Para as passerelles de FW26 a idade deixou de ser tendência - e ainda bem
Entre cabelos grisalhos e histórias escritas no rosto, as semanas da moda mostraram que a verdadeira elegância vai muito além da juventude.
Modelo apresenta casaco elegante em passerelle, desafiando padrões de juventude na moda
Foto: ModaLisboa | Alexandre Azevedo27 de março de 2026 às 16:32 Joana Grilo / Com Patrícia Domingues
Será a juventude um sinónimo de moda e beleza? E as mulheres mais velhas? A elegância de uma mulher no auge dos seus 50 anos, as histórias que contam cada uma das linhas do seu rosto, a força e experiência que cada corpo carrega. A beleza de uma mulher é muito mais do que um rosto jovem, liso e 'perfeito'.
Na indústria da moda, existe um paradoxo "curioso": são as mulheres mais maduras quem, de facto, investe nas peças que desfilam nas passerelles, quase sempre apresentadas por modelos muito jovens. A que se deve isto? Por pensarem que ao vestir uma peça que foi apresentada por uma jovem as fará mais jovens? Há tantas perguntas sobre este tema e a resposta que poucos dão, é: a beleza de uma mulher não está nas passerelles, não se define pela roupa que usam e muito menos pela idade que têm.
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No entanto, nesta última temporada de semanas da moda este padrão tem-se vindo a quebrar. Quase como que um reconhecimento silencioso desta realidade, algumas passerelles abriram espaço a mulheres entre os 40, 50 e 60 anos, figuras conhecidas e anónimas, que refletem com a maior honestidade o público que consome moda. Na Chanel, Matthieu Blazy deu o início ao desfile com Stephanie Cavalli, de 50 anos, assumindo com orgulho, os cabelos grisalhos. Ao longo da temporada, outros nomes icónicos regressaram aos desfiles: Kristen McMenamy, aos 61, e Mariacarla Boscono, aos 45, trouxeram consigo uma presença carregada de história e atitude.
Foto: Getty Images1 de 3 /Stephanie Cavalli, 50 anos, em Chanel
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Foto: Getty Images2 de 3 /Maricarla Boscono, 45 anos, em Ferrari
Foto: Getty Images3 de 3 /Kristen McMenamy, 61 anos, em Miu Miu
Mas não ficamos por aqui. A homenagem à beleza e sabedoria das mulheres continua a ser um momento icónico de diversos desfiles. Para além das modelos, também algumas personalidades culturais com mais de 40 anos marcaram presença nas passerelles, como Gillian Anderson e Chloë Sevigny, reforçando a ideia de que estilo e relevância não têm prazo de validade.
Foto: Getty Images1 de 2 /Chloë Sevigny, 51 anos, em Miu Miu
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Foto: Getty Images2 de 2 /Gillian Anderson, 57 anos, em Miu Miu
Mais do que um gesto estético e de inclusão, as escolhas dos designers de moda parecem desafiar uma cultura obcecada pela juventude eterna e como sinónimo de beleza feminina. Parece que envelhecer é quase um tabu e a pressão para manter uma aparência jovem começa cada vez mais cedo. O que não é verdade.
Também na última edição da ModaLisboa, sobre as coleções de outono/inverno 2026, fomos surpreendidas pela modelo Sasha Burman, que desfilou para Arndes, Luís Carvalho e Nuno Baltazar. Podemos encarar o copo meio vazio, mas nesta temporada celebramos o meio cheio: na moda, a idade é apenas um detalhe - e nunca uma barreira.
Modelos mais experientes brilham em passerelle e inspiram novas gerações
Foto: ModaLisboa | Alexandre Azevedo
Numa altura em que a moda é cada vez mais escrutinada, as novas propostas levantam questões além da estética. Falámos com a marca portuguesa sobre cultura, herança e celebração.
Na 66ª edição, a semana de moda de Lisboa afirmou-se como um território de reflexão no qual corpo, tecnologia e identidade se cruzam. Mais do que desfiles, "Pebbling" revelou uma indústria em transformação - inquieta, consciente e cada vez mais próxima do outro.
Associado há décadas às clássicas bandanas, este motivo ornamental atravessou séculos, culturas e movimentos estéticos - e regressa agora à moda contemporânea com uma nova relevância.