o cineasta musical Jim Byers, que ouviu falar dela em 1998 e a perseguia até poder entrevistá-la, tenta realizar há duas décadas (e que ainda está por terminar).
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