“Para ter estilo é preciso ter personalidade - e isso não se compra.” Como Vera Moura veste os extremos da moda de p/v 26
Numa temporada que explora os contrastes entre minimalismo e maximalismo, a atriz navega ambos com intuição, provando que a verdadeira assinatura não está só no que se usa, mas na forma como se escolhe existir dentro da roupa.
Vera Moura pertence a uma nova geração de atrizes que recusa rótulos fáceis. Aos 30 anos, constrói um percurso consistente entre a ficção nacional, o teatro e o cinema - com participações em projetos como Podia Ter Esperado por Agosto (2024) e Hotel Amor (2025) - enquanto afirma, em paralelo, uma presença digital tão curada quanto intuitiva.
Entre a contenção e o excesso, move-se com uma fluidez que espelha o espírito contrastante das propostas de primavera/verão 2026 do El Corte Inglés: ora depurada, ora declaradamente expressiva. Há nela um jogo entre minimalismo e maximalismo, não como opostos, mas como forças complementares que se tensionam e redefinem. Nas imagens que partilha e na forma como se apresenta, há sempre um detalhe que quebra a previsibilidade, um gesto que interrompe o óbvio.
Mais do que seguir tendências, interpreta-as. E é nessa leitura pessoal, simultaneamente subtil e afirmativa, que se desenha uma estética própria: contemporânea, emocional e em permanente construção.
No teu estilo pessoal, inclinas-te mais para o minimalismo ou para o maximalismo?
Minimalismo com alguns desvios… Gosto que haja sempre uma peça que quebra a neutralidade ou o óbvio.
No guarda-roupa, preferes investir em peças-chave ou arriscar em statement pieces?
Depende da fase de vida. Neste momento arriscar mais em statement pieces dá-me mais prazer.
Rotina de beleza: o que nunca pode faltar no teu “mínimo indispensável”?
Uma pele bem hidratada e protegida e um dos meus cinco batons que andam sempre comigo na carteira.
Qual foi a escolha mais ousada ou extravagante que já fizeste, seja na moda ou na vida?
Usei um vestido de lantejoulas transparente para uma grande festa em Lisboa. Não gostei de ver com roupa interior, por isso fui só com o vestido.
Qual foi o teu melhor achado low cost?
Uma camisa de manga curta vintage, com fecho e ombreiras verde água, por 2 euros.
Acreditas que hoje o verdadeiro estilo está mais na atitude do que no preço?
Bom gosto e atitude não têm preço, nem é possível comprar personalidade.
O que define “luxo” para ti, numa perspetiva mais pessoal e menos óbvia?
Luxo para mim é ter espaço, tempo e poder dizer que não. Sem culpa.
Num mundo acelerado, onde encontras espaço para o silêncio e o essencial?
Ser atriz dá-me liberdade de não ter sempre a mesma rotina. Nos momentos com menos trabalho, permito-me ter as slow mornings: beber café com calma, escrever e preparar me para o dia com muita, muita calma.
O que te ajuda a filtrar o ruído - externo e interno?
Voltar ao essencial, tanto para um como para outro. Confiar mais no meu próprio ritmo do que no dos outros.
Há algo na tua vida que sentes que está “a mais” e que gostarias de simplificar?
Expectativas externas disfarçadas de objetivos pessoais… Cada vez mais percebo que todos os caminhos são válidos e são diferentes. E ainda bem.
E o que gostarias de ter em maior abundância neste momento?
Mais oportunidades e a estabilidade que vem por acréscimo.
Enquanto mulher, sentes que existe uma pressão para “ter tudo equilibrado”? Como lidas com isso?
Existe uma pressão enorme, mas sinto que é apenas uma ilusão bem vendida. Quando me sinto melhor é quando escolho ser coerente comigo, o que traz uma leveza a esta “pressão”.
De que forma o feminismo influencia as tuas escolhas - pessoais, profissionais ou criativas?
Na forma como escolho. Escolher com liberdade, sem pedir validação já é por si um ato político. Na vida, no trabalho e no corpo.
A autoestima constrói-se mais nos momentos “low” ou nos “high”?
Os “low” fazem-me conhecer melhor, redescobrir-me e perceber como estou no mundo. E quando faço esse caminho, os “high” são celebrados de forma mais sustentada. E claro, com muito mais “power”.
Como atriz, sentes-te mais desafiada por personagens contidas ou por figuras intensas e expansivas?
As personagens contidas não se revelam à primeira impressão, o que faz muito sentido para mim, no entanto, tenho muito prazer em fazer o mesmo com personagens mais expansivas. No fundo, todo o ser humano esconde e as personagens não são diferentes.
A criatividade, para ti, nasce mais da contenção ou da liberdade total?
Da tensão das duas. Sinto-me bloqueada com demasiada contenção, mas também dispersa quando há liberdade a mais.
Créditos:
Fotografia: Ricardo Santos
Realização: Joyce Doret
Cabelos e Maquilhagem: Alex Origuella
Video: Cris Andrade
Produção Máxima com o apoio de El Corte Inglés.
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