Março Amarelo. A dieta ideal para mulheres com endometriose, segundo especialista
Este mês coloca no centro da conversa uma condição de saúde tão comum quanto frequentemente ignorada.
Um estudo apresentado no início deste mês acaba de lançar uma nova acha para a fogueira da menopausa – um fogo que, literalmente, arde sem se ver. De acordo com os investigadores, os sintomas auditivos que surgem na fase da perimenopausa e menopausa, e que tendem a ser desconsiderados como um problema no ouvido, podem, na verdade, ser um sinal de que algo se passa com o cérebro. O estudo, publicado na revista médica digital Trends in Cognitive Sciences, sublinha que “a menopausa não é apenas um marco hormonal ou reprodutivo, é uma transição neurológica complexa”. Isto porque os receptores de estrogénio são encontrados em todo o cérebro, bem como nos órgãos sensoriais (o que inclui os ouvidos) onde “desempenham um papel neuroprotector”. “A sua presença,” dizem ainda os investigadores, “combinada com a queda de estrogénio durante a menopausa, sugere que as alterações hormonais podem afectar tanto a cognição como o processamento sensorial.”
Quer isto dizer que os recetores de estrogénio revestem todo o sistema auditivo, desde a cóclea até às estruturas auditivas centrais do cérebro, protegendo a audição. Quando o nível de estrogénio desce na perimenopausa, esta proteção diminui. Razão pela qual muitas mulheres relatam passar a ouvir apitos ou zumbidos (também designados por tinnitus ou acufenos e que correspondem à perceção de um som, no ouvido ou na cabeça, uni ou bilateralmente, sem a existência de um estímulo externo), a ter dificuldades de audição, maior sensibilidade auditiva ou até a sentir comichão nas orelhas e nos ouvidos.
Os investigadores sublinham ainda que “embora os impactos neurológicos e psicológicos da menopausa comecem a receber atenção na investigação e no debate público, as alterações sensoriais, particularmente a auditiva, permanecem amplamente ausentes desta discussão”. No entanto, alertam que “estas alterações na função auditiva podem representar uma peça fundamental que faltava para a compreensão da saúde cerebral feminina”.
Mais importante ainda, o estudo indica que uma investigação do Biobank (uma base de dados biomédica e recurso de investigação de grande escala que contém informações abrangentes sobre genética, estilo de vida e saúde de 500 mil participantes do Reino Unido), que levou em consideração mais de 214 mil mulheres confirmou que “tanto a menopausa natural como a cirúrgica estão associadas, de forma independente, a um risco aumentado de perda auditiva, com a menopausa precoce a apresentar o maior risco de todos”.
Os investigadores alertam, ainda, para o facto de estas alterações auditivas durante a menopausa serem “particularmente preocupantes”, dado que as mulheres com perda auditiva “podem enfrentar um risco mais elevado de demência do que os homens com perfis auditivos comparáveis, o que,” dizem, “realça a necessidade de compreender como as alterações hormonais, auditivas e cognitivas interagem durante esta transição”. Sobre esta interação, estes especialistas avançam três ligações plausíveis: “a menopausa pode afetar o sistema auditivo, a menopausa pode afetar o sistema cognitivo e as alterações auditivas podem amplificar a vulnerabilidade cognitiva, enquanto os comprometimentos cognitivos podem ter impacto no processamento auditivo”.
Independentemente das ligações em causa, certo é que o sistema de saúde tende a tratar problemas de audição, cognitivos e hormonais como três realidades separadas quando, na verdade, de acordo com este e outros estudos recentes, há cada vez mais evidências de que os três sistemas estão relacionados. Portanto, se sentir algum tipo de alteração auditiva, peça ajuda e não deixe que lhe digam que é “normal”. Procure um especialista em menopausa, ou em medicina funcional e de longevidade, que sabe que, quando se trata a diminuição dos níveis hormonais – quer isso signifique terapia de substituição hormonal, mudanças de dieta e estilo de vida, ou outros tratamentos –, os sintomas auditivos e cognitivos podem ser controlados.