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Portugueses em Paris: sustentabilidade, liberdade e regresso às origens

Luís Buchinho, Katty Xiomara e Luís Carvalho apresentaram as suas coleções durante a Semana da Moda de Paris, no centro da Praça Vendôme, num desfile Portugal Fashion powered by ModaLisboa. Além da criatividade, há uma linguagem maior que os une.
Por Rita Silva Avelar, 27.09.2019

É oficialmente a última paragem do Portugal Fashion nas semanas da moda internacionais. As três salas principais do Hôtel d'Évreux, na Place Vêndome, foram as eleitas para revelar as propostas dos designers Luís Buchinho, Luís Carvalho e Katty Xiomara para o verão 2020. Xiomara apresentou After now, uma coleção que questiona os momentos circulares da vida, uma ideia que - como explica à Máxima – se relaciona com a necessidade de se conectar com a economia circular. "É inevitável falar em sustentabilidade e no fundo o ponto de partida foi esse. Cada vez mais o peso de trabalhar nesta área está lá e há de facto momentos em que isso faz diferença: no período entre a última coleção e esta (e também desde a anterior) fui sentido esse peso cada vez mais. Ainda que seja uma marca pequena, faço poucas quantidades, por encomenda, tenho um stock para a loja física e online." E foi nos detalhes que mais se evidenciou essa mesma sustentabilidade. "Tentei procurar pequenas coisas que pudessem fazer a diferença aos poucos. A maior parte dos materiais que utilizámos são reciclados de duas formas: porque estavam no nosso stock e porque já são naturalmente reciclados – algodão e poliéster. No caso do poliéster este permitiu que pudéssemos continuar com os estampados, utilizámos printing com sublimados. Guardámos o papel da sublimação e utilizámo-lo para embalagens. No fundo criámos um processo distinto que acaba por envolver alguma economia circular".

Antevendo o que tem preparado para o desfile que acontecerá no Portugal Fashion no Porto, Xiomara revela que "irá apresentar um documentário juntamente com a coleção e também um livro. São coisas que estão ligadas a mim e ao meu mundo. O livro fala das formas da mulher, com um design gráfico que também é nosso. Fala da versatilidade que a mulher pode criar no seu guarda roupa."

Por sua vez, Luís Carvalho regressa ao glamour dos anos vinte numa coleção que mantém os detalhes que marcam a sua identidade. "É um regresso a alguns anos do século passado, a Art déco, a emancipação da mulher. Nos anos 20 trabalhei mais as silhuetas, através dos materiais como as lantejoulas. No que diz respeito à emancipação da mulher tentei trabalhar os fatos mais masculinos e também reinterpretá-los, trabalhando os tecidos que uso habitualmente nesses fatos mais básicos." Sobre a ideia de liberdade, Luís explica que "foi uma boa altura para trabalhar o tema, porque é uma ideia de que se fala cada vez mais porque as coisas estão realmente a mudar."

Luís Buchinho segue a mesma linha no que respeita à sustentabilidade e renovação. "É uma coleção que fala em liberdade, em gentrificação, fala da maneira como encaramos o turismo nas nossas cidades, hoje em dia, e que tem vários momentos. Houve um exercício enorme a nível individual e de empresário, ao ter visto tudo aquilo que eu tenho dentro de portas e dar-lhes uma nova vida. A minha noção de sustentabilidade está muito ligada a tudo aquilo que eu já usei e quero reavivar. Essencialmente também porque são materiais muito nobres e que ao longo dos anos – neste sistema de mudança semestral – acabámos por desperdiçar. Sobra sempre imenso, por isso eu não quis desperdiçar nada."

A coleção demarca-se pelos jogos de cor e padrões geometrizados. "O jogo de geometrias, por exemplo, tem a ver com a minha relação com os confecionadores que me fazem os tricotados, vi o que tinham de stock e fiz um jogo engraçado com os fins de stock e consegui criar dez peças feitas em blocos de cor. Por exemplo, alguns prints surgiram de t-shirts que já tinha, mas fiz um print sobre outro print. Noutras peças voltei a plissar e a dar um acabamento com um fole e criar uma nova textura, um novo padrão. Os estampados, por exemplo, são sempre considerados tecidos mortos porque marcam muito uma estação e [nesta coleção] voltei a fazer prints sobre prints." Sobre se regressou à sua essência, Luís não hesita: "De certa maneira reforcei a imagem gráfica Luís Buchinho e com isso criei uma coleção que é muito sustentável, e que é um novo olhar sobre aquilo que eu tenho feito nos últimos anos, é uma nova maneira de abordar, e estou muito feliz com o resultado."

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