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Beleza / Wellness

Voluptuosas, apaixonadas, quentes? Uma venezuelana diz: "Não existe uma única forma de ser latina"

Desde domingo, o maior palco do mundo abriu espaço para canções em espanhol, e todos parecem finalmente escutar o que sempre esteve ali. Mais uma tendência ou um interesse genuíno? Entre cultura e resistência, este é o manifesto das mulheres que sempre "falaram alto demais" mas raramente tiveram voz.

A cantora cubana Celia Cruz
A cantora cubana Celia Cruz Foto: Getty Images
14 de fevereiro de 2026 às 11:00 Patrícia Domingues

Ruth Ibañez. Designer gráfica e criadora de conteúdo. Cresceu entre a Venezuela e Buenos Aires antes de chegar a Portugal. Sensível e experimental, trabalha com ideias genuínas e com pessoas conectadas às suas paixões. "Crio a partir das minhas raízes."

"Acredito que a hipersexualização não afeta só as mulheres latinas, mas todas as mulheres. Ainda assim, existe um estereótipo muito específico sobre nós: que somos 'voluptuosas', 'apaixonadas', 'quentes'. E isso acaba por reduzir-nos a uma imagem muito limitada, como se fôssemos apenas corpo ou temperamento, ignorando tudo o resto que somos. Quando essa imagem se repete nos media, começa a influenciar a forma como as pessoas nos veem e às vezes sentimos que temos de estar sempre a desmentir essa ideia.

Para mim, é importante dizer que não existe uma única forma de ser latina. Não somos só sensualidade ou caráter forte. Somos histórias, contextos, talentos, diferenças. Sempre me inspirei em mulheres que mostram essa força de forma autêntica: a Celia Cruz, pela presença e liberdade em palco, e a Cazzu, por não se calar para agradar ninguém e por defender o que acredita. Elas lembram-me que ser latina não é um molde - é diversidade, criatividade e poder.

A cantora cubana Celia Cruz
Ruth Ibañez Foto:

Quando cheguei à Europa, fazia-me alguma confusão ouvir coisas como 'vocês, latinos, são quentes' ou 'é tudo salsa e festa'. No início nem percebia bem de onde vinha isso. Depois comecei a entender que muitas vezes somos vistos através de um estereótipo. Isso não mudou quem eu sou, mas fez-me perceber como certos traços culturais podem ser lidos como 'exóticos'. O que eu trago comigo não é um disfarce, é a minha cultura. E o mais importante é poder escolher o que é meu, em liberdade, e não ser reduzida ao olhar dos outros.

Sinto que quando emigramos essa ligação às nossas raízes fica ainda mais forte. Quase a romantizamos. E, honestamente, não me importa. Gosto de expressar isso. Gosto do poder que me dá.

Momentos como a atuação do Bad Bunny mostram algo que para nós é óbvio: a beleza latina é diversa. Há caracóis, tranças, penteados simples, elaborados… muitas formas diferentes de existir. Às vezes dá a sensação de que os media agem como se não soubessem que existe essa diversidade, e destacam-na como algo surpreendente. Para mim, isso reforça a ideia de que a nossa identidade e estilo são plurais e autênticos, e mostra que a beleza latina não se limita a um único corpo, penteado ou caráter. Essas representações ajudam mais mulheres a se sentirem vistas e representadas, e desafiam os estereótipos que têm simplificado a nossa imagem por tanto tempo.

Ver tudo isso representado ajuda a ampliar a forma como a beleza latina é vista. Mostra que não existe um único padrão - existe pluralidade. E isso faz diferença."

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