A moda tem a capacidade rara de transformar ideias abstratas
em algo tangível. Pode dar forma a emoções, traduzir estados de espírito e
contar histórias sem recorrer a palavras. Foi precisamente essa dimensão
emocional e criativa que esteve em destaque na 11.ª edição do UModa, o
desfile de moda promovido pela Universidade do Minho, que este ano
encontrou no Espaço Guimarães um novo palco para mostrar o talento emergente da
moda portuguesa.
Realizado a 29 de maio, o evento reuniu estudantes da
Licenciatura em Design e Marketing de Moda da Universidade do Minho e levou ao
público cinco coleções originais desenvolvidas em torno do tema “(Des)ligar”.
Mais do que um exercício académico, o desfile afirmou-se como uma montra do
trabalho desenvolvido pelos futuros profissionais do setor, aproximando-os da
comunidade e do universo profissional da moda.
A moda como reflexo das relações humanas
A edição deste ano partiu de um conceito tão simples quanto
universal: a forma como criamos, mantemos ou rompemos ligações ao longo da
vida. Inspirados pela metáfora de um fio condutor, os jovens criadores
exploraram temas como a memória, os afetos, a identidade e a transformação das
relações humanas.
Dessa reflexão nasceram cinco coleções distintas – DNA,
Arcanum Cordis, Nós, The Body Keeps the Score e Superconexão –, cada uma
delas interpretando o conceito de ligação sob uma perspetiva própria. Entre
encontros e despedidas, presença e ausência, proximidade e distância, os
projetos revelaram a diversidade criativa dos estudantes e a capacidade da moda
para comunicar ideias complexas através de formas, texturas e silhuetas.
O resultado foi um conjunto de propostas que demonstram não
apenas domínio técnico, mas também uma forte componente conceptual, cada vez
mais valorizada numa indústria em constante evolução.
Criatividade com consciência
Num momento em que a sustentabilidade ocupa um lugar central
na indústria da moda, os estudantes foram desafiados a integrar práticas mais
responsáveis nos seus processos criativos. Todas as coleções tiveram como
ponto de partida a reutilização de materiais e técnicas de upcycling,
recorrendo a tecidos reaproveitados para dar origem a novas peças.
Esta abordagem permitiu demonstrar como a inovação e a
criatividade podem caminhar lado a lado com uma utilização mais consciente dos
recursos. Ao transformar materiais existentes em propostas contemporâneas, os
jovens designers mostraram que a sustentabilidade não é uma limitação, mas
antes um ponto de partida para novas possibilidades criativas.
A preocupação ambiental surge, assim, integrada de forma
natural num projeto que procura preparar os estudantes para os desafios atuais
da indústria, incentivando uma visão mais responsável do design e do consumo.
Um palco para a nova geração de criadores
Ao longo das suas várias edições, o UModa consolidou-se como
uma importante plataforma de lançamento para jovens talentos. Mais do
que a apresentação de coleções, o projeto proporciona aos estudantes uma
experiência prática que envolve todas as etapas do processo criativo e de
produção de um desfile.
Para Inês do Amaral, docente responsável pela unidade
curricular, o evento representa um momento particularmente relevante do
percurso académico dos alunos. É a oportunidade de apresentar o trabalho
desenvolvido à comunidade e de demonstrar a criatividade, o rigor e a visão que
caracterizam as novas gerações de profissionais da moda.
Este ano, o desfile ganhou também uma nova dimensão ao
realizar-se, pela primeira vez, no Espaço Guimarães. A iniciativa reforçou a
ligação entre a academia e a comunidade, permitindo que um público mais vasto
tivesse contacto direto com o trabalho dos estudantes e com as tendências que
estão a marcar o futuro do setor.
Moda, comunidade e colaboração
A escolha do Espaço Guimarães como anfitrião da 11.ª edição
do UModa reflete uma visão cada vez mais abrangente dos centros comerciais
enquanto espaços de encontro, cultura e partilha de experiências. Ao acolher o
evento, o centro comercial abriu portas à criatividade emergente e contribuiu
para dar visibilidade a projetos que cruzam talento, inovação e
sustentabilidade.
O sucesso do desfile resultou também do envolvimento de
vários parceiros que ajudaram a tornar possível esta experiência. Entre eles
destacou-se a KIKO Milano, cuja colaboração foi fundamental na
preparação dos modelos, através da disponibilização de maquilhadores que
contribuíram para dar vida ao conceito visual das diferentes coleções
apresentadas em passerelle.
Num setor onde a colaboração entre instituições de ensino,
marcas e entidades privadas assume um papel cada vez mais importante,
iniciativas como o UModa demonstram o valor de criar pontes entre diferentes
áreas e gerações.
Mais do que um desfile, a edição deste ano confirmou que a
moda continua a ser uma poderosa ferramenta de expressão, capaz de unir
criatividade, consciência e comunidade num mesmo espaço. E, para os jovens
criadores que apresentaram o seu trabalho em Guimarães, foi também mais um
passo numa caminhada que poderá vir a marcar o futuro da moda nacional.