Mafalda Patrício, aos 9 meses de gravidez. “Também dou banhos, dou jantares. Vivo uma maternidade normal e aborrecida, só não a publico no Instagram.”
A excentricidade de Mafalda mora nos padrões; em casa, é prática, real e surpreendemente simples. Dias antes do segundo filho nascer, e fotografada pelo marido, a influencer fala de si enquanto mãe, das mudanças no corpo e dos momentos que nunca chegam ao feed.
A maternidade não mudou quem eu sou, a minha identidade, mas na minha vida pessoal foi uma mudança enorme, quer na liberdade quer na responsabilidade. Como pessoa, sinto que fiquei a mesma. Sou a Mafalda e continuo a ser a Mafalda, mas também sou mãe. Tal como em relação a outras alterações que foram acontecendo na minha vida, como o casamento. Essas mudanças moldam-nos, fazem com que nos adaptemos às circunstâncias que advêm do novo.
Tenho muitas amigas mães, portanto já ouvi muita coisa, mas nada do que nos dizem se equipara a vivermos a experiência. Diria que o primeiro mês pós-parto foi quando senti o maior impacto, o estar mais em casa e a própria passagem do tempo parece que ganha outro ritmo. De repente um dia parece que tem 48 horas. O estar offline, sem trabalhar, sentir que o mundo continua a acontecer, mas a minha vida estava noutro ritmo, com um recém-nascido e tudo o que isso implica.
As duas gravidezes foram muito diferentes. Nunca tive de pensar na alimentação e na gravidez não foi diferente. O que fez com que, na minha primeira gravidez, engordasse 18 quilos e, para mim, teve imenso impacto. Para ser honesta, odiei esse aumento de peso, mas tive sempre consciência de que era passageiro. Sabia que era momentâneo e que era uma fase. O que de facto aconteceu no pós-parto: voltei ao meu corpo normal muito rápido, de forma natural. Nesta segunda gravidez, ganhei muito menos peso e acho que ter um filho de dois anos ajudou muito nisso. Mas, da mesma maneira - e desta vez ainda mais! - sei que tudo é uma fase e que é tudo passageiro. Embora nesta gravidez tivesse algum receio do aumento de peso da primeira, não foi uma coisa em que pensei muito. Não senti uma exigência sobre a minha aparência no pós-parto; no entanto, e curiosamente, notei, quando voltei ao meu peso normal, quando voltei à minha roupa normal, que havia comentários nesse sentido. Sempre num tom de espanto e de elogio.
Tudo o que está no meu Instagram é uma escolha minha. Mas acho que é importante que as pessoas tenham consciência de que há um espaço privado, que nem tudo é publicado, que há todo um universo da maternidade que é normal, que é aborrecido, que é do dia a dia e que não é publicado. Eu dou jantares, dou banhos, como toda a gente, mas não é publicado. Claro que o meu marido e o meu filho são a minha vida, mas o meu trabalho não pode depender deles. Sobretudo, quero proteger o meu filho, quero proteger a privacidade do meu filho. As minhas seguidoras sabem que o Baltazar existe, mas não quero que o conheçam. Quero preservar a sua privacidade e a sua segurança.
Há também inúmeros temas da maternidade que não debato no Instagram. Converso com o meu marido, com as minhas amigas. No entanto, há outros assuntos, como a trombofilia e os abortos espontâneos resultantes dessa condição, que decidi partilhar porque, tendo passado pela situação, sabia que era importante falar sobre o assunto, sobretudo para dar esperança. Quis partilhar quando já estava tudo bem comigo, quando já estava consciente do problema. Apercebi-me de que era um problema mais comum do que parecia. Sabia da importância de não nos sentirmos sozinhas: até descobrir o problema foram 9 meses, o que, a bem da verdade, foi muito rápido, mas, quando estás na situação, parece muito mais tempo. Por isso, senti que tinha a responsabilidade de partilhar.
Nunca tinha recebido tantas mensagens, desde pessoas comuns a muito conhecidas. Pessoas com dúvidas, a agradecerem-me. E isso emocionou-me imenso - e quem me conhece sabe que não é fácil emocionar-me. No fim, como disse no meu primeiro post, queria que fosse algo feliz, de esperança, de transmitir informação. Nesta gravidez quis repetir porque, tendo em conta o impacto da primeira partilha, sabia que era importante. Tenho tido imensas conversas com pessoas que me enviam mensagens sobre este assunto. E relaciono-me porque, no início, também me senti sozinha e também procurei pessoas na mesma situação. Também queria ter esperança.
Nem tudo o que vemos, nem tudo o que lemos é verdade. E não há certezas absolutas sobre nada. Sobretudo no Instagram encontramos muitas certezas absolutas em testemunhos e partilhas. As pessoas têm de saber que não temos de interpretar assim, porque corresponde à realidade de outra pessoa. Eu não leio sobre maternidade porque, para mim, a maternidade sempre foi muito intuitiva. E muitas vezes as certezas absolutas afetam essa intuição. Nas certezas absolutas também tende a haver uma imposição e acredito que os outros não têm o direito de impor as opiniões deles e, propositadamente ou não, acabam por o fazer. A realidade de cada um de nós, de cada uma de nós, é individual. Tal como a “recuperação” e o corpo são individuais e dependem exclusivamente da realidade de cada uma.
Há um fator que gostava de realçar: o tempo em casal é mesmo importante. E sei que eu e o Diogo temos muita sorte e é um enorme privilégio podermos deixar o nosso filho com os nossos pais. Eu não me casei pela igreja, mas, um dia, num casamento a que fui, ouvi um padre dizer: “vocês têm de se lembrar que, antes dos vossos filhos, existe um casal, que são vocês os dois. E, sem vocês os dois, os vossos filhos não existiam”. A longo prazo é super importante lembrarmo-nos disto. O ir jantar fora, o passar tempo em conjunto. Porque a vida vai mudar, vai ser feita de rotinas que são normais, mas é importante lembrarmo-nos de criar espaço para existirmos em casal.
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