"Fizeste alguma coisa à cara?" Não - é só esta técnica de coloração de cabelo que ilumina e rejuvenesce

Ao contrário de tudo o que aprendi na terapia, nem sempre devemos seguir os nossos instintos.

Nova técnica de coloração de cabelo ilumina e rejuvenesce Foto: Getty Images
31 de março de 2026 às 17:15 Máxima

Tenho 37 anos e não me lembro da última vez que pintei o cabelo. Ao longo dos anos, o meu cabelo foi-se tornando uma imagem de marca intocável, cristalizada - das poucas certezas que tinha na vida. Liso, comprido, meio escadeado, sem uma manutenção extrema. Com todas as outras preocupações e inseguranças em relação à minha imagem, o cabelo não era uma delas — ou couldn't help but wonder se a resistência ao novo não poderia significar mais uma delas?

Sem tempo para deliberar sobre a resposta, corta para a cadeira do cabeleireiro C. Kamura, o nome do mago dos cabelos brasileiro trazido para Lisboa, mais precisamente para as Avenidas Novas, onde me sento agora para avaliar uma hidratação mais profunda. Só que não: como uma porta mágica que me catapultou para o backstage de um programa de makeovers, à medida que vamos descendo os três andares do salão, perfeitamente iluminado e decorado da forma mais chique possível - a mais simples -, vamos entrando num portal de autoestima, diversão e mudança. Obviamente para melhor.

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Enquanto debatemos os temas preferidos de uma rapariga na cadeira de um cabeleireiro - fofocas e política - e bebo o meu café com um biscoito (sorry, mas o tratamento brasileiro tem “o molho”), fico a saber mais sobre a carreira de quase cinco décadas de Celso Kamura, sempre em estreita parceria com o mundo da moda. A marca chegou à Europa no final do ano passado, em conjunto com o empresário e cabeleireiro Otávio Lameiro (também ele um expert da beleza que já passou por Itália, Inglaterra e Espanha). Aqui em Lisboa, chegou com serviços de coloração, corte, styling, maquilhagem, manicure e atendimento especializado para noivas, tudo embrulhado pela experiência de alta qualidade e modernidade que sempre guiou a indústria da cosmética brasileira (um detalhe que diz tudo: a própria lavagem do cabelo, que normalmente é tortura para o pescoço, no C. Kamura é sinónimo de uma ida a um head spa, com uma das melhores cadeiras onde já me sentei num salão).

Depois de uma avaliação que se debruçou sobre as madeixas mais claras que o meu cabelo cria nas pontas, foi-me sugerida uma proposta de coloração que se apoia na melhor premissa de todas: trazer ao de cima o que temos naturalmente de melhor. Não é exatamente um balayage completo, nem apenas uma cor única, mas sim uma técnica que ilumina de forma subtil, como se o cabelo fosse maquilhagem líquida. O truque está nas madeixas muito bem posicionadas, que refletem a luz exatamente onde o rosto precisa de ganhar vida. O resultado prometido? Um efeito leve, luminoso e natural - mas melhor: daqueles que parecem espontâneos, mas que são pura ciência.

Durante as muitas horas do processo, o meu cérebro temia (as usual) o pior. Foi só quando começaram a secar as primeiras madeixas que percebi que tudo o que me tinha sido explicado era mesmo real. A French Honey Balayage - ou, mais precisamente, as mãos do hairstylist Richard William - tem o dom de suavizar os traços e iluminar a expressão. Dá aquela sensação de quem acabou de sair de um dia de praia revitalizante, com um tom de cabelo igual ao que costumo ter no verão (ficou tão natural que, nos primeiros dias, ninguém notou). Então, porquê francesa? Não seria o primeiro destino a aparecer na nossa mente quando imaginamos praia, mas basta pensar em Jane Birkin, Caroline de Maigret, Françoise Hardy e outras it girls para associá-las a um look sem esforço, que agora sabemos em primeira mão que teve carradas de horas por trás.

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E o melhor, para alguém que tem dificuldade em cumprir marcações no salão: não precisa de grandes cuidados. Dois meses depois, confirmo que as raízes são quase invisíveis e a cor evolui naturalmente (e está, a cada dia, a receber mais elogios). Basta seguir algumas recomendações do profissional - champô adequado, leave-in, máscara, óleo - e o efeito promete manter-se bonito durante ainda mais tempo. É possível até abrir um ou dois tons de forma gradual, sem marcar ou parecer artificial. Afinal, a French Honey Balayage é discreta, mas poderosa: criada pelas irmãs Carita (espanholas de origem e parisienses de adoção, revolucionaram os cosméticos e tratamentos) em Paris, nos anos 70, “balayage” significa varrer. E é exatamente isso, pois é aplicada onde o sol naturalmente tocaria. O bónus final? Realça a pele e dá um brilho natural ao rosto que só me costuma acontecer com o botox, outra das minhas melhores descobertas recentes.

Engraçado como durante anos achei que não mexer era uma forma de segurança. Mas às vezes é no pequeno risco - naquele “só que não” - que encontramos versões nossas que já estavam à espera. Talvez confiar no desconhecido seja isso: deixar que a luz entre, mesmo antes de sabermos exatamente o que vai iluminar. Ir ao cabeleireiro pode não ser terapia, mas é definitivamente terapêutico. 


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