Os erros que comete cada vez que faz xixi

À partida, expelir urina não tem nada de misterioso. Qualquer criatura com bexiga e uretra é capaz de o fazer. Porém, há erros que quase todas as mulheres cometem e que podem causar perdas urinárias e até incontinência. Saiba quais são e como evitá-los.

Erros comuns ao urinar podem levar a perdas e incontinência em mulheres Foto: IMDb
29 de janeiro de 2026 às 16:40 Madalena Haderer

Se o seu dia não tem horas suficientes para tudo o que precisa de fazer, se anda sempre a correr e, mesmo assim, falha em todas as frentes, o mais provável é que nem na casa de banho tenha descanso. Independentemente do que se prepare para fazer, rapidez é sempre o nome do jogo. E o mais provável é que leve o telemóvel na mão, para ir respondendo a uns emails, ou uma criança agarrada às saias. Tudo normal? Sim e não. De facto, aparentemente, as mulheres são as campeãs do “power peeingou o ato de, traduzindo livremente, fazer força para despachar quando vão urinar. O problema é que, quando se chega aos 40, a fatura aparece e é bastante cara. No mínimo, paga com perdas esporádicas, quando ri, tosse ou faz esforços, no máximo, paga com incontinência urinária.

Quem o diz é Sara Reardon, terapeuta do pavimento pélvico norte-americana, que foi, recentemente, ao podcast da autora e jornalista Tamsen Fadal, The Tamsen Show, dedicado a questões femininas. Questionada pela jornalista sobre o que deve fazer uma mulher que comece a notar perdas de urina, a terapeuta diz que chama sempre a atenção para três coisas. Primeiro, é importante sentar na sanita – fazer xixi com o rabo no ar, como fazemos numa casa de banho pública, é problemático porque nessa posição é mais difícil esvaziar a bexiga e não esvaziar a bexiga completamente pode promover não só incontinência, como infeções urinárias. Segundo, não devemos fazer força para expulsar o fluxo com mais rapidez porque isso enfraquece a musculatura do pavimento pélvico, o que pode levar a perdas urinárias. O correto, explica a terapeuta, é: “Sentar, inclinar para a frente, deixar os músculos relaxar e a bexiga vai empurrar a urina para fora. Não é preciso fazer força.” A terceira recomendação que Reardon faz é que só se deve urinar quando se tem mesmo vontade – tanto prolongar no tempo as idas à casa de banho como ir com demasiada frequência pode causar “disfunção da bexiga”.

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Esta recomendação ressoa bastante com a maior parte das mulheres, principalmente as que trabalham sentadas ao computador e que, apesar de já estarem muito aflitas, tentam escrever só mais uma frase para não se esquecerem da linha de pensamento. Por outro lado, quem se lembra de ser criança e de ter a mãe a insistir que temos mesmo de fazer xixi naquele momento porque tão depressa não volta a aparecer uma casa de banho, enquanto nós chorávamos e insistíamos que não tínhamos vontade – pessoalmente, sempre desconfiei que aquilo não podia fazer bem à saúde.

Por último, para quem já experiencia perdas urinárias de vez em quando, a terapeuta recomenda que se contraia a musculatura imediatamente antes de percebermos que vamos tossir ou espirrar, impedindo a perda urinária. Estas contrações são também conhecidas como exercícios Kegel, que são destinados a fortalecer os músculos do pavimento pélvico – o conjunto de músculos que sustenta a bexiga, o útero e o intestino (nas mulheres) e a bexiga e o intestino (nos homens – sim, eles também devem fazer).

Nas mulheres, os exercícios de Kegel ajudam a prevenir e tratar a incontinência urinária, a melhorar o controlo da bexiga, a reduzir o risco de prolapso dos órgãos pélvicos, a melhorar a sensibilidade e a função sexual, a apoiar a recuperação pós-parto e a atenuar alterações associadas à perimenopausa e menopausa. Já nos homens, os Kegel são usados sobretudo para melhorar a incontinência após cirurgia à próstata e ajudar no controlo da ejaculação.

Na prática, os exercícios Kegel consistem em contrair os músculos do pavimento pélvico (precisamente aqueles que nos permitem interromper um fluxo de urina) durante três a cinco segundos, relaxar durante três a cinco segundos, e repetir 10 vezes, fazendo duas a três séries por dia. É importante não contrair os glúteos, o abdómen ou as coxas.

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Para terminar, Sara Reardon alerta que nenhuma perda urinária é normal ou aceitável. Não é o que acontece com a idade, nem faz parte da vida – embora a diminuição dos níveis hormonais a partir dos 40 possa contribuir para este quadro, isso não é algo que deva ser, simplesmente, suportado, mas tratado. Se uma mulher tiver perdas urinárias e não sentir melhorias com a sugestões apresentadas – e com uma rotina diária de exercícios Kegel – deve mesmo procurar ajuda junto de um terapeuta do pavimento pélvico.

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