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Culturas

Estes são os nossos hábitos à mesa

17 de fevereiro de 2016 Máxima

70% DOS PORTUGUESES DEMORA MENOS DE 30 MINUTOS PARA TOMAR A SUA REFEIÇÃO &

MAIS DE 50% DAS PESSOAS QUE DEDICAM POUCO TEMPO ÀS REFEIÇÕES SOFREM DE MAL-ESTAR: MÁ DIGESTÃO

         Ao contrário dos homens, para as mulheres a companhia é mais importante do que a comida numa refeição.
         Mais de 70% utiliza aparelhos móveis durante as refeições. Os homens usam mais do que as mulheres.
         8 em 10 atendem chamadas durante as refeições e 93% utiliza a TV enquanto come.
         81% concorda que os aparelhos electrónicos prejudicam o convívio às refeições. Mesmo assim, 72% não tem em casa a imposição de não utilizar tecnologia na hora da refeição.
         Lisboa e Porto são as zonas do país onde as refeições à mesa são menos frequentes.
         Os Portistas valorizam mais a boa companhia à mesa do que os Lisboetas.
  1. Segundo estudo realizado pela marca Activia, para 84% as refeições são um momento de reunião da família. Mais de 50% dos Lisboetas deixam os seus filhos saírem da mesa antes da refeição ter terminado, enquanto que no Porto apenas 25% dá essa permissão.

    Mais de 50% das pessoas sofrem mal-estar quando dedicam pouco tempo às refeições: sofrem de má digestão.

A verdade é que cada vez mais temos deixado de desfrutar do momento das refeições. Isto porque deixamos que outras obrigações e distracções invadam estes momentos. No entanto, todos sabemos que aproveitar bem a hora da refeição, não só pelo comer bem, mas também pelo desfrutar do momento e da companhia, ajuda ao nosso bem-estar.

Ora, se sabemos isto, porque fazemos exactamente o contrário? É neste âmbito que Activia construiu a sua comunicação para 2016 e vem agora incentivar a que se volte a desfrutar das refeições! Porque comer é muito mais do que comer. É não perder uma oportunidade de desfrutar os momentos e enchê-los com experiências e significados.

Para isso, a marca realizou um estudo no início deste ano, em conjunto com a Marktest - e com uma análise por parte do Sociólogo, Professor da Universidade Aberta e Investigador do ISCTE-IUL, Pedro Abrantes. Este estudo vem ajudar a perceber qual o comportamento dos portugueses, concluindo que ainda temos muito para evoluir. Ou será antes "desevoluir"?

Talvez esteja na hora de regressarmos a velhos hábitos…

A verdade é que para 32,9% dos inquiridos, as refeições são um momento social partilhado com as pessoas de quem mais se gosta, e para 31,6% as refeições são um ritual fundamental de convívio e degustação. Aliás, mais de 50% admite que prefere uma má comida desde que acompanhada de uma boa conversa.

As mulheres são as que mais refeições tomam durante o dia (cerca de 5). Segundo Pedro Abrantes, "é muito positivo que a maioria dos portugueses afirmem que fazem 4, 5 ou mesmo 6 refeições diárias, não apenas porque é pouco saudável passar muitas horas sem comer, mas porque também no trabalho é importante haver momentos de pausa, em que se pode interagir com os colegas de forma mais descontraída e informal. Contudo isto é muito mais comum nas mulheres, havendo efetivamente sinais de uma alimentação menos saudável e menos convivial nos homens, com consequências muito negativas, inclusive, na sua esperança de vida".

No entanto, é alarmante perceber que 17% dos inquiridos não toma pequeno-almoço diariamente e 34% não toma lanche durante a manhã.

Dos inquiridos, 63% usa sempre a mesa para as refeições, mas entre as alternativas o sofá é o grande vencedor com 32,2% de adeptos. 27% afirma mesmo que a cama é também uma boa possibilidade.

Quando tentamos perceber o que os impede de desfrutar mais das horas das refeições, a maioria dos inquiridos refere a actividade profissional. Logo a seguir verifica-se que mais de 40% se refere ao uso de dispositivos móveis.

Segundo Pedro Abrantes, "a intensidade do uso dos equipamentos tecnológicos à refeição sugere um processo de descivilização, sendo fundamental que a mudança tecnológica seja acompanhada por novas normas de convivência familiar e social. É certo que a grande maioria dos pais impõe regras aos seus filhos quanto ao uso de tecnologia à mesa, mas o facto de violarem frequentemente eles próprios essas regras, faz com que estas possam ter efeitos nulos ou mesmo perversos, tornando a refeição um momento de incompreensão, tensão e conflito".

MENOS DE 30 MINUTOS DEDICADOS ÀS REFEIÇÕES IMPORTANTES DO DIA

Na verdade, os portugueses comem cada vez mais "a correr".Cerca de 82% dos inquiridos despendem metade ou menos da sua hora de almoço e 70% demora menos de 30 minutos para tomar a sua refeição - mais de 50% dizem que é a actividade profissional a culpada. As mulheres referem utilizar menos de metade da hora de almoço para tomar a sua refeição.

 

Neste estudo, Activia percebeu ainda que mais de 50% das pessoas sentem mal estar quando dedicam pouco tempo às refeições: sofrem de má digestão! Sobretudo as mulheres, sendo a sensação de barriga inchada e a má digestão os sintomas mais comuns que se verificam. Por isso, comer num espaço agradável, em boa companhia e com calma são dos aspectos mais valorizados nas refeições, a seguir à qualidade da comida.

70% DOS PORTUGUESES USA DISPOSITIVOS MÓVEIS ÀS REFEIÇÕES

Somente ¼ dos inquiridos refere nunca utilizar o telemóvel à refeição. Além disso, 93% dos inquiridos admite utilizar a TV - um hábito mais frequente junto dos mais jovens.

Para Pedro Abrantes, "estes dados confirmam um maior desprendimento e individualização das práticas de alimentação e de convivência, sobretudo por parte dos jovens, do sexo masculino o que é uma ilusória prova da sua virilidade, acabando por ter consequências muito negativas, tanto em termos de problemas de saúde, como em termos do enfraquecimento dos seus laços afetivos e das atividades que desempenham no espaço público, o que tem sido muito visível, por exemplo, ao nível dos percursos escolares".

Os inquiridos que utilizam aparelhos à mesa fazem-no sobretudo "para se informar" (59,6%). Seguem-se os motivos "Para se distrair" (36,6%) e "Para fazer chamadas pessoais" (23,9%). Na verdade, é alarmante quando percebemos que 5 em cada 10, quando faz uma refeição com os amigos, tem um aparelho electrónico em cima da mesa

Apesar de 81% concordar que os telemóveis e outros aparelhos electrónicos prejudicam o convívio às refeições, a maior parte (72%) não tem em casa a imposição de não utilizar tecnologia na hora da refeição. E 8 em cada 10 inquiridos atendem chamadas profissionais ou pessoais durante a refeição.De referir ainda que 6 em cada 10 pais têm filhos que pedem para sair da mesa antes de todos terem terminado a refeição para ver TV ou para utilizarem aparelhos electrónicos.

 

Segundo Pedro Abrantes, "o estudo indica que a maioria dos portugueses continua a valorizar a refeição caseira, enquanto momento primordial de convívio e partilha, o que está incrustado na cultura portuguesa. É um aspeto muito positivo, particularmente importante num período em que a família já não é uma unidade produtiva e passa a ser um agregado de indivíduos pluriativos, em que frequentemente a refeição é o único momento do dia em que a família se encontra para partilhar uma atividade. Contudo, mostra também que estes momentos são perturbados, não apenas pelo ritmo das atividades profissionais, mas cada vez mais também pela omnipresença das tecnologias da informação e da comunicação. Além disso, a desvalorização do pequeno-almoço é um erro e tem também consequências negativas ao nível da organização pessoal e familiar".

EM LISBOA E PORTO AS REFEIÇÕES À MESA SÃO MENOS FREQUENTES

Se fizermos algumas comparações regionais também é possível constatar alguns aspectos interessantes e diferentes entre as várias zonas do país. Lisboa e Porto são as zonas onde as refeições à mesa são menos frequentes - 50% dos Lisboetas refere mesmo não comer à mesa com frequência.

 

Quanto questionados sobre a sua opinião quanto à utilidade das refeições, Lisboa justifica-as mais como um ritual fundamental de convívio e degustação (38,2%), sendo para os residentes do Porto, bem como para o resto do país, um "momento social com as pessoas que mais gosto" (36,2%). Estes dados acabam por se confirmar quando constatamos que Lisboa é a zona do país onde a preferência recai sobre uma excelente comida com uma má conversa (37,7%), sendo para o Porto, e para o resto do país, preferível ter uma boa conversa com má comida (57,6%).

No que respeita ao envolvimento com a refeição, os residentes em Lisboasão os inquiridos que registam um maior número de Índices inferiores à média, sobretudo, nos aspetos associados à envolvência com a família. Por outro lado, gostam mais de experimentar novos restaurantes. No entanto, os Portistas tendem a valorizar mais a boa companhia à mesa do que os Lisboetas.

 

Dos 66% que têm imposições em casa para não utilizarem tecnologia na hora da refeição, 83% dos residentes da Grande Lisboa não pode ter aparelhos electrónicos ligados ou em cima da mesa, enquanto no Porto apenas 68,8% adopta esta regra. Mais de 50% dos Lisboetas permitem aos seus filhos saírem da mesa antes da refeição ter terminado, enquanto que no Porto apenas 25% dá essa permissão. No país, é na zona de Lisboa que se encontra uma maior percentagem de inquiridos onde a televisão não está ligada durante as refeições (24,2%).

Tal como assinala Pedro Abrantes, "estes dados vêm confirmar, para o bem e para o mal, um padrão de valores e práticas mais europeus, na região de Lisboa, face a outros mais tradicionais, no resto do país, tendo aqui o Porto uma posição intermédia. Na capital, há efetivamente uma maior destruturação e diversificação das práticas, associado a ritmos de vida mais acelerados e a famílias mais pequenas, mas há também uma maior consciência do risco das tecnologias à mesa".

O presente estudo foi realizado pela Marktest com uma amostra de 606 indivíduos, junto de um universo com idades compreendidas entre os 18 e 64 anos de idade, de ambos os géneros, residentes em Portugal Continental.

Um estudo para reflectir e que irá servir de base para toda a estratégia de Activia em 2016. "Refeições Felizes, Digestões Felizes" é o mote da marca que pretende defender hábitos saudáveis à mesa, quer alimentares, quer comportamentais, repondo assim os valores associados ao conceito de Mindful Eating – comer de forma atenta e intensa, conscientes não só daquilo que comemos mas desfrutando também da forma como comemos.

 

Saiba mais
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