Como 'desligar' no meio do caos de 2026? 6 sugestões para, pelo menos, tentar
Um peso invisível que está a esgotar uma geração.
Miolo a escorrer pelas orelhas. Putrefacção cerebral. Ou, como diria a universidade de Oxford, brain rot. Uma ocorrência tão comum que o famoso estabelecimento académico a elegeu como palavra do ano 2024 – apesar de ser um termo composto por duas palavras, mas isso agora, como diria Teresa Guilherme, não interessa nada.
Independente do que lhe chamemos, toda a gente sabe do que estamos a falar porque quase toda a gente passa por isso. Sabe aquela intenção de se sentar no sofá, para relaxar uns minutos enquanto passa os olhos pelas redes sociais, e acaba a dar um salto alvoroçado, com o sol já a pôr-se, sem saber para onde foi a última hora e meia? Ou quando diz que hoje vai para a cama cedo, e vai, de facto, só que passa duas horas a ver posts e reels e stories, com a cabeça debaixo do edredão? A ideia é sempre relaxar, desanuviar, mas o que é certo é que, depois de uma sessão prolongada de scroll sentimo-nos sempre psicologicamente desgastadas, mentalmente estafadas e a sentir que mandámos tempo para o lixo.
Como aqui na redação da Máxima padecemos do mesmo mal – ainda por cima temos a desculpa de o nosso trabalho nos obrigar a andar a par da cultura popular –, decidimos ir à procura de soluções e antídotos para esta facilidade com que nos perdemos nas redes sociais. O que se segue é o nosso guia para contrariar a ânsia de scroll infinito.
1. Substituir o scroll por palavras-cruzadas ou jogos que puxam pela cabeça – muitas vezes é quando estamos à secretária e a começar a perder a concentração que agarramos no telemóvel para ver o que se passa nas redes sociais. É normal e até saudável fazer pequenas pausas entre tarefas. Porém, concluir um pequeno jogo de palavras cruzadas ou algo do género dá uma boa sensação de termos atingido algo, em vez de passarmos cinco ou dez minutos a fazer uma coisa que um macaquinho também consegue fazer (isto, se não decidir arremessar o telefone pelo ar).
2. Limitar o tempo – uma outra forma de não se deixar levar pelo scroll infinito é entrar nas redes sociais de modo intencional. Ou seja, olhe para o relógio e diga para si mesma "vou estar aqui 10 minutos" e cumpra. E quem diz 10 minutos, diz meia hora. O que importa é que cumpra a sua própria palavra, até porque isso ajuda a aumentar a confiança que tem em si mesma. E a confiança nunca é demais.
3. Definir blocos de tempo – já que andamos todas meias viciadas nas redes sociais, nada melhor do que olhar para elas como quem olha para os cigarros. Ora, quem já foi fumador, diz sempre que há um ou outro cigarro diário, aquele que dá mais prazer, que é o mais difícil de cortar. Pode ser ao acordar, com um café, depois das refeições ou depois de uma sessão de sexo. Olhe para as redes sociais com a mesma perspetiva: perceba qual é o momento de scroll que lhe traz mais satisfação e mantenha-o, mas apenas esse, ou, vá, dois ou três momentos por dia. Por exemplo, 10 minutos enquanto bebe um café a meio da manhã, e 15 minutos antes de se decidir a ir fazer o jantar.
4. Deixe o telefone lá fora – quantas vezes se senta no sofá com intenção de ler um livro ou ver um documentário e, quando dá por si, esticou a mão para o telemóvel – às vezes com boa intenção, como procurar o significado de uma palavra – e por lá ficou, a fazer scroll e, quando dá por ela, já se passaram 40 minutos e já não tem tempo para ver o documentário sem entrar pela hora de dormir a dentro. Deixar o telefone noutra sala ou, pelo menos, longe do alcance da mão pode ser a solução.
5. Que coisa mais aborrecida – os telemóveis atraem porque parecem pequenas slot machines. Coloridas e com musiquinhas e coisas a mexer. Para contrariar este efeito, nada melhor do que pôr o smartphone em escala de cinzentos, tirar notificações não essenciais e remover apps do ecrã principal. Resultado? Menos estímulo, menos vontade de fazer scroll.
6. Crie zonas interditas – defina áreas da casa ou momentos da vida familiar em que os telemóveis não são permitidos. À mesa, na hora das refeições e na cama, à hora de dormir são as opções mais óbvias. Mas se já tentou fazer o jantar com um parceiro que em vez de passar ingredientes e utensílios de cozinha, está completamente alheado do que está a acontecer à sua volta e entretido com o que se passa no ecrã do telemóvel, talvez decida nomear a cozinha como zona livre de telefones. E faz muito bem.
7. O scroll da recompensa – outra opção perfeita para quem tem uma lista de coisas para fazer do tamanho de um braço é cumprir uma tarefa cada vez que lhe apetece ir ao Instagram ou ao TikTok. Ou seja, primeiro estender a roupa, depois 10 minutos de scroll. Primeiro dobrar aquela pilha épica de roupa e depois ir para o Instagram ver a Marie Kondo transformar t-shirts em pequenos cubos que se aguentam em pé. Ou ainda primeiro limpar a areia do gato e depois ir ver vídeos de gatinhos a atirar areia por todo o lado, como se estivessem a semear. No fim do dia vai, certamente, sentir-se mais produtiva.
8. Vá mas é fazer alongamentos! – esta jornalista anda a viver (mal!) com uma tendinite no ombro já há umas boas semanas e tem de fazer cinco minutos de exercícios de fisioterapia várias vezes por dia. O que é que aconteceu? Como já deve ter adivinhado, o tempo não estica e, portanto, fui forçada a trocar as minhas pausas para o Instagram por pausas para esticar o tricípite. Sendo que passamos boa parte da nossa vida mal sentadas e inclinadas sobre o computador, a melhor coisa que podemos fazer é mesmo tirar cinco minutos por hora para nos esticarmos, como gatos. Se tudo isto falhar, pode sempre comprar um telemóvel de teclas. Uma medida dramática, mas libertadora – pelo menos, é o que dizem.