A ilusionista

Its a kind of magic

A ilusionista
03 de fevereiro de 2014 às 07:00 Máxima

Londres vai ser palco de uma das exposições mais aguardadas da estação. Isabella Blow: Fashion Galore! promete conquistar o público com uma exuberante coleção de moda, tão especial quanto a sua icónica autora.

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O fenómeno das exposições de moda que tomou de assalto as capitais do mundo (e não só) leva-nos a utilizar constantemente adjetivos como única, excecional ou imperdível. Normalmente, são compostas por peças pertencentes a arquivos ou a closets pessoais e temos raras oportunidades de vê-las. Não é por isso de estranhar a expectativa que a exposição Isabella Blow: Fashion Gallore!, em Somerset House (Londres), criou muito antes da sua abertura ao público, com uma venda de bilhetes frenética e um bom pretexto para a imprensa homenagear a mítica musa.

A moda deu o colorido toque de fantasia a uma vida marcada pela tragédia, que bem podia estar narrada num livro coberto de pó na biblioteca da propriedade da família aristocrata de Isabella Blow em Cheshire, Doddington Hall, agora desabitada. A carreira de trinta anos na moda começou com o cargo de assistente de Anna Wintour, na Vogue americana. De regresso a Londres, Isabella passou pela Vogue inglesa e foi diretora de moda da Tatler e da secção Style do The Sunday Times. Pelo meio lançou nomes que têm hoje lugar de destaque na moda, como criadores, modelos e fotógrafos. Musa e patrona de vários criadores, são conhecidas, especialmente, as suas estreitas ligações a Alexander McQueen, a quem comprou toda a coleção de fim de curso, e a Philip Treacy, a quem encomendou o chapéu para o seu segundo casamento, com Detmar Blow. Disse que a sua paixão pela moda foi despertada por um chapéu cor-de-rosa da mãe que adorava experimentar e os acessórios de cabeça acabaram mesmo por se tornar uma das suas imagens de marca. “A moda é uma coisa vampírica, é o aspirador no teu cérebro. É por isso que uso chapéus, para manter toda a gente afastada de mim”, disse ela. Depois de várias tentativas, Isabella Blow acabou por suicidar-se em 2007, aos 48 anos, ao beber um herbicida, doente e com uma longa depressão.

O seu legado? Uma coleção de moda tão única quanto eclética que esteve prestes a ir a leilão, mas acabou por ser toda “resgatada” pela amiga de longa data de Isabella Blow, Daphne Guinness. Num artigo que o The Sunday Times dedicou a esta exposição ainda antes da sua abertura, podíamos ler que algumas das peças de Isabella Blow estão manchadas de batom e queimadas por cigarros. Afinal, elas testemunham a excentricidade de uma mulher que vivia pelas suas próprias regras e tratava a moda ao seu mais alto nível, usando-a.

A coleção

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Famosa herdeira, ícone de estilo ou musa são palavras que caracterizam Daphne Guinness, mas fica ainda muito por dizer sobre uma pessoa que se passeia pelos meios da sociedade e das artes como poucas outras. Tornou-se patrona da coleção da amiga Isabella Blow comprando-a antes desta chegar a leilão e acabou ela por leiloar, mais tarde, parte da sua própria coleção de moda em 2012, na Christie’s, em benefício da Isabella Blow Foundation. Daphne Guinness é uma referência na moda e está muito envolvida na realização desta exposição: “Quando visitei as suas adoradas roupas numa arrecadação em South Kensington, pareceu-me claro que a coleção seria de grande valor para muitas pessoas. Acredito que escolhendo exibi-la fizemos o que está certo – e isso é o que ela teria querido.”

A exposição

Tendo por curadores Alistair O’Neill e Shonagh Marshall, foi desenhada pela firma Carmody Groarke e conta com instalações da designer Shona Heath. Patente em Somerset House, Londres, de 20 de novembro a 2 de março de 2014, Isabella Blow: Fashion Galore! resulta de uma parceria com a Isabella Blow Foundation e a prestigiada escola Central Saint Martins. www.somersethouse.org.uk

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Cinco minutos com Shonagh Marshal…

Falámos com a cocuradora desta exposição quando se ultimavam os preparativos para a abertura.

Como surgiu a ideia desta exposição e porquê agora?

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Já está na calha há muito tempo, obviamente desde que a Daphne Guinness adquiriu a coleção de Isabella Blow da Christie’s. Isso foi algo que ela sempre tencionou fazer: uma exposição e contar a história da Isabella. Inicialmente, era para ser em Central Saint Martins e quando o projeto estava na fase de pesquisa, Alistair O’Neill, que trabalha lá e estava envolvido na exposição, apercebeu-se do tamanho da coleção e achou que um espaço maior lhe faria justiça, pois havia mais histórias para contar.

Quais são os destaques desta exposição?

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São tantos! É muito rica. Para mim, há três destaques: o primeiro é a escultura do Tim Noble e Sue Webster, que é a silhueta da cabeça dela [Isabella Blow] num pau, que faz agora parte da coleção permanente da Portrait Gallery. O segundo é constituído, provavelmente, pelos primeiros trabalhos de Alexander McQueen, a sua coleção MA. É tão raro ver tantas peças destas num só espaço, é muito excitante. Nessa mesma secção podemos ver peças de graduação de Philip Treacy, Julien McDonald e Hussein Chalayan, por isso celebra mesmo o olho de Isabella para os jovens talentos. A secção final da exposição tem muitos destaques e está muito próxima do meu coração. Há manequins nos quais foram construídos looks da mesma exata maneira que a Isabella os usava.

Pode falar-nos um pouco sobre a relação de Somerset House com as artes, em especial a moda?

Bem, estamos a começar a ganhar nome próprio. Somerset House é a casa da semana de moda, por isso há aí uma ligação direta. Temos ótimas exposições de moda como a do Valentino no ano passado, Tim Walker, Martin Margiela. No que toca a um programa mais extenso, acho que não é apenas moda, também há fotografia… Há sempre algo interessante. O facto de não termos uma coleção permanente significa que estamos abertos a interpretações no que toca à programação e isso é muito entusiasmante.

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