Celebridades

Uma estrela chamada Penélope

Diva, musa e atris consagrada, a bela Penélope Cruz divide o protagonismo no novo filme de PedroAlmodóvar com o ator António Banderas. O realizador espanhol está de regresso ao cinema, desta vez com um filme autobiográfico - Dor e Glória - que chega às salas de cinema portuguesas a 5 de setembro. Não perca a entrevista com a atriz e o realizador na edição de setembro da Máxima, já nas bancas.
Por Carolina Carvalho, 04.09.2019

Escondida atrás dos livros, a fingir que fazia os trabalhos de casa, a pequena Penélope observava as clientes do salão de cabeleireiro da mãe. A forma como se comportavam e os segredos que partilhavam fascinavam-na. Segundo a própria Penélope Cruz, foi assim que começou a sua carreira de atriz, em Alcobendas, nos arredores de Madrid. Hoje é não só a espanhola mais bem sucedida de sempre no universo do cinema, como uma estrela de calibre internacional nesta competitiva indústria. Com uma carreira que já conta com três décadas, o primeiro registo (que podemos rever via Youtube) remonta a 1989 no videoclip da música La Fuerza del Destino, do grupo Mecano. A jovem Penélope, então com 15 anos, estava decidida a ter uma carreira como atriz e era destemida o suficiente para lutar por ela. Fez anúncios para pagar as aulas de teatro e, com apenas 16 anos, foi a um concerto de Prince em Madrid e conseguiu falar com ele, mesmo sem ainda saber falar inglês na altura.

Depois de participar em alguns filmes na Europa, Penélope partiu para Nova Iorque, onde aprendeu ballet e inglês. Queria fazer carreira nos Estados Unidos da América, a terra das oportunidades da indústria cinematográfica, e conseguiu. O papel de diva do cinema assenta-lhe como uma luva: é talentosa e versátil. Foi de resto a primeira atriz espanhola a ter uma estrela no Passeio da Fama em Hollywood e o seu currículo vai muito além do cinema de autor assinado por Pedro Almodóvar ou Woody Allen, passando pela comédia com Zoolander 2 (2016), blockbusters como Pirata das Caraíbas: Por Estranhas Marés (2011), filmes de ação como Sahara (2005), o musical Nine (2009) ou os incontornáveis na carreira de Penélope, Vanilla Sky (2001), o Conselheiro (2013) ou Loving Pablo (2017).

Recentemente estreou-se na televisão com a série American Crime Crime Story: The Assassination of Gianni Versace, na qual interpretou Donatella Versace, com a aprovação da crítica. Sem perder o sotaque, gere a imagem de atriz latina de referência e tem personagens criadas especialmente para ela. Em 2006 Pedro Almodóvar deu-lhe o papel de Raimunda, em Volver, e a interpretação valeu a Penélope a primeira nomeação de uma atriz espanhola ao Óscar de melhor Atriz. Valeu-lhe também a admiração de Woody Allen, que escreveu especialmente para ela o papel da personagem Maria Helena de Vicky Cristina Barcelona (2008), com o qual conquistou o Óscar de Melhor Atriz Secundária.

É bela e sensual, fez inúmeras capas de revistas de prestígio e campanhas publicitárias para marcas como a Ralph Lauren ou a Lancôme (foi rosto do perfume Trésor), tendo ainda colaborado com a espanhola Mango, em parceria com a sua irmã Mónica. Recentemente, Penélope atingiu um novo estatuto. Depois de um jantar em Cannes com Karl Lagerfeld, criador de moda que já conhecia desde 1999, a atriz foi convidada para embaixadora da casa Chanel e até encerrou o desfile de prêt-à-porter outono/inverno 2019, que aconteceu em Paris em março deste ano e foi o primeiro depois da morte do criador alemão.

Em 2010 Penélope Cruz casou-se com Javier Bardem, ator espanhol com uma carreira igualmente bem sucedida, e juntos continuam a formar um power couple do cinema contemporâneo. Quem se lembra de os ver contracenar no primeiro filme de Penélope, Jamón, Jamón (1992), diz que a química entre ambos era evidente. Hoje um dos segredos do sucesso da sua relação, que inclusive lhes permite contracenar juntos, é a super proteção que fazem da sua vida privada. Têm dois filhos, Leonardo (2011) e Luna (2013), e a atriz assume-se como uma pessoa que sempre foi muito familiar, ainda mais agora que tem filhos. Não é dada a festas, nem a sair à noite. O que Penélope gosta mesmo de fazer nos seus tempos livres é fotografar. Costumava ter sempre consigo uma máquina Leica que Annie Leibbovitz lhe ofereceu e teve uma exposição com fotografias que tirou a crianças em Katmandú, inaugurada em 1997 pelo Dalai Lama. Na adolescência também quis ser realizadora e, recentemente, cumpriu esse objetivo com a realização do documentário Soy uno entre cien mil (2016), sobre leucemia infantil. Os projetos sucedem-se. Agora, com 45 anos, Penélope continua a marcar presença no cinema, na televisão, nas revistas e na publicidade, consolidando a imagem de uma mulher madura e realizada que mantém a frescura que a tornou especial no início da carreira.

Agora podemos vê-la no cinema em mais um filme de Pedro Almodóvar, o sexto em que trabalham juntos, Dor e Glória. A primeira vez que a atriz fez uma audição para o realizador foi em 1993, mas não ficou com o papel. Em 1996 ele deu-lhe um papel de oito minutos no filme Em Carne Viva, em que ela interpretava uma jovem prostituta cheia de personalidade que dá à luz num autocarro, e desde então a relação de admiração mútua e amizade tem crescido. Foi aliás Pedro Almodóvar quem entregou a Penélope Cruz o César de Honra da Academia de Cinema Francesa pelo seu percurso profissional, em 2018. Em Dor e Glória, o realizador faz uma viagem autobiográfica e Penélope interpreta o papel de mãe de Almodóvar. Uma rodagem que a atriz diz ter sido fácil, porque, afinal, para ela "Pedro, é da minha família".

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