O nosso website armazena cookies no seu equipamento que são utilizados para assegurar funcionalidades que lhe permitem uma melhor experiência de navegação e utilização. Ao prosseguir com a navegação está a consentir a sua utilização. Para saber mais sobre cookies ou para os desativar consulte a Politica de Cookies Medialivre

Máxima

Beleza / Tendências

Pode a ciência da regeneração nascer de uma flor? Fomos à Suíça investigar

Uma viagem revelou a essência da Swiss Perfection, uma marca em renovação, e confirmou que o luxo dispensa o ruído. Exige estrutura, tempo e provas.

Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor
Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor Foto: Getty Images
12 de janeiro de 2026 às 14:44 Safiya Ayoob

Há marcas que se explicam por campanhas. E há marcas que se compreendem por geografia, por legado e por método. A Swiss Perfection pertence, inequivocamente, ao segundo grupo. No início do ano passado, uma viagem à Suíça levou-nos ao coração de uma reformulação assumida - nova linguagem, novo packaging, um discurso mais limpo -, mas sobretudo a um reencontro com a essência: uma flor específica, cultivada e estudada com uma obsessão quase suíça pela precisão. A protagonista não é uma rosa, nem um lírio. É a Iris germanica - e, mais precisamente, o seu rizoma.

A experiência desenhou-se em camadas. Primeiro, o contacto com as pessoas por trás da marca - a equipa, o CEO, a comunicação - e depois, o mergulho no território onde a ciência se torna tangível. A certa altura, o luxo deixa de ser apenas um gesto estético. Passa a ser uma forma de fazer perguntas exigentes e de insistir em respostas comprováveis.

Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor
Um château de família com cerca de 700 anos, ligado ao nome Beauvais, na região de Montreux Foto: @stacycamera

O cenário da viagem tem uma presença quase narrativa: um château de família com cerca de 700 anos, ligado ao nome Beauvais, na região de Montreux. A história ganha contornos particularmente humanos quando Laure Masson, Marketing, PR & Communication Manager, partilha o detalhe que parece desencadear tudo: nos anos 50, a plantação de íris começa ali por iniciativa de Doreen Bovet, uma norte-americana de São Francisco - mãe do atual proprietário do château - e “verdadeira apaixonada por íris”, que traz variedades e inicia a cultura, incluindo a iris germanica.

É um ponto de partida que combina acaso e visão: um jardim que nasce do gosto pessoal e, décadas depois, se transforma em matéria-prima de investigação. Laure enquadra também o lado científico da casa: o Dr. Beauvais, cirurgião e pioneiro, ligado a uma clínica de regeneração celular em Montreux, aprofunda o olhar sobre a planta e a sua capacidade de atravessar estações difíceis “ainda mais forte”.

Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor
Sérum facial Swiss Perfection para regeneração da pele com extrato de íris Foto: @stacycamera

Se a flor é o símbolo, o rizoma é o argumento. E aqui o Dr. Vincent Mutel - doutorado em bioquímica e farmacologia, com percurso na indústria farmacêutica - consegue transformar botânica em narrativa científica sem perder clareza. Explica que o rizoma é um órgão extraordinário: ao ser cortado e replantado, pode dar origem a uma nova planta “completamente idêntica”. Essa capacidade de replicação dá-lhe uma espécie de perenidade biológica  e é precisamente isso que desperta o interesse: “a planta pode renovar-se quase para sempre”.

O tema central da apresentação do Dr. Mutel - e um dos pontos mais relevantes - é o papel dos exossomas. Ele descreve-os como mensageiros: partículas produzidas pelas células para comunicarem entre si, ajudando processos de recuperação. Faz sentido, portanto, querer “capitalizar o verdadeiro potencial do rizoma” e concentrá-lo em exossomas. Mas o detalhe mais significativo é o cuidado com a segurança e a origem. Mutel é taxativo ao explicar por que motivo exossomas de origem humana ou animal levantam riscos - desde potenciais agentes infeciosos até preocupações de transmissão entre espécies - e porque é que, no seu entendimento, a opção vegetal se impõe.

Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor
Dr. Vincent Mutel Foto: @stacycamera

Num mercado onde muitos conceitos científicos viram buzzwords, a Swiss Perfection insiste numa pergunta: quantos exossomas existem, de facto, na formulação? O Dr. Mutel usa uma comparação muito clara: “é um pouco como os probióticos - se forem poucos, não fazem nada”. E especifica uma ordem de grandeza usada pela marca (apresentada no contexto da explicação técnica), defendendo que não é um número “por acaso”, mas calibrado em testes celulares com queratinócitos.

Se houve um momento em que a narrativa deixou de ser apenas interessante para se tornar verdadeiramente memorável, foi quando Mutel descreveu um ensaio clínico pensado para desafiar a pele em vez de a “favorecer”. A lógica é direta: avaliar a velocidade de recuperação após um insulto controlado por UV e medir objetivamente parâmetros como hemoglobina e melanina com instrumentos.

O que fica (e que, por si só, dá corpo a um artigo) é a ambição do modelo: comparar o tempo de recuperação antes e depois de um período de aplicação, com o mesmo grupo de voluntários, em ambiente controlado. Mais do que decorar números, interessa o gesto editorial. Aqui, o discurso não se refugia no “parece-me”, procura o “medimos”.

Swiss Perfection inspira-se na ciência da regeneração de uma flor
Iris germanica Foto: @stacycamera

A nova linguagem visual da Swiss Perfection não surge como capricho: é apresentada como consequência de um regresso ao enredo. Laure explica que a Swiss Perfection está a dar “um novo passo” para refletir melhor de onde vem - e esse “de onde vem” é a iris germanica. A escolha do roxo como assinatura ganha aqui outra leitura: não é apenas cor; é identidade botânica, é herança.

O que mais ficou não foi uma frase de efeito. Foi um clima. A sensação de que, naquele lugar - entre o château, a plantação e as conversas - a Swiss Perfection quer ser entendida como um encontro entre tradição e tecnologia. Não como “cremes”, mas como “produtos sofisticados, complexos e de alta tecnologia”, como se diz num dos momentos da apresentação. E talvez seja esse o traço mais suíço de todos: a ideia de que o luxo não precisa de ruído. Precisa de estrutura. De tempo. De provas. E de uma flor que, ano após ano, encontra forma de recomeçar.

Leia também
As Mais Lidas