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Moda / Tendências

Pedro Pedro apresenta uma reinterpretação de 1984 em Milão

A coleção do designer para a próxima primavera/verão é novidade, modernidade e fantasia. O desfile contou com a presença de Suzy Menkes, editora internacional da Vogue, que ver conhecer de perto o trabalho do português.

24 de setembro de 2017 às 14:23 Carlota Morais Pires Adicione como fonte preferencial no Google

"As minhas referências vêm quase sempre do cinema", diz Pedro Pedro. Enquanto conversamos, as mil cores das suas peças, agora expostas num charriot metálico, forçam-nos a uma pausa. Querem ser vistas, tocadas, vestidas. É um caos visual, mas não podia ser mais interessante - a imagem é forte e o conceito sustenta-a com um ponto de vista. 

 

Nesta coleção, que imaginou para a próxima primavera/verão e que acaba de apresentar no Museo Nazionale Della Scienza e Tecnologia Leonardo da Vinci, em Milão com o Portugal Fashion, o criador português quis partir da ideia de uniformidade para nos trazer o oposto - isto é, um grito pela individualidade. "A história que é contada em 1984 [a obra original de George Orwell, adaptada ao cinema em 1956 por Michael Radford e que agora também dá nome à coleção do designer] fala de uma norma, de uma sociedade apática, da uniformização das pessoas e das coisas", continua o criador, que diz que estes também são sintomas da contemporaneidade, que marcam uma fase que vivemos agora, que pede por mais originalidade e rasgos de criatividade, por ideias fora da caixa. O ponto de partida pode parecer cinzento, mas a concretização do conceito é uma explosão de tonalidades ácidas - é uma resposta utópica a um cenário distópico. "Peguei em malhas [as peças que diz serem as mais especiais da coleção] cor-de-rosa, verdes e amarelas, inspirei-me numa adolescência nos anos 90, no sportswear e no streetwear", explica.    

 

Pedro Pedro admite que se descolou das cores neutras, recorrentes no seu arquivo, mas é esse trabalho de explorar o desconhecido que mais lhe interessa como designer. "Gosto de pensar nas minhas coleções passadas e em tudo o que ainda não fiz. Se fizer sentido naquele momento e encaixar no meu universo, é essa a pista que tento seguir", acrescenta. "Nunca me interessei por trabalhar rendas, por exemplo, mas pode ser que as inclua na próxima coleção. É esse o desafio, exigir um maior esforço e criatividade", resume. As suas maiores referências agora continuam a ser as de sempre - Phoebe Philo na Céline, Helmut Lang e Margiela. "Sou um minimalista. Quer dizer, agora pode não parecer, assim à primeira vista, principalmente quando olhamos para todas estas cores. Mas as bases estão lá", ri. Fala do corte geométrico (e impecável) das peças, das linhas depuradas, das formas a direito. 

 

Além do tricot descobrimos nesta nova coleção outros materiais inesperados, como as musselinas e as gangas - ou o power suit que parece ser construído em papel plastificado e que deixou uma multidão a suspirar no minuto em que subiu à passerelle

 

Antes do desfile, Suzy Menkes, editora internacional da Vogue, conversou com o designer nos bastidores. Queria saber mais sobre as suas expectativas e conhecer o trabalho do português, que lhe parece ainda mais relevante e interessante agora. A Condé Nast (grupo editorial que detém a Vogue) prepara a próxima Luxury Conferency, a acontecer a 18 e 19 de abril de 2018 no Pátio da Galé em Lisboa. 

 

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